• Pr. Davi Merkh

A Amargura do Coração e a Doçura da Cruz

Atualizado: Abr 9


O pastor puritano Thomas Watson disse, “Enquanto o pecado não for amargo, Cristo não será doce.”[1]

O pecado já foi amargo para você? O livro de Ezequiel faz uma profecia sobre um dos efeitos da Nova Aliança no povo de Deus. Por causa da presença do Espírito SANTO em nossas vidas, e com a Lei do Senhor agora escrita na tábua do nosso coração, teremos “nojo de nós mesmos por causa das nossas iniquidades e das nossas abominações” (Ex 36.31).

Você já sentiu nojo de si mesmo, por causa do seu pecado? Uma revolta interior, pelo fato de que mais uma vez você perdeu a batalha contra o vício do pecado?

-Seu fracasso como marido, esposa, pai ou mãe?

-Mais uma briga com seu cônjuge?

-Uma disciplina injusta ou indevida do seu filho?

-Uma falha moral?

-Um relapso na pornografia ou nos pensamentos imorais?

-Uma explosão de raiva?

-Egoísmo?

-Avareza ou cobiça?

-Orgulho?

-Indisciplina e preguiça?

-Impaciência?

-Mentira, fofoca, reclamação ou murmuração?

O fato de que você luta dentro de si mesmo; que sente nojo do seu pecado; a decepção que experimenta – tudo isso pode ser sinal de que o Espírito da Nova Aliança habita em você. Também foi Thomas Watson que disse que “arrependimento é o vômito da alma”. Ou seja, o Espírito milita contra a carne e a carne contra o Espírito (Gl 5.17).

A vida cristã envolve uma tensão entre a contrição causada pelo conhecimento da miséria do meu coração, e a exultação na obra final de Cristo na cruz. Se focalizarmos somente a miséria do coração, ficaremos atolados no desânimo. Mas, se encararmos com equilíbrio a realidade do nosso coração, vamos correr até o trono que jorra graça, para obtermos misericórdia e graça em tempo oportuno (Hb 4.15,16). Assim renovamos a nossa mente e “pregamos o Evangelho para nós mesmos”. O cristão vive sua vida na encruzilhada entre arrependimento e fé.

Mas talvez sua luta seja outra. Às vezes, pessoas criadas em lares cristãos, que nunca experimentaram os pecados mais notórios do “mundão” e que abraçaram Cristo Jesus como Salvador cedo na vida, sofrem de indiferença, apatia e mornidão em sua vida espiritual. A vida com Deus pode parecer monótona, o culto, cansativo e seu tempo devocional, um ritual. Do lado de fora, pelo menos, parecem pessoas morais e boas.

Mas o padrão de avaliação divina não é EXTERNA, mas INTERNA; não HORIZONTAL, mas VERTICAL; não baseado em COMPARAÇÃO com aqueles ao redor, mas na realidade do CORAÇÃO.

Quando não sentimos fome e sede de Deus e da Sua Palavra; quando o culto é uma canseira; quando a vida cristã parece rotineira e monótona; quando só praticamos as disciplinas da vida cristã por dever e não por devoção, algo está errado!

O que nos falta muitas vezes é um conhecimento das reais necessidades e da condição do nosso coração. Só assim poderemos apreciar a obra de Cristo por nós.

Romanos faz questão de mostrar que TODOS pecaram e carecem da glória de Deus (Rm 3.23). TODOS nós somos miseráveis pecadores, e continuamos lutando contra nossa natureza pecaminosa mesmo depois de salvos. TODOS, inclusive as pessoas “boas” que vêm de um contexto “moral”, são mortos em seus delitos e pecados sem Cristo (Ef 2.1-4). Um cadáver congelado no Alaska é tão morto como um cadáver exposto ao sol amazônizo, mesmo que um feda mais que o outro. “Morto” significa “morto”.

Mesmo como um salvo em Cristo Jesus, se eu não viver ciente da profunda carência do meu coração, dificilmente experimentarei a alegria profunda da obra de Cristo na cruz por mim. Se eu não permanecer naquele ponto de tensão santa entre o quebrantamento pelo meu pecado e a exultação pela obra de Cristo, dificilmente encontrarei a paixão do primeiro amor por Ele.

A chave está em reconhecer que sou tão pecado como qualquer outro, capaz de cometer qualquer pecado que outros cometem, mas que fui resgatado pelo sangue de Jesus. Só assim é que podemos começar a apreciar a infinita misericórdia e graça de Deus derramada sobre mim em Cristo. Encontramos esse equilíbrio das exclamações de Paulo:

Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?

Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor! (Rm 7.24,25)

Agora, pois, já nenhuma condenação há

para os que estão em Cristo Jesus (Rm 8.1)

Sentir nojo de mim mesmo significa ser sensível à podridão que ainda habita em mim, mas correr até o trono da graça. A amargura do pecado conduz à doçura da cruz.

[1] Thomas Watson, citado por Dave Harvey, p. 27.

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