• Pr. Davi Merkh

Narrativa: Amor Fiel e o Livro de Rute

Atualizado: Mai 12

Narrador: A história de Rute e Boaz no período escuro dos Juízes ilustra o amor-fiel de Deus para com seu povo, Israel, que culmina na vinda do Messias, nosso Redentor. O livro de Rute encontra-se na Bíblia hebraica logo após o livro de Provérbios, que termina com o poema acróstico sobre a mulher virtuosa. Rute personifica essa mulher mas a história toda aponta para a vinda do Messias, nosso Redentor, Jesus Cristo.

Ah, vocês já chegaram! Que bom que resolveram visitar nossa pequena vila de Belém! Meu marido diz que vão almoçar conosco. Se eu me importo? De jeito nenhum! Um trabalhinho a mais nunca matou ninguém - muito menos a mim! Ah, se vocês soubessem o que um pouquinho de trabalho sério e muita fé fizeram por mim!

Tudo começou muitos anos atrás, quando eu era adolescente em Moabe. Não, como vocês provavelmente já adivinharam, não sou judia . . . quer dizer, não nasci judia. A verdade é que o povo judeu e o meu são inimigos há séculos, a ponto de certa vez seu Deus Adonai ter proibido que qualquer um de meu povo entrasse no Tabernáculo de Israel, até a décima geração.

Foi em Moabe que conheci uma família interessante - estrangeiros - a família de Elimeleque. Nunca me esqueço do dia em que chegaram! Que grupo abatido de imigrantes: Elimeleque e sua esposa Noemi, seus dois filhos Malom e Quiliom, e uns poucos empregados. Era óbvio que vinham de uma longa jornada - estavam cobertos de pó, suados e cansados. Tinham vindo de Israel, de sua cidade natal de Belém. Quando uma seca muito grande arruinou sua safra, Elimeleque juntou tudo que tinha e partiu para Moabe. Ele simplesmente não aguentou mais as condições de vida em Israel. Aqueles foram dias difíceis em sua terra - os dias dos Juízes. Mas essa realmente é outra história. . .

A família logo se integrou em nosso vilarejo. Elimeleque gastou toda sua poupança na compra de um terreno, e ele e os rapazes plantaram cevada. Mas nada parecia dar certo. Primeiro uma praga de gafanhotos e depois uma estiagem inesperada ameaçaram arruinar a colheita. Elimeleque deu pra ficar nervoso, daí ficou doente. Ele nunca se recuperou. Naquele inverno Malom e Quiliom sepultaram seu pai, enquanto Noemi observava e chorava.

Alguns meses mais tarde, pouco antes da semeadura da primavera, encontrei-me com Malom no mercado. Quando trocamos olhares ele corou, e eu lhe dei um sorriso de cumprimento, mas não pensei mais nisso - até algumas semanas depois. Foi quando meu pai declarou que tinha uma notícia importante para mim: Eu ia casar-me com Malom, filho de Elimeleque o Israelita, na próxima noite de lua cheia.

Era assunto encerrado. Eu sabia mesmo que era hora de me casar, que meu pai precisava do dinheiro do dote. E confesso que achei que Malom daria um bom marido e pai. Parecia que os maridos israelitas tinham maior consideração com as esposas que os homens do nosso povo. Quem sabe se, com o tempo, eu até aprenderia a amar Malom!

Nossos primeiros anos juntos foram bons, se bem que difíceis. Malom e eu fomos morar com a mãe dele, Noemi, lá no sítio. Meu cunhado Quiliom também se casou, com outra moça de nossa vila, a Orfa. Todos trabalhávamos muito e dava para sobreviver. Infelizmente, não parecia ser possível para nós encomenda um neném.

Um dia os homens estavam ocupados com a remoção de algumas grandes pedras de um canto do nosso campo. Noemi, Orfa e eu estávamos preparando o almoço quando de repente um dos empregados entrou correndo, ofegante. Finalmente, conseguiu dizer que havia acontecido um terrível acidente. Corremos para o campo. Chegando perto, encontramos uma carroça virada e um dos nosso bois caído ao lado. Daí Orfa correu para a figura prostrada de Quiliom, mortalmente pálido e imóvel. Ele já se fora.

Encontrei Malom ainda parcialmente coberto de cascalho. Sangrava muito e respirava com dificuldade. Entendi que estava morrendo. Mas em meio à sua dor, ele tentava dizer-me algo. Com sua cabeça em meus braços e lágrimas a escorrer pelo rosto, aproximei-me e o ouvi sussurrar quatro palavras que nunca esquecerei: "Rute . . . cuide de mamãe." Então ele deu uma estremecida e ficou inerte. E eu me tornei viúva aos 25 anos de idade.

Éramos um trio mórbido de três viúvas: Uma sogra e duas noras, todas sem filhos e quase que sem um tostão. Não foi para menos que Noemi, quando ouviu que em Israel os campos tinham voltado a produzir, resolveu que era hora de voltar para casa.

Desde o início tornou-se óbvio que ela pretendia viajar sozinha. Eu e Orfa insistimos em peregrinar com ela. Mas quando chegamos à estrada que nos levaria a Judá, Noemi voltou-se para nós e, com lágrimas nos olhos, suplicou que buscássemos estabelecer lares entre nossa própria gente. Recusamos, mas Noemi fez questão de insistir:

"Minhas filhas," ela disse, "vocês serão estrangeiras em terra hostil. E não adianta esperar outros maridos de meu ventre. Adonai esvaziou-me de toda esperança, e vocês também levarão vidas sem esperança ao meu lado. Voltem às suas famílias, à sua gente, ao seu deus Quemose, e a maridos que talvez ainda encontrem."

A essa altura, Orfa entregou os pontos. Soluçando, beijou Noemi, abraçou-a, virou-se e correu de volta à cidade. Nunca mais tivemos notícias dela.

Mas eu não consegui deixá-la. As últimas palavras de Malom ecoavam em cada fibra do meu ser. Noemi precisava de mim. Eu precisava de Noemi. Por isso supliquei-lhe:

"Não insista que eu a deixe ou que retorne sem você. Onde você for, irei eu, e onde você ficar também ficarei. Seu povo será meu povo e seu Deus o meu Deus. Onde você morrer, morrerei, e ali serei sepultada. Que Adonai me puna, até mesmo severamente, se outra coisa que não seja a morte me separar de você."

E com isto selei meu sigiloso voto a Malom. Abraçamo-nos, e nossas lágrimas se misturaram ao pó da estrada que nos conduzia ao ocidente - em direção à terra da promessa, e do desconhecido.

Nossa viagem levou vários dias. Tivemos a sorte de encontrarmos uma caravana de peregrinos a caminho de Jerusalém para a Páscoa judaica, e assim fomos bem protegidas dos ladrões que espreitam naquelas bandas.

Ao nos aproximar de Belém, um turbilhão de emoções agitava-se em mim. Sentia expectativa, nervosismo e um pouco de medo. Vendo campo após campo de cevada cultivada, não pude evitar a pergunta: Como viveremos? O que comeremos? Onde moraremos? Será que alguém nos ajudará?

Poucas vezes eu havia deixado minha vila, quanto mais viajado a um outro país. E eu estava bem ciente das hostilidades entre Israel e Moabe. Vinham desde o tempo do rei Balaque e seu profeta-fantoche Balaão. E não fazia tanto tempo que Eude de Israel tinha assassinado o gordo rei moabita Eglom e subjugado nosso povo. Fiquei a me perguntar como eu seria tratada.

Arrepiei-me com as histórias de horror que ouvira recentemente. Uma mulher de Belém tinha sido abusada a noite inteira numa cidadezinha vizinha por um bando de moradores. E quando seu amante a encontrou morta, cortou-a em doze pedaços e a fez viajar por todo o país.

Mas eu também estava empolgada. Empolgada por pisar na terra que mana leite e mel. Empolgada por poder dar ao menos uma olhadinha no Tabernáculo de Adonai, mesmo que talvez nunca me fosse permitido entrar ali.

Daí chegamos. Tão logo passamos pelos portões da cidade, parecia que pessoas de toda parte vinham correndo ao nosso encontro. Noemi era o foco da atenção de todos, e confesso que me dei por satisfeita em ficar no anonimato. Foi então que percebi o desgaste dos anos sobre a minha sogra. Os habitantes quase não reconheceram aquela que no passado havia sido sua amiga e irmã. Também ficaram um tanto espantados pelo seu pedido de ser chamada "Mara" - amarga - em vez de Noemi, que é "agradável." "É porque o Senhor tem tornado amarga a minha vida" disse ela. "Saí cheia, mas o Senhor me afligiu, me trouxe infortúnio, me trouxe de volta vazia."

E assim chegamos afinal a Belém - a "casa de pão". Mas eu no fundo me perguntava se no dia seguinte encontraríamos mesmo pão em nossa mesa.

Naquela noite Noemi tornou a me explicar alguns dos costumes e leis do seu povo. Achei fascinante esse Deus que preferia obediência a holocausto, e misericórdia a dinheiro. Foi então que eu soube da lei sega, uma provisão no código civil de Adonai. A lei proibia os proprietários a colherem por completo o que crescia em seus campos. Aos pobres era concedido o privilégio de segar os cantos dos campos e as espigas que caíssem.

"Ó, Noemi", exclamei, "Será que Adonai vai suprir o nosso pão desta maneira?"

Bem cedo no dia seguinte, eu saí à busca do nosso sustento entre os feixes de Israel. Estava frio e o céu ainda apagado mostrava apenas traços do sol da manhã quando peguei a estrada. Talvez devesse ter-me sentido mais temerosa. Mas eu sabia que Deus estava comigo. "Ó Adonai" orei, "mostra-me onde queres que eu colha hoje."

Prossegui pelo caminho, passando um campo depois outro. Não sei bem por que não parei em nenhum desses; simplesmente senti inquietação quando me aproximei do portão de cada um. Finalmente, aproximei-me de um campo promissor e de um homem que evidentemente era o supervisor dos ceifeiros.

-Com licença, senhor.

-Pois não, minha jovem.

-Por favor, senhor, deixe-me segar e colher entre os feixes depois dos ceifeiros.

Ele parou por um instante, aí vi brilhar reconhecimento em seus olhos.

-Você não é a moabita que voltou com Noemi?

Senti minhas mãos começarem a suar e meus lábios tremiam, mas respondi com firmeza:

-Sim, senhor. Ela é a minha sogra e precisa de minha ajuda.

Após nova pausa ele simplesmente respondeu:

-Está bem, vá com os outros ceifeiros. Mas cuide para não mexer no que ainda não for colhido.

-Obrigada, senhor, muito, mas muito obrigada mesmo!

E quase tropecei na corrida ao campo para unir-me aos demais ceifeiros.

A sega não é tarefa fácil. Os primeiros empregados derrubavam os feixes do cereal, e as servas seguiam atrás, colhendo os ramos e amarrando-os para serem colocados na carroça. Nós que vínhamos atrás colhíamos aqui e ali um ramo isolado. Era trabalho árduo, exaustivo. Mas trazia ao menos alimento suficiente para a sobrevivência, caso o ceifeiro perseverasse na tarefa.

E eu perseverei. Somente uma vez parei, assim mesmo só para fugir um pouco dos raios do sol e descansar no pequeno abrigo ao lado do caminho. E fui amplamente recompensada pelo meu trabalho. Perto da hora do almoço eu já havia colhido o suficiente para nosso jantar e também para o desjejum da manhã seguinte.

Enquanto eu refletia sobre essa bênção, uma voz grave e sonora do outro lado do campo chamou-me a atenção. "O SENHOR seja convosco!" proclamou aos empregados. "O SENHOR seja contigo!" responderam, como se num coro orquestrado.

"Esse deve ser o dono do campo" eu pensei. "Impressionante como seus servos o respeitam. Este é um lugar maravilhoso de se trabalhar!"

Enquanto eu continuava a colher, percebi que o homem - forte e formoso, embora um pouco grisalho - fez questão de falar com cada um de seus empregados pessoalmente: Uma palavra de encorajamento aqui, uma palmadinha nas costas ali, uma pergunta a respeito de alguma esposa ou criança. Ele finalmente chegou ao meu lugar de trabalho. Meu coração quase parou enquanto se aproximava.

"Moça, escute-me" ele disse. "Não vá a nenhum outro campo para colher. Fique com minhas servas. Siga-as no campo onde os homens estão segando. Não se preocupe com os trabalhadores. Já os adverti para deixar você em paz. E quando tiver sede, sirva-se das jarras de água que os homens encheram."

Era demais para mim. Com o rosto em terra respondi, "Mas senhor, por que me abençoas assim, a mim que sou estrangeira, a quem nem sequer conheces?"

"Ah, mas eu a conheço. O bastante para saber que voltou com Noemi após a morte de seu marido. O bastante para saber que você deixou tudo que conhecia e amava para peregrinar entre um povo que antes não conhecia. O suficiente para saber de seu amor leal por um membro da casa de Israel. Que o Senhor a abençoe por tudo que tem feito. Que você seja ricamente recompensada pelo Senhor, o Deus de Israel, sob cujas asas você buscou refúgio."

Era óbvio que ele fizera a pesquisa completa. Com o coração exultante, eu o agradeci: "Que eu continue a achar mercê diante de teus olhos, meu senhor. Tens me tratado com tanta bondade, mesmo sem ter ao menos a posição de uma de suas servas."

Um pouco mais tarde eu me sentei na sombra e comecei a desembrulhar os pãezinhos que preparara como lanche, quando o supervisor me chamou. Deixei meu lugar e fui informada de que o senhor havia mandado chamar-me.

"Venha para cá" disse ele, "Aceite este pão e mergulhe-o no molho."

Aceitei de bom grado o que me ofereceu, então ele indicou-me um lugar entre os ceifeiros e ali me assentei. Aí passou-me uma porção generosa de cereal recém assado. Comi até me satisfazer, e ainda sobrou bastante. Isto embrulhei cuidadosamente com o lanche que não tocara, e voltei para o campo.

Se de manhã achei que tivera sucesso, a tarde foi uma festa. Parecia que por onde eu andasse havia ramos soltos ou espigas no chão. Trabalhei até que quase não aguentava levar minha carga de cereal. Mal podia crer no que viam meus olhos: Eu recolhera quase meio cesto de cereal aproveitável - coisa que normalmente levaria uma semana de sega! "Louvado seja Adonai!" exclamei, ao levar minha preciosa carga de volta para Noemi.

Minha sogra não se conteve de alegria. Queria saber de tudo. Contei-lhe a história e então, finalmente, citei o nome do homem com quem trabalhara. "Foi Boaz" eu disse.

Os olhos dela brilharam. "Boaz! Que o Senhor o abençoe! Ah, o Senhor continua a mostrar Sua bondade para com os vivos e os mortos!"

"Por quê? Há algo especial nele?"

"Rute, você não sabe? Esse homem é nosso parente chegado - é um dos nosso remidores!"

Então compreendi. Noemi havia falado da lei do remidor em Israel. Era ainda outra expressão da bondade de Adonai para com os menos afortunados. Quando um marido morria sem ter dado filhos à sua viúva, o parente mais próximo devia casar-se com a viúva. Porque? Para dar-lhe um filho para preservar o nome do falecido em Israel. Também tinha obrigação de resgatar qualquer propriedade que corresse o risco de sair da família, entregando-a ao herdeiro. Assim como na lei da sega, muitos em Israel não cumpriam a letra da lei, e eu, sendo moabita, tinha pouca esperança de usufruir plenamente dos seus benefícios. Mas entendi o que Noemi dizia. Ao menos poderíamos encontrar favor aos olhos deste remidor e sermos abençoadas como hoje.

"Rute" disse minha sogra, "faça exatamente como Boaz disse. Não se atreva a colher em outro campo!" Como se eu precisasse de uma ordem dessas!

As segas da cevada e do trigo passaram rapidamente. Cada dia cedinho eu trabalhava nos campos de Boaz, e cada dia eu trazia frutos de uma farta colheita.

Certo dia, enquanto Noemi e eu peneirávamos os restos de minha sega e juntas nos maravilhávamos em vista da bênção divina, seu semblante ficou mais sério.

"Rute, não será esta a hora de eu tentar achar-lhe um lar onde você será bem cuidada?"

“Mas Noemi, sou tão feliz aqui, com você. Adonai está suprindo todas as nossas necessidades. Somos uma família."

"Não, Rute, não somos uma família. Posso ser-lhe como uma mãe, mas não posso ser-lhe marido e filho. Mas há alguém que pode dar-lhe as duas coisas - Boaz. Não é nosso parente? Não tem ele já demonstrado admirável bondade para com você? Escute meu plano . . ."

Ouvi suas instruções, escutando como nunca antes. Naquela noite, vestindo minhas melhores roupas e o perfume mais agradável, dirigi-me silenciosamente à eira onde Boaz e seus homens limpavam a cevada. Permaneci nas sombras e escutei suas risadas enquanto trabalhavam, comiam, bebiam, cantavam, e finalmente se recolheram para dormir. Cada homem posicionou-se perto de um monte de cereal, Boaz perto do maior, para proteger a safra. Quando todos estavam profundamente adormecidos dirigi-me em silêncio até o monte de Boaz. Ali, com o coração batendo tão forte que temi com ele acordar o grupo inteiro, removi o cobertor dos pés dele e me deitei. Pensei que ele acordaria de imediato, mas não foi até bem mais tarde que ele despertou, sentou-se de repente, e perguntou em sussurro severo, "Quem é você?"

Numa voz pequenina respondi, "Sou tua serva, a Rute. Estende, pois, a tua aba sobre a tua serva, porque és o remidor."

Esperei à luz da lua, corpo trémulo, rosto ardendo, sentindo-me ousada e envergonhada, atrevida e tímida tudo ao mesmo tempo. Era a primeira vez que eu fazia um pedido de casamento!

Ele afinal respondeu-me:

"Bendita sejas tu do Senhor, minha filha! Melhor fizeste esta tua última beneficência do que a primeira, pois após a nenhum jovem foste, quer pobre quer rico. Agora, pois, minha filha, não temas; tudo quanto disseste te farei, pois, toda a cidade do meu povo sabe que és mulher virtuosa. É verdade que eu sou remidor; mas ainda outro remidor há mais chegado do que eu. Fica-te aqui esta noite, e será que, pela manhã, se ele te redimir, está bem, que ele te redima; porém, se te não quiser redimir, vive o Senhor, que eu te redimirei, casando-me contigo."

Mal podia crer no que estava ouvindo. Mas deitei-me e esperei quase até o raiar do dia. Então levantei-me para sair em silêncio. Boaz também se assentou (acho que ele também não dormiu quase nada!). Instruiu-me cuidadosamente a que não dissesse a ninguém que estivera ali. Então pediu meu xale e ali colocou seis medidas completas de cevada - acho que poderiam ser consideradas meu anel de noivado! Então mandou que eu voltasse a Noemi.

Mal conseguia me conter ao entrar na casa. Noemi estava à minha espera. Podia sentir minha empolgação.

"Como foi, Rute?"

Contei-lhe tudo, então mostrei-lhe a cevada.

Noemi simplesmente sorriu e disse, "Espere, minha filha, até ver o que acontece. Pois aquele homem não descansará até que conclua hoje este negócio.

Ela tinha razão! Mais tarde eu soube de toda a história através de um dos vizinhos, cujo marido era ancião de plantão no portão da cidade naquele dia. Boaz foi o primeiro a chegar ao portão. Quando o parente mais chegado apareceu para fazer negócios em Belém, Boaz convidou-o para assentar-se por um tempo. É claro que ele entendeu que era uma questão de negócios oficiais, e sendo um astuto mercador imediatamente tomou seu lugar e esperou que dez anciões se congregassem.

Era de fato astuto, mas Boaz estava ainda mais à frente! Boaz fez referência a uma propriedade que pertencera a Elimeleque. Como parente mais chegado, era o direito deste parente de Noemi comprar a terra da mão de Noemi para evitar que saísse da família. E o preço era ótimo. Qual bom negociante desprezaria tamanha oferta? Certamente não este.

"É claro" continuou Boaz, enquanto o outro refletia na compra, "que você entende que o resgate desta propriedade também o obriga a suprir um herdeiro para a propriedade, ou seja, um filho para Rute a moabita." Foi aí que a mão do parente ficou presa no bolso. Não contara com este desenrolar das circunstâncias. Suas motivações ficaram expostas pelo que de fato eram - financeiras e não redentivas. Assim Boaz o pegou.

"Mas eu não posso fazer isso" ele gaguejou. "Assim eu teria que comprar a propriedade, cuidar das mulheres, alimentar uma nova família, e tudo será considerado como herança e legado de Malom!"

"Então você se recusa a ser remidor?"

"Não tenho condições. Seja você em meu lugar, Boaz!"

E com isso ele removeu sua sandália na presença dos anciões e a deu a Boaz, assim indicando sua desistência do direito e responsabilidade da redenção. Boaz ficou com a sandália - e comigo - nada mau para uma única manhã de trabalho. (Gosto de brincar com Boaz, perguntando qual tinha o melhor cheiro - a sandália, ou eu!)

Os anciões expressaram sua aprovação da questão sem demora e ficou tudo resolvido.

E eu achava que lá em Moabe as notícias corriam! Acho que Boaz e eu fomos assunto discutido na mesa de lanche de cada lar da vila durante aquela semana. Amigos vinham dar-me sua bênção, comparando-me com Raquel e Lia, as matriarcas de Israel. E desejavam a Boaz a prosperidade de Perez, seu tetro bisavô, que fora resultado do casamento do remidor Judá com Tamar.

E essa é a nossa história! Quem poderia imaginar que Adonai faria tanto por uma pobre viúva moabita que não tinha mais em quem se refugiar?

Ah, mas quase me esqueço, há mais uma parte nesta história. É um capítulo que ainda está sendo escrito. Adonai resgatou meu ventre! Tivemos um filhinho chamado Obede! Frequentemente me pergunto que plano Adonai em para esta criança tão especial . . .

(Narrador):

"Estas são, pois, as gerações de Perez: Perez gerou a Esrom. E Esrom gerou a Arão, e Arão gerou a Aminadabe, e Aminadabe gerou a Naassom, e Naassom gerou a Salmom, e Salmom gerou a Boaz, e Boaz gerou a Obede, e Obede gerou a Jessé, e Jessé gerou a Davi . . . " o rei de Israel, de quem vem o Messias, o Remidor do mundo!

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