• Pr. Davi Merkh

Dúvidas da Salvação

Atualizado: Mar 27

"Será que realmente sou crente? Será que fui sincero quando aceitei Jesus? Será que entendi o que estava fazendo?"



Você já fez perguntas assim? Eu, sim. Houve uma época na minha vida em que eu convidava Jesus para entrar no meu coração todas as noites "só para ter certeza." Eu não aguentava aquela inquietação de dúvidas quanto ao meu destino eterno. Eu temia o inferno, e não queria arriscar a possibilidade de um dia ir lá.


Agora reconheço que a dúvida pode ser um amigo que fortalece a minha fé, ou um inimigo usado por Satanás para paralisar a vida cristã e neutralizar meu testemunho. Como testemunhar de salvação em Jesus se somos paralisados pelas nossas próprias dúvidas? Durante um tempo, eu pensava que talvez eu fosse a única pessoa que passava pelas nuvens pretas de dúvida. Agora sei que muitos, se não a maioria, experimentam dúvidas. Como lidar com nossas dúvidas? É pecado duvidar? O que que a Bíblica diz sobre o assunto?


1. Dúvida não é necessariamente pecado.


Em muitos círculos evangélicos, "duvida" quase se virou palavrão. É vergonhoso admitir que às vezes você tem dúvidas. Mas creio que pior do que ter dúvidas na vida cristã é nunca ter dúvidas. Nunca duvidar significa nunca questionar; nunca questionar significa ter uma mente fechada, que foge de desafios e finge que não há questões não resolvidas. Revela uma fé fraca, superficial e não-testada. Podemos dizer que exige muita fé para ter dúvidas.


Uma vez confrontada honestamente, a pedra de dúvida no sapato da fé pode ser transformada no alicerce de uma vida cristã sólida. É interessante que Jesus não condenava a dúvida sincera. Isso porque "dúvidas criam a montanha que fé pode mover." Condenou, sim, a dúvida arrogante de incrédulos como os fariseus, mas não o questionamento de corações sinceros, embora confusos. Mas dúvidas não resolvidas são perigosas. Devem ser confrontadas e derrotadas à luz da Palavra de Deus. Mas como?


2. Na hora de dúvidas, volte à Palavra de Deus e ao Evangelho verdadeiro.


Um dos exemplos clássicos de uma pessoa abalada pela dúvida nas Escrituras foi João Batista. O grande embaixador do Rei Jesus, primo do Senhor, chamado o “maior entre os homens” pelo próprio Jesus, vacilou quando ele se encontrava no cárcere, preso pelo rei perverso, Herodes. Imagine aquele homem de campo trancado numa cela pequena, sentindo-se inútil, esquecido, abandonado.


Se Jesus realmente era o Rei, o Messias, o "Cordeiro de Deus que tirava o pecado do mundo", então como podia deixar seu precursor, o embaixador do Rei, naquele buraco fedido? João vacilou em sua fé, e mandou perguntar a Jesus, "És tu aquele que estava para vir, ou havemos de esperar outro?" Para João representava mais que uma crise passageira, mas uma crise existencial, com proporções eternas, vocacionais e imediatas: "Será que errei no meu ministério? Será que tudo foi à toa? Será que me enganei? Será que estou perdido?"


Em momento algum Jesus o condenou. Mas também, nem respondeu diretamente à sua pergunta. Mandou João conferir a Palavra de Deus! Ao responder, Jesus citou dois textos proféticos e messiânicos do mesmo livro do Antigo Testamento, Isaías, que também profetizava o ministério de João:


"Os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho" (Is. 35:3-6 e Is. 61:1,2).


Ou seja, Jesus fez João encarar objetivamente e não emocionalmente os fatos da Palavra de Deus. Na hora da dúvida, voltemos à Palavra.


Quando eu era jovem, chegou ao ponto em que eu precisava resolver a questão das minhas dúvidas de salvação de uma vez para sempre. Resolvi a questão quando enfrentei os fatos da Palavra de Deus.


A Bíblia diz,


"Crê no Senhor Jesus e serás salvo" (At. 16:31).


“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).


“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder [direito, autoridade] de serem feitos filhos de Deus; a saber: aos que creem no seu nome” (Jo 1.12).


“Não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1)


Comecei a resolver minhas dúvidas quando comecei a descansar no poder final da Palavra de Deus, do Deus que falou em Sua Palavra e na sinceridade de Jesus que morreu e ressuscitou por minha justificação. Foi um divisor de águas em que em precisava renovar a minha mente, “pregando o Evangelho a mim mesmo” cada vez que as dúvidas chegassem.


O Evangelho puro e simples diz, “Sou pecado miserável, distante de Deus. Jesus Cristo, Deus-homem, viveu sem pecado, morreu na cruz no meu lugar, pagando minha dívida infinita, e ressuscitou ao terceiro dia como prova de que TODOS os meus pecados foram perdoados. Pela fé confio nesta obra de Cristo, arrependo-me do pecado e lanço TODO o meu destino eterno sobre Ele.”


Gosto muito da figura de alguém lançando-se sobre o abismo do inferno na confiança de que Cristo o salvará. Sua esperança está em Cristo e nada mais. O arrependimento significa DEIXAR DE CONFIAR em tudo menos Cristo. A fé significa tomar um passo sobre o abismo, sem nenhuma outra esperança. Assim, Jesus recebe toda a glória. Quando focalizamos demais em NÓS, perdemos o foco em Cristo.


Ou seja, daquele momento em diante, cada vez que eu enfrentava as dúvidas, só precisava me perguntar, "Eu creio que Jesus morreu e ressuscitou por mim? Eu creio nas promessas objetivas da Palavra, ou confio nos meus sentimentos instáveis?" Mais importante do que saber o dia e a hora que você aceitou Cristo como Salvador (algo que aflige especialmente aqueles nascidos em lares cristãos), é a pergunta, “Eu creio HOJE em Jesus?” O veredito da Palavra de Deus: SALVO PELOS MÉRITOS DE CRISTO! (Ef 2.8-9).

Parte do problema com as dúvidas está no fato de que têm o foco errado. Eu estava olhando para mim - os meus sentimentos, a minha sinceridade, o meu entendimento. Mas o evangelho não baseia-se em mim, mas em Jesus. A questão é se ELE foi sincero quando morreu na cruz por mim, se ELE de fato ressuscitou dos mortos e se Deus aceitava o sacrifício dele no meu lugar.


3. Na hora de dúvidas, confie na Pessoa de Deus.


Boa parte do problema de dúvida é que temos um conceito errado de Deus, como se Ele quisesse esconder a salvação e torna-la o mais difícil possível para Suas criaturas. Muito pelo contrário! Deus fez tudo para colocar a redenção ao nosso alcance. Não engana os seus filhos, como se a nossa salvação fosse uma brincadeira cósmica de "esconde-esconde". Na hora de dúvida, precisamos confiar no caráter de um Deus bom, cheio de graça, bondade, amor e misericórdia que deseja que ninguém pereça, mas que todos sejam salvos.


"Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou a seu próprio Filho, antes por todos nós o entregou, porventura não nos dará graciosamente com ele todas as cousas?" (Rm.8:31,32).


Mas é fácil esquecermos do amor de Deus quando passamos pela escuridão de dúvida. Outro discípulo de Jesus, Tomé, também experimentou o lado escuro de desconfiança do caráter de Deus. Jesus havia aparecido depois da ressurreição para todos os outros discípulos, mas não a Tomé, que estava ausente na ocasião. Tomé recusava acreditar, a não ser que tocasse nas feridas de Jesus (Jo. 20:24,25). Ele duvidava da ressurreição. Seu coração queria crer, mas o desastre da crucificação do seu Amigo foi demais para ele.


Foi então que Jesus, pela Sua graça e misericórdia, foi ao encontro do Seu discípulo caído na dúvida. Jesus apareceu aos discípulos pela segunda vez, mas esta vez com o propósito principal de resolver as dúvidas de Tomé (Jo. 20:26,27). Foi então que as trevas de dúvidas foram dissipadas pelo sol brilhante do amor e da graça do Salvador. Tomé, novamente ciente do incrível amor e compaixão do seu Amigo, se derreteu perante Jesus. O homem com as maiores dúvidas virou o discípulo que fez a declaração mais convicta na divindade de Jesus : "Senhor meu, e Deus meu!" (Jo. 20:28).


É assim com nossas dúvidas. As dúvidas servem, sim, para reafirmar a nossa fé. Podem ser as rochas que naufragam a nossa vida espiritual, ou as pedras do alicerce de uma fé inabalável. Basta confiar na Palavra de Deus, e suas promessas de salvação incondicional para aquele que crê. Basta olhar para a Pessoa de Deus que oferece a salvação de graça pelo Seu grande amor. A nossa salvação não depende da nossa sinceridade, mas da sinceridade de Jesus quando Ele morreu na cruz. Depende das promessas de um Deus bom que prometeu "Crê no Senhor Jesus, e serás salvo." Na hora das dúvidas, renove a sua fé na obra final de Cristo na cruz e no túmulo vazio. Pregue o verdadeiro evangelho a si mesmo. Confie na Palavra de Deus e no caráter de Deus.


Você crê?

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