• Pr. Davi Merkh

A Fé que Enfrenta Provações (Tg 1.2-12)


Certa vez um grupo de mulheres queria saber como eram confeccionadas as jóias que elas tanto apreciavam. Foram, então, visitar um ourives. Chegando ao local onde o ourives trabalhava, puderam observar como ele cuidadosamente queimava a prata no fogo a fim de torná-la pura. Depois de um tempo observando seu trabalho, ficaram admiradas com a precisão com que ele lidava com o metal precioso, tirando-o no momento exato de sua boa têmpera. Elas lhe perguntaram como ele podia saber quando chegava a hora certa de retirar a prata do fogo, visto que ele já lhes tinha dito que se deixasse a prata tempo demais no fogo ela seria destruída. A resposta era bem simples: Quando ele podia ver a sua própria imagem refletida na prata, isto, então, indicava que já era hora de tirá-la do fogo.

Da mesma maneira a Palavra de Deus ensina que o Senhor quer ver sua imagem refletida em nós (Rm 8.29). Ele também nos purifica com o fogo das provações, vindo das mais diversas áreas de nossa vida: finanças, saúde, família, vizinhos, trabalho, escola. Às vezes, parece que somos emboscados por todas essas áreas ao mesmo tempo!

Se sabemos que o fogo das provações vem para nos purificar, como devemos reagir a ele? O livro de Tiago nos apresenta provas de uma fé genuína, testes que tiram a escória da nossa fé e fazem com que a imagem de Cristo Jesus seja cada vez mais nítida em nós.

O primeiro parágrafo do livro nos ensina uma lição desenvolvida ao longo do livro todo: “Crer” é um verbo que deve ser conjugado no tempo presente e na voz ativa!

Tiago 1.2-12 sugere cinco passos pelos quais enfrentaremos a refinação da nossa fé pelo fogo da provação.

  1. A Fé Verdadeira Enfrenta Provações com Alegria (1:2,3)

A primeira prova talvez seja a mais difícil. Tiago dispensa de muitas saudações preliminares e vai direto ao assunto:

Meus irmãos, tende por motivo de toda a alegria o passardes por várias provações,

Sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança.

Como considerar provações como motivo de alegria? Através de uma fé ativa e robusta num Deus soberano e bom. Essa fé pura consegue enxergar a mão invisível de Deus tirando o máximo proveito do fogo das provações. A fé se alegra porque sabe que a provação tira as suas imperfeições. Confia única e exclusivamente em Deus e pede a sabedoria para poder tirar o mesmo proveito das tribulações da vida. Fica resoluta, sem vacilar, em meio às dificuldades.

Ter alegria quando chegam os momentos difíceis não significa que provações são divertidas ou engraçadas. Não significa que temos algum complexo sadista de martírio. “Ter por motivo de alegria” significa fazer uma avaliação cuidadosa, um cálculo racional, pensado e maduro, que reconhece o benefício que as provações trazem.

Por exemplo, a mulher que está para dar à luz sabe muito bem que a dor do parto produz a alegria de ver seu filho nascer. No fim, ela não trocaria nada pelo filho precisos que ganhou.

Precisamos aprender a suportar as dores da provação hoje para termos a alegria de colhermos seus doces frutos amanhã. Esta deve ser a razão principal porque provações são motivo de alegria. Reconhecemos que a mão de Deus está sobre nós, que Ele é maior que a provação, que nada escapa do seu controle e que Ele é capaz de produzir um bem muito maior (cp. José Gn 50:20).

2. A Fé Verdadeira Enfrenta Provação com Perseverança (1:4)

Ora, a perseverança deve ter ação completa,

para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes.

A palavra “perseverança” traz a ideia de alguém disposto a ficar “debaixo” de circunstâncias adversas até o fim. Provações somente são motivos de alegria se continuarmos firmes. Temos que permitir que Deus faça a obra completa pelo fogo da provação.

Perseverar nas provações não significa ignorar possibilidade de alívio ou escape. Assim como a mulher faz o que pode para aliviar a dor do parto, nós também podemos fazer o possível para aliviar a dor, desde que não envolva pecado.

As provações que vêm da parte de Deus têm o objetivo de desenvolver a nossa fé. Por exemplo, quando passamos por problemas financeiros, talvez Deus queira nos ensinar a ser bons mordomos daquilo que Ele mesmo tem confiado a nós. O diabo também pode aproveitar de situações adversas para nos tentar a sacrificar princípios éticos e dessa maneira desagradarmos ao Senhor.

Os atletas são o melhor exemplo de perseverança para nós. Eles treinam muitas horas para alcançarem seu prêmio. São perseverantes em repetir todos os dias aqueles exercícios que os condicionam para a vitória. O treinamento pode trazer sofrimento. Porém, no dia da vitória eles nem se lembram mais destas dores de que foram obrigados a suportar.

A perseverança produz uma fé vibrante, forte, completa e íntegra.

3. A Fé Verdadeira Enfrenta Provação com Súplica (1:5)

Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus,

que a todos dá liberalmente, e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida.

Quando enfrentamos provações, muitas vezes descobrimos deficiências na nossa fé. Elas podem revelar impaciência, incredulidade, fraqueza, ira e desânimo. Podem expor ídolos que ocupam pedestais de honra em nossos corações.

Porém, o que mais nos falta em meio às tribulações é a sabedoria - não necessariamente para descobrir a razão pelo sofrimento (quase nunca isso acontece) mas para saber como reagir de uma forma que glorifique a Deus e que produza a imagem de Cristo em nós. Oramos por sabedoria para tirar o máximo proveito da provação!

Esse versículo muitas vezes é citado fora de seu contexto, como um pedido generalizado por sabedoria. Deus sempre se agrada de pedidos por sabedoria, porém, a ênfase desse texto está no pedido por sabedoria em meio a tribulação. A nossa primeira opção em tempos difíceis deve ser voltar nossa face para Deus, confiante de que Ele há de responder com liberalidade.

A frase “peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente” pode ser traduzido literalmente “peça-a ao dando-Deus”, destacando Sua natureza generosa. Deus não se incomoda, se irrita ou fica bravo quando clamamos dia após dia por sabedoria para enfrentar uma situação insuportável. Ele se agrada de filhos que O procuram dessa maneira.

4. A Fé Verdadeira Enfrenta Provação com Fé (1:6-8)

Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando;

pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento.

Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa;

Homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos.

Mas existe uma condição para receber a sabedoria necessária para lidar com a provação. O pré-requisito é CRER. Não se trata de uma fé cega, mas que tem olhos espirituais para compreender e confiar na natureza de Deus. A provação existe para desenvolver nossa fé. Então o que adianta suplicar a Deus, mas sem fé de que Ele se importa e de fato responde às orações que lhe fazemos? É um contrassenso.

A provação visa promover estabilidade, firmeza, convicção e maturidade. Mas a dúvida leva para instabilidade, agitação, inconstância - assim como as ondas dirigidas pelo vento. Essa pessoa já começa derrotada.

5. A Fé Verdadeira Enfrenta Provação com Esperança (1:9-12)

O irmão, porém, de condição humilde glorie-se na sua dignidade,

e o rico na sua insignificância, porque ele passará como a flor da erva.

Porque o sol se levanta com seu ardente calor, e a erva seca, e a sua flor cai,

e desaparece a formosura do seu aspecto;

assim também se murchará o rico em seus caminhos.

Bem-aventurado o homem que suporta com perseverança a provação;

porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida,

a qual o Senhor prometeu aos que o amam.

Os últimos versos deste parágrafo parecem fora do lugar, mas fazem parte do argumento.

Os leitores, na grande maioria, eram pessoas pobres. Precisavam reconhecer que a provação era algo temporário, transitório e superficial. Mas precisavam lembrar que, mesmo em condições humildes neste mundo, eles tinham uma posição digna em Cristo nas regiões celestiais. Ou seja, havia esperança para os pobres em meio às tribulações.

O rico, por outro lado, precisava compreender que suas riquezas eram insignificantes à luz do grande esquema do universo. Eram superficiais, instáveis e transitórias. Quem depende de posses e bens para livrá-lo das provações está em sérios apuros.

O último versículo mostra que havia, sim, esperança para o futuro. Quem persevera em Cristo em meio às provações revela uma fé vibrante, viva e eficaz. No final do processo, terá o galardão chamado “a coroa da vida”, que representa o alívio final de todos os seus sofrimentos numa vida gloriosa sem fim. A coroa É a vida eterna.

Muitos hoje estão sentindo o fogo do ourives em suas vidas. Mas Deus promove o processo de provação como ourives perito. Será que estamos dispostos a deixarmos que Ele termine esse trabalho em nós?

“Crer” é um verbo que deve ser conjugado no tempo presente e na voz ativa!

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