• Pr. Davi Merkh

A Diferença que a Mãe Faz

Atualizado: Mai 19


Certa vez a minha esposa viajou durante nove dias e eu precisei ser pai e mãe para dois filhos ainda em casa. Eu descobri que, como mãe, eu sou um bom pai! Creio que cada pai deve passar por uma experiência semelhante, pelo menos uma vez na vida, para realmente apreciar a importância do Dia das Mães.


Quanta diferença a mulher faz no lar! Uma vez por ano, paramos para refletir um pouco sobre esse fato. Mas, à luz da Palavra de Deus, qual a diferença que a mãe cristã faz, ou deve fazer, no lar?

Vamos examinar a vida de três mães que realmente fizeram diferença em suas famílias: Ana, mãe de Samuel; Joquebede, mãe de Moisés; e Eunice, mãe de Timóteo. Sabemos que suas histórias foram escritas como exemplos para nós (Rm 15.4; 1 Co 10.6, 11) mas também entendemos que só a graça de Deus derramada sobre nós em Cristo Jesus capacita mulheres para fazerem tão grande diferença na vida de seus filhos.

I. Ana: Uma Mãe Que Fez Diferença Entregando Seus Filhos para Deus (1 Sm. 1:1-3, 6-8, 9-11, 15, 19-28)

Nossos filhos são um empréstimo da parte de Deus durante o tempo que Ele determinar. Quando Deus nos concede filhos, Ele continua sendo o verdadeiro Pai. Somos os guardiões terrestres dessas vidas preciosas que Deus nos empresta. Seguimos as diretrizes e instruções DELE no cuidado deles. Somos chamados para moldá-los para serem cada vez parecidos com seu verdadeiro Pai.

Imagine pais que enviam seus filhos para um acampamento de verão. O conselheiro cuida do filho durante uma semana, mas sempre debaixo da autoridade dos pais. Segue as instruções específicas deles, ciente das preocupações e necessidades particulares daquela criança. Mas depois de uma semana, o acampante volta para casa. Às vezes há choro na hora da despedida, mas ninguém questiona se o filho deve ou não voltar para seus pais.

Nossos filhos pertencem a Deus e fazemos bem quando os entregamos a Ele, confiantes de que Ele é um Deus BOM, CONFIÁVEL e DIGNO, e que sabe o que é melhor para nossos filhos.

Conforme 1 Samuel 1, Ana era uma mulher piedosa, mas sem filhos (v.2), enquanto Eli, o sacerdote insensível, tinha dois filhos perversos (2.12). Ana era uma mulher injustiçada pela sua rival (a outra esposa do marido, Elcana), mas que levava sua ansiedade diante de Deus (vv. 7-10). Depois que Deus abençoou seu pedido por um filho, Ana cumpriu com sua palavra e devolveu Samuel ao Senhor (1:11, 19-23, 27, 28).

Eu sempre fiquei intrigado pelo fato de que Ana entregou seu filho único para ser cuidado por um pai que já havia fracassado na criação dos seus próprios filhos. Mas Ana não deu Samuel para Eli e, sim, para Deus! Assim como a viúva que entregou suas duas moedinhas no Templo na época de Jesus, Ana entregou Samuel para Deus, não para homens corruptos.

Note o espírito com que Ana dedicou seu filho ao Senhor - foi com alegria, adoração e júbilo (1 Sm 2.1ss). Ela louvou a Deus pela sua santidade (2.2), seu conhecimento (3), poder (4-8) e juízo (9,10). Foi DEUS, e não Ana, o Herói da história. Quando temos um grande Deus, podemos confiar a Ele nossos filhos! Ai dos pais que acham que conseguem cuidar melhor dos filhos do que o próprio Deus! O Deus soberano ama seus filhos mais que nós os amamos.

Provérbios 22.6 exorta os pais a “ensinar” os filhos nos caminhos do Senhor. A palavra traduzida “ensinar” foi usada em quase todas as suas ocorrências no sentido de “dedicar”, “consagrar” ou “inaugurar”. Quando pais entregam seus filhos diante do Senhor em cultos especiais, simbolizam uma disposição de lembrar que seus filhos pertencem a Deus e que devem ser moldados conforme a imagem dEle.

Infelizmente, muitos pais criam seus filhos para si mesmos. Querem que os filhos realizem os sonhos dos pais, que por sua vez vivem suas vidas através deles. Tentam segurá-los tanto quanto possível. Às vezes, impedem que atendam a um chamado do Senhor para servi-lo. A dedicação dos nossos filhos não deve ser "de boca para fora" mas sincera. Devemos encorajar nossos jovens a seguirem passos que os levarão a uma vida frutífera para o Senhor.

II. Joquebede: Uma Mãe Que Fez Diferença Ensinando Seus Filhos sobre Deus (Ex. 2.9-12; 6.2 Hb 11.23-27)

Além de entregar seus filhos a Deus, a mãe que tem um grande Deus também faz seu papel de ensinar seus filhos sobre Deus. No caso de Joquebede, ela precisava dar um “intensivão” de preparação teológica antes que Moisés saísse de casa. A fé de Joquebede e de Anrão, seu marido, na criação de Moisés, é destacada em Hebreus 11:23: Pela fé, Moisés, apenas nascido, foi ocultado por seus pais, durante três meses.

O desenvolvimento da história de Moisés é fascinante. Diante do decreto de Faraó, que todos os bebês masculinos fossem mortos, Joquebede protegeu seu filho, resistindo ao decreto do rei com grande fé e coragem (Ex 2:2). Evidentemente, Moisés foi ensinado sobre sua verdadeira identidade neste período, pois em Êxodo 2:11 lemos que ele sabia muito bem a sua genealogia verdadeira e que ele "saiu a seus irmãos" (uma referência ao povo de Israel, sujeito à escravidão) anos depois. Quando Deus o encontra na sarça ardente em Êxodo 3:6, fica evidente que ele já sabia do seu legado espiritual, pois Deus disse "Sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão". Atos 7.20-25 nos informa que quando ele foi visitar seus irmãos, já com 40 anos de idade, ele imaginava que eles também sabiam da sua identidade como o escolhido por Deus para libertar seu povo.

Joquebede e Anrão aproveitaram os poucos anos em que o pequeno Moisés ficava na casa deles para ensinar-lhe sobre sua verdadeira identidade como filho de Deus e o fato de que era melhor obedecer a Deus do que aos homens.

Fico a pensar o que aconteceria se um dos nossos filhos pequenos fosse sequestrado com cinco, sete ou nove anos de idade. O que seria dele ou dela? Sua fé teria condições de enfrentar uma cultura estranha, deuses estranhos e padrões morais pagãos? Muito depende da formação que já recebeu nos primeiros anos de vida! Foi assim com Samuel e Moisés. Foi assim também com a menina Israelita levada cativa para Síria, que ficou ao serviço da mulher de Naamã (2 Rs 5.1-3). José e Daniel também demonstraram esse preparo precoce na fé, embora foram arrancados dos seus lares já como adolescentes.

A mãe sábia conduz seus filhos ao conhecimento do seu coração e a uma conversão genuína por Cristo Jesus. Ensina seus filhos sobre sua verdadeira identidade como filhos de Deus, para que não tenham medo de viver pela fé, como o povo de Deus. Esta mesma fé, transmitida cedo na vida dos pais para seus filhos, equipa-os para depois escolher identificar-se com o povo de Deus, resistindo às tentações do mundo, à pressão de colegas, dando-lhes coragem e convicção. Quando modelamos nossa identidade em Cristo, ensinamos nossos filhos a viverem pela graça e a avaliarem a vida à luz da eternidade.

III. Eunice: Uma Mãe Que Fez Diferença Equipando Seus Filhos com a Palavra de Deus (2 Tm. 1:5,6; 3.14-17)

Muitos consideram Paulo como o pai espiritual de Timóteo, e por um lado, têm razão. Paulo era como o pai na fé que Timóteo nunca teve (2 Tm 1.3,4; Fp 2.22; 1 Co 4.17). Mas muito antes de Paulo, o jovem ministro tinha uma mãe e uma avó piedosas - Eunice e Lóide – que marcaram sua fé para sempre. Quando Paulo encontrou Timóteo em Atos 16.1-3, ele já tinha sido esculpido à imagem de Deus por elas. Timóteo já era um discípulo, com bom testemunho em toda a região de Listra e Icônio. Cabia a Paulo dar aqueles “retoques finais” para estabelecer Timóteo como ministro do Senhor Jesus.

Tudo indica que o pai de Timóteo era incrédulo, um grego que provavelmente não seguia a fé judaica. Sabemos que Timóteo não era circuncidado (At 16.13), algo que teria acontecido se seu pai fosse um prosélito ao judaísmo. A vontade do pai dele aparentemente prevalecia em questões rituais de religião.

Mas, o exemplo da sua mãe e avó equipou Timóteo com um legado de fé, mesmo em um lar de jugo desigual. Que diferença elas fizeram na vida daquele menino! 2 Timóteo 1:5 fala da fé sem fingimento que foi até Timóteo através dessas duas gerações de mulheres de Deus. Esse fato oferece muita esperança para mulheres que criam seus filhos sozinhas como mães solteiras, separadas, divorciadas, viúvas ou casadas com um incrédulo. O segredo não está no estado civil dos pais, mas em Deus e Sua Palavra! Todos nós temos esse mesmo recurso (veja também 1 Tm 2.15; 1 Co 7.14)!

Como Timóteo foi preparado para servir ao Senhor? Pelo ensino da Palavra de Deus desde a infância. Timóteo foi equipado pelo ensino constante das Sagradas Escrituras, que culminou em sua salvação e santificação (2 Tm 3.14-17). Deuteronômio 6.4-9 exorta aos pais a aproveitarem todos os momentos possíveis para inculcar a Palavra de Deus na vida de seus filhos, de forma espontânea, natural, proposital, informal e formal. A mãe tem um papel fundamental neste processo que dura o dia todo e todo dia.

Um amigo escreveu um livreto chamado “A Videira Frutífera" onde ele diz,

Mães estão procurando sua realização em carreiras, programas da igreja, ou atividades sociais fora do lar. Estão jogando fora a maior maneira de alcançar uma influência [na vida dos filhos] e uma realização que realmente permanecerá quando não focalizam no seu papel como mãe... Seu maior ministério espiritual é para sua família... Ela é o ministro principal na vida dos seus filhos.

1 Timóteo 2.15 ecoa essa ideia quando fala de mulheres piedosas que serão “salvas” ou “preservadas” (de papéis aparentemente menos públicos – 1 Tm 2.11-14) através da sua MISSÃO de mãe, “se elas permanecerem em fé e amor e santificação, com bom senso.” Paulo também exorta as mulheres mais velhas a resgatarem esses valores domésticos, cada vez mais menosprezados pela sociedade, em sua carta para Tito: “Quanto às mulheres idosas... que sejam mestras do bem, a fim de instruírem as jovens recém-casadas a amarem a seus maridos e a seus filhos, a serem... boas donas de casa” (Tito 2.3-5). Uma mulher piedosa pode fazer muitas coisas na vida (assim como a mulher virtuosa em Provérbios 31.10-31) mas algumas coisas só ela pode fazer, inclusive, ser a esposa do seu marido e mãe dos seus filhos.

A mãe que realmente faz diferença:

1) Entrega seus filhos ao Senhor

2) Ensina seus filhos sobre o Senhor

3) Equipa seus filhos com a Palavra do Senhor

Podemos resumir essa história dizendo que A MÃO QUE BALANÇA O BERÇO TRANSFORMA O MUNDO. A mãe prepara uma nova geração de líderes que por sua vez se levantarão para continuar a fé. A mãe que tem um grande Deus deixa uma marca para eternidade na vida de seus filhos.

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