38 Introdução: Uma História de Amor Gênesis 24

Introdução: Uma História de Amor (Gn 24)

A Palavra de Deus diz em Romanos 15.4, Pois tudo quanto outrora foi escrito, para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência, e pela consolação das Escrituras, tenhamos paciência.

Vivemos em dias em que poucas pessoas têm paciência, poucas pessoas realmente esperam no Senhor.  É verdade na área financeira, onde somos estimulados a “pegar agora, pagar depois.” É verdade nas decisões que tomamos, quando somos tentados a correr na frente do Senhor.  Mas também é o caso na área sentimental, no namoro, noivado e casamento.  As pessoas querem o que querem quando querem.  Por isso, temos tantos casos de crianças “ficando”, namoro precoce entre adolescentes, jugos desiguais entre jovens e casamentos infelizes e divórcios entre os casados.

Deus nos deu um manual de instruções, um guia confiável, para as decisões de vida e amor, mas temos que confiar que Ele realmente sabe o que é melhor.  ELE É O NOSSO GUIA FIEL!

Hoje, vamos assitir uma história de amor, que foi escrita para nosso ensino, para aprendermos paciência e confiança no Senhor, para dependermos do Senhor que nos ajuda e nos guia. Será contada por um personagem bíblico que vivenciou todo o drama, e aprendeu seguir o plano e a vontade de Deus.

Convido vocês a assitirem “Uma História de Amor” que encontra-se em nossas Bíblias em Gn 24, mas que

começou antes, em Gn 12.  Seria interessante se vocês acompanhassem a história em suas próprias Bíblias...

Conclusão:

Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos, ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém. (Ef 3.20,21)

Deus é nosso Guia fiel.  Ele nos deu Sua Palavra e Seu Espírito para nos guiar na vontade dEle.  Mas cabe a nós seguirmos as instruções dEle, esperando nEle, o tempo dEle.  Não sei qual a área de decisão na sua vida hoje—talvez na área financeira, talvez uma decisão quanto ao futuro, talvez na área sentimental.  Certamente muitos adolescentes e jovens aqui estão numa fase difícil de suas vidas, com muitas decisões a serem tomadas.  Mas Deus é nosso Guia fiel.  Vamos cantar uma música....

Uma História de Amor (Gn 24)

Pr. Davi Merkh

Shalom! Chairein!  Graça convosco! Fui convidado para contar a história de um homem que o mundo inteiro admira—cristãos, muçulmanos e judeus—mas que EU conheci pessoalmente. De fato, era uma vez em que quase me tornei o filho adotivo dele. Mas estou me adiantando demais. Primeiro, permita que eu me apresente....sou Eliezer, mordomo de Abraão, grande patriarca, o “pai de uma multidão”.

Gostaria de compartilhar um pouco do diário que tenho mantido desde criança, e que comprova o que diz o provérbio, “No temor do Senhor tem o homem forte amparo, e isso é refúgio para os seus filhos” (Pv 14.26). Essa é uma história de amor, Mas, acima disso, é uma história da fidelidade de Deus em guiar-nos, quando seguimos o plano e a vontade dEle.

O ano foi 2100 antes do Messias. Meus pais moravam em Damasco--a cidade com habitação humana contínua mais antiga no mundo. Um dia, uma caravana de semitas descendo de Harã no norte passou por Damasco. Estavam precisando de guias e mão de obra para sua viagem rumo ao sul. Meus pais, recém-casados e prontos para aventuras, toparam.  Foram contratados, e os peregrinos prosseguiram viagem.

No início, não foi fácil para meus pais deixar tudo que conheciam e amavam, suas famílias, seus amigos, seus deuses, sua cidade natal. Mas seus patrões, com 75 e 65 anos, se mostraram bondosos, simpáticos e muito piedosos. Meus pais acostumaram-se a sua nova vida, e no fim, adotaram os costumes e até mesmo o Deus de Abrão e Sarai. Não muito tempo depois eu nasci. Me deram o nome “Eliezer”, ou seja, “Deus é minha ajuda”. Meu nome tem tudo a ver com a história que vou lhes contar hoje.

Os anos se passaram. A família ficou um tempo no Egito, onde Abraão enriqueceu, adquirindo gado e empregados. Depois, voltaram à terra de Canaã, justamente na época de uma grande guerra entre 9 reis. Lembro-me bem da noite quando papai, junto a mais de 300 homens da casa de Abrão, saíram no meio da noite para perseguir o exército enorme que invandira a planice e levara cativo Ló, sobrinho do Sr. Abraão. Mamãe chorou muito naquela noite, achando que nunca mais veria meu pai, mas Yahweh estava com nosso senhor, e voltaram vitoriosos. Deus os ajudou!

Mas não era mil maravilhas nas tendas de Abrão. As riquezas aumentavam, sim, mas não havia herdeiro para quem deixar tudo. Lembro-me de ver o patrão piedoso, já idoso, saindo da sua tenda de madrugada para orar debaixo dos carvalhos, chorando e clamando a Deus que lhe desse um filho. (Só anos depois aprendi que, se ele tivesse morrido sem filho, eu mesmo, Eliezer, servo nascido na casa dele, teria sido o herdeiro legítimo de tudo que Abrão possuía.)

Mas não demorou muito, e nasceu um filho para Abrão. Porém era filho dele com Hagar, a egípcia que Sarai adquiriu no Egito. Desde o início foi um mal negócio. Quando Ismael tinha 13 anos, aconteceu algo que marcou todos nós na casa de Abrão—literalmente! Deus lhe apareceu e prometeu um filho com SARAI, cujo nome agora seria “Sara”, “princesa”. E o nome de Abrão, “pai exaltado” foi mudado para “Abraão”, pai de uma multidão. Confesso que alguns de nós achávamos graça nisso—afinal de contas, o homem só tinha um filho adolescente, e 99 anos de idade—como seria “pai de uma multidão”?

Até então, nós funcionários éramos como espectadores admirados do drama divino vivido pelo patriarca. Mas naquele dia da promessa todos nós entramos na jogada. Deus exigiu que Abraão circuncidasse “todos os  nascidos em sua casa (o que me incluía!), e a todos comprados por seu dinheiro, todo e qualquer macho de sua casa”; “e lhes circuncidou ...naquele mesmo dia, como Deus lhe ordenara” (17.23).

Não muito tempo depois, 3 visitas estranhas chegaram para nós no calor do dia. Obviamente não eram daqui. Havia algo diferente sobre eles, algo que comandava todo respeito. O Sr. Abraão correu até mim no meio da minha soneca da tarde e mandou que eu preparasse um churassco, uma picanha, e já. E o churrasco saiu uma delícia--talvez não tão bom quanto o dos seus “gaúchos” brasileiros; mesmo assim, os homens ficaram bem satisfeitos.

Logo depois daquela visita, desencadearam-se eventos estranhos—no dia seguinte choveu fogo e enxofre sobre as cidades da planície, Sodomo e Gomorra. E logo depois, notamos que a Sara estava engordando.  Mesmo com seus 90 anos de idade, estava esperando um neném. Todos ficaram maravilhados e alegres (menos, talvez, Hagar e Ismael). Deram o nome de “Isaque” (“riso”), ao menino, que por sinal era lindo, a cara do papai.  

Foi quando Hagar e Ismael tinham que ir embora. Não dava mais para as duas famílias ficarem juntas. Pensamos que a partir daquele momento seria só paz e sossego em casa. Mas foi então que Abraão ouviu A Voz. Sempre que ele ouvia A Voz, significava uma nova aventura. Todos nós lembramos da circuncisão. Mas nada se compararia a essa prova.

O Sr. Abraão me chamou, de madrugada, junto com outro servo, para acompanhá-lo numa viagem para a montanha de Deus, Moriá. Estávamos em quatro—Abraão, Isaque, com 15 anos de idade, e nós dois. Colocamos lenha e provisões no jumento e assim partimos. Mas no terceiro dia, Abraão falou para nós ficarmos no acampamento enquanto ele e o menino subiriam até o lugar designado para o sacrifício. Nunca vi o patriarca tão triste, mas tão resoluto. Algo estranho estava para acontecer. Entretanto, nunca vou esquecer de suas últimas palavras “Eu e o rapaz voltaremos para junto de vocês.” E voltaram, depois de terem passado pela maior prova de suas vidas. Dizem que meu patrão ofereceu sobre o altar a vida do seu único filho, a quem amava. Nada entrava entre ele e seu Deus! Mas Deus proveu um substituto, um sacrifício no lugar do filho amado.

Passaram-se mais alguns anos. Meus pais faleceram. Eu me tornei o assistente particular de Abraão, seu servo mais confiado, administrador de todos os seus negócios. Isaque foi crescendo até ser homem forte e capaz. Mas quando ele tinha 37 anos, ainda solteiro, Sara sua mãe adoeceu-se, e logo em seguida, veio a falecer. Ninguém acreditava. Ninguém entendia. Tantas promessas de Deus ainda não cumpridas! Abraão chorava e pranteava por sua companheira de mais de 100 anos, sua irmã, sua esposa, sua melhor amiga. Isaque era inconsolável. Sara foi enterrada numa caverna que o patrão negociou com os moradores locais, que aliás enfiaram a faca nele, por ser estrangeiro. Durante 2 anos uma tristeza, um vazio, pairava como uma nuvem sobre todos nós. Abraão envelheceu mais naqueles 2 anos do que em todos os anteriores.

Foi quando ele me chamou, e me encarregou com a maior tarefa dos meus 60 e poucos anos até então.

-“Eliezer, tenho uma tarefa para você.”

-“Sim, senhor. Eis-me aqui.” 

-“Eliezer, põe a tua mão por baixo da minha coxa.”  (Agora eu sabia que a coisa era séria, mesmo...quando se coloca a mão debaixo da coxa na nossa cultura, significa que você está jurando fidelidade até a morte.)

-“Agora, Eliezer, jure pelo Senhor, Deus do céu e da terra, que não tomarás esposa para meu filho das filhas desse povo perverso e corrupto, dos cananeus, entre os quais habito.”  (Agora entendi...Abraão estava prevendo a transição da promessa de Deus para a próxima geração, e não queria que o legado da fé fosse contaminado por um casamento misto.

-“Eliezer, quero que vá de volta a Harã, para a família do meu irmão Naor, para achar uma esposa para meu filho Isaque.”

(UFA! Não seria nada fácil. Meu mestre estava pedindo que eu jurasse achar uma moça que nenhum de nós sabia se existia; arrancá-la de sua família, transportá-la 800 km acima de um camelo fedido, numa viagem suja e perigosa, na companhia de um bando de homens desconhecidos, para morar no meio do deserto, casar-se com um homem que era filho único, com 40 anos de idade, que ainda estava de luto quase 3 anos após a morte de sua mamãe. Deus me ajude!)

Então respondi, “Mas, e se a mulher não quiser seguir-me para esta terra? Nesse caso, levarei teu filho à terra donde saíste?” Foi como se eu tivesse cuspido em seu rosto. Abraão levantou-se e quase gritou, “De jeito nenhum! Não faças voltar para lá meu filho. Deus nos deu ESSA terra, e nunca mais voltaremos para trás!”

Ele continuou, um pouco mais calmo, “Yahweh, Deus do céu, que me tirou da casa de meu pai e de minha terra natal, e que me falou e jurou dizendo: ‘À tua descendência darei ESTA terra; ele enviará o seu mensageiro, o Anjo do Senhor, que te há de preceder, e tomarás de lá esposa para meu filho.’” Falou com tanta convicção, tanta firmeza, tanta fé na provisão divina, que não ousei duvidar.

Mesmo assim, ele percebeu meu dilema, e fez uma concessão, “Eliezer, caso a mulher não queira seguir-te, ficarás desobrigado do juramento; entretanto, não levarás para lá meu filho; por favor, não o leve para lá.”

Então enfiei minha mão debaixo da coxa do patrão—não posso dizer que foi uma das experiências mais agradáveis na minha vida--e com solenidade jurei que faria conforme me pediu. Quando terminei, haviam lágrimas escorrendo pela sua face. “Obrigado, Eliezer, obrigado. Deus cuidará de ti. E Eliezer, nunca esqueça do significado do teu nome: “Deus será tua ajuda.”

Não perdi tempo. Havia urgência no negócio. Ninguém sabia quanto mais tempo Abraão tinha nesta terra, e por isso partimos logo na manhã seguinte, com 10 camelos carregados de mantimento e presentes—uma espécie de enxoval ambulante.

Foi  uma viagem longa, cansativa, cheia de perigos entre bandidos e salteadores. Mas a bondade e a graça de Yahweh pairavam sobre nós. Fizemos a viagem em tempo recorde—40 dias—mas chegamos exaustos na periferia de Harã, perto da cidade do Naor, o irmão do patrão. Mas, e agora? O que fazer agora? Durante semanas eu havia refletido sobre como achar a família, o que dizer, como convencê-los de que eu era de confiança, que tudo era verdade. Eu precisava de um milagre. Por isso, orei. Fiz os camelos ajoelharem-se,  e eu também me ajoelhei, e clamei ao Senhor que me guiara até ali:

“ÓYahweh, Deus de meu senhor Abraão, rogo-te que me mostres favor hoje, e que derrames tua graça e amor fiel sobre mim e sobre meu patrão Abraão. Estou diante dessa fonte de água, e as filhas dos homens desta cidade saem para tirar água, depois do calor do dia. Dá-me, pois, que a moça a quem eu disser, “Inclina o cântaro para que eu beba; e ela me responder: Bebe, e darei ainda de beber aos teus camelos, seja a que designaste para o teu servo Isaque; e nisso verei que usaste de bondade (graça) para com meu patrão.”

Confesso que nunca tinha feito um “negócio” com Deus assim. Vocês precisam lembrar que aqueles dias não eram como os dias de hoje, em que vocês já têm instruções claras da parte de Deus para uma vida de piedade, pela suficiência das Sagradas Escrituras. Nós não tínhamos sequer um versículo da Palavra de Deus.

Ao mesmo tempo, havia lógica no meu pedido. Iria revelar o coração de uma donzela bondosa, persistente e diligente—exatamente as qualidades de uma mulher virtuosa que todos nós precisávamos para ocupar o lugar da nossa amada Sra. Sara.

E eu não precisei esperar! Como Deus foi gracioso para comigo e meu mestre! A primeira pessoa que eu encontrei, enquanto ainda orava, foi uma das moças mais formosas que já vi na minha vida, uma solteira virgem. E não perdi tempo. (No meu tempo, eu era conhecido como gatão pelas mocinhas!) Depois que ela encheu a sua jarra, fui direto até ela e pedi “Dá-me de beber um pouco da água da tua jarra.”

Eu temia que ela virasse o rosto de vergonha, ou, se fosse metida, que me tratasse com desdém, ou que ficasse com medo e voltasse correndo para a família dela. (Afinal de contas, essa mulher certamente recebera muita atenção de estranhos na praça). Mas ela sorriu e disse, “Bebe, meu senhor.” E prontamente, baixando o cântaro, me deu de beber. Meu coração disparava, mas quase parou quando essa bela moça me disse, “Percebo que o senhor está vindo de uma longa viagem. Tirarei água também para os teus camelos, até que todos tenham bebido.”

Agora, meu amigo, você precisa entender o quanto 10 camelos sedentos podem beber. Não era como abastecer seu carro no posto. Um camelo com motor 2.0, depois de uma longa viagem, é capaz de beber 90 litros de água. Imagine 10! Mas aquela moça era fiel a sua palavra. Fez quase 80 viagens carregando seu cântaro pesado, do poço para os camelos, dos camelos para o poço--algo inexplicável, que ia muito além da hospitalidade normal da época. Era algo sobrenatural! Enquanto eu observava, pensei comigo mesmo, “Deus está carregando aquela jarra!--Louvado seja Deus pela Sua bondade para comigo! Deus me guiou até aqui!”

Quando finalmente parou de encher os tanques da frota de camelos (eu não tive coragem para pedir que ela verificasse o óleo), fui até meu camelo, tirei um pendente de ouro e duas pulseiras de ouro puro e pus tudo na moça, cujo nome era Rebeca. E perguntei, “De quem és filha? Peço-te que me digas. Haverá em casa de teu pai lugar em que possamos ficar, e comida para os animais?”

Ela respondeu, “Sou filha de Betuel, filho de Milca, o qual ela deu à luz a Naor.”  E continuou “Temos palha e muito pasto, e lugar para passar a noite.”

Louvado seja Yahweh!” (Ela era neta de Naor, irmão do meu patrão! A primeira moça que encontrei é uma sobrinha do meu senhor! Seria como ir até Espanha à procura de um parente, e a primeira pessoa que você encontra, é primo da sua mãe!) E ela era tudo—e muito mais—que esperava!  Bendito seja o Deus de meu senhor Abraão, que mostrou graça, amor-fiel e verdade ao meu senhor! Eu, quanto a mim, estando eu no caminho, o Senhor me ajudou, guinado-me diretamente à casa dos parentes de meu senhor!”

Quando Rebeca ouviu meu louvor, deixou a jarra no chão  e correu de volta para casa. Como eu gostaria de ter ouvido aquela conversa! Mas não demorou muito para que o irmão mais velho da moça, Labão, saísse correndo ao meu encontro. (Evidentemente, esse rapaz gostou das jóias de ouro que eu havia dado à irmã dele, que valiam o equivalente de um ano de serviço de um trabalhador comum.) Labão não perdeu sua oportunidade. Disse-me, “Entra, bendito de Yahweh, por que estás aqui fora! Já preparei a casa, e lugar para os camelos. Venham todos!”

Depois que eu e meus companheiros descarregamos os camelos, tomamos banho e nos inclinamos à mesa para um grande banquete que nos prepararam. Mas antes de comer uma migalha, eu precisava expor a razão da nossa longa viagem. Então expliquei:

Sou servo de Abraão. O Senhor tem abençoado muito ao meu senhor, e ele se tornou grande; deu-lhe ovelhas e bois, e prata e ouro, e servos e servas, e camelos e jumentos.” (Notei que os olhos de Labão se arregalavam mais e mais).

Sara, a mulher do meu senhor, que já tinha 65 anos quando saiu daqui, e era estéril, como vocês bem sabem, deu à luz, o “menino-milagre”, Isaque quando tinha 90 anos!; a este deu Abraão tudo quanto tem. E meu senhor me fez jurar dizendo: Não tomarás esposa para meu filho das mulheres dos cananeus, em cuja terra habito; porém irás à casa de meu pai, e à minha família, e tomarás esposa para meu filho.” Então relatei os detalhes da conversa, do juramento, da viagem, do milagre do encontro com Rebeca, da providência do Senhor me levando diretamente até eles depois de 800 km de estrada. “Agora, pois, se vão usar de graça e amor-fiel e verdade para comigo e meu senhor, diga agora; se não, também diga, para que eu vá, ou para a direita, ou para a esquerda.”

Terminado meu discurso, segurei o fôlego, orei e esperei. Então responderam pai e filho, Betuel e Labão, em coro, “Isto vem de Yahweh, como podemos dizer qualquer coisa contra? Rebeca está diante de ti. Toma-a, e vai-te; seja ela a mulher do filho do teu senhor, segundo a palavra do Senhor.” Rebeca ficou vermelha, mas eu caí com rosto em terra, e mais uma vez adorei ao Senhor de toda a terra, que me ajudou, pelo Seu amor-fiel, pela Sua graça. Como o escritor Salomão diria muitos anos mais tarde, “A casa e os bens vêm como herança dos pais; mas do Senhor a esposa prudente” (Pv 19.14).

Tirei jóias de ouro e prata, e vestidos ornamentais, e os dei a Rebeca; também dei presentes caros a seu irmão e a sua mãe, que ficaram muito contentes com o negócio.

Naquela noite, festejamos, todos nós, diante do Senhor. Mas logo de manhã, falei com meus anfitriões, “Permita que eu volte ao meu senhor.” Só que, para eles, era um namoro, noivado e casamento rápido demais! Não tinham feito nenhum aconselhamento pré-nupcial, nenhem encontro com Edson Espósito e Norma ou Pr. Mendes e Cida. Quase voltaram para trás no negócio. Pleitearam pelo menos 10 dias para festas e ritos de despedida, no entanto eu sentia urgência. Temia o pior se eu não chegasse logo com a nora de meu patrão. Insisti muito, até que falaram, “Chamemos a moça; deixe que ela decida.”

Por mais incrível que pareça, quando indagada se iria embora conosco, ela respondeu prontamente, “Irei, sim!” “Louvado seja Deus, que mais uma vez preparou nosso caminho, e que cuidou de cada detalhe! Deus está neste negócio!”

Haviam muitas lágrimas na despedida. Tudo acontecera tão rapidamente. Mas fiquei impressionado com a bênção que a família pronunciou sobre Rebeca—como se tivessem ouvido as palavras que Yahweh prometera a meu patrão “Sê tu a mãe de milhares de milhares, e que a tua descendência possua a porta dos seus inimigos.”

Logo depois, estávamos a caminho, homens, camelos, Rebeca e suas moças atendentes. Me ocorreu o fato de que Deus estava fazendo Rebeca passar pela mesma experiência que Abraão e Sara—sainda da sua casa, da sua parentela, para ir a um lugar distante e desconhecido. Ela realmente era digna dessa família! Mais uma vez Deus nos deu graça, e chegamos ao sul da terra de Canaã, ao Negebe, pouco mais de 3 meses depois que partimos. E quem foi a primeira pessoa que avistamos? Ele mesmo, Isaque! Mais uma “coincidência” divina! Estava caminhando no campo em meditação particular no final da tarde, quando nos viu. Rebeca também levantou os olhos, e vendo Isaque de longe, logo me perguntou, com voz trémula, “Quem é aquele homem?” Eu lhe disse que era o filho do meu patrão, e ela logo cobriu seu rosto, conforme o costume, sinalizando que ela era a noiva dele. Mas vi o sorriso no seu rosto, e pensei comigo, “É amor à primeira vista!” Deus realmente faz a coisa certa!

Finalmente, encontramos Isaque, contei-lhe tudo e poucos dias depois tivemos uma cerimônia simples mas linda, e Isaque conduziu sua noiva até à tenda de Sara, mãe dele. Assim ela virou a nova matriarca, e ficou evidente que a liderança do clã estava passando de Abraão para Isaque. Isaque tomou a Rebeca como esposa e se tornaram um. Isaque amou a Rebeca. Rebeca amou o Isaque. E finalmente Isaque, com 40 anos de idade, foi consolado depois da morte de sua mãe.

Amigos, aprendi muitas lições assistindo e participando dessa história. Louvado seja Deus pela Sua infinita graça e bondade!  Deus tem um plano para nossas vidas! Quando seguimos o Mapa que Deus nos deu, a Palavra dEle, Ele nos guia até tesouros de valor inestimável. Quando buscamos a Deus em oração, e o Reino dEle em primeiro lugar, Ele nos dá o desejo do nosso coração, porque é o desejo do coração dEle (Sl 27.3).

Deus tem um futuro especial reservado para aqueles que esperam nEle, que esperam o tempo dEle.  Quando deixamos a escolha com Ele, Ele nos guia! Louvado seja Deus que abençoa aqueles que confiam nEle para direcionar seus caminhos, em obediência a Ele, e debaixo das autoridades que Ele colocou em suas vidas. Louvado seja Deus, que preserva o legado fiel da família que anda em Seus caminhos, passando o bastão da graça divina de geração à geração. Louvado seja Deus pela Sua imensa e infinita graça, demonstrado no Mt. Calvário, quando sacrificou Seu único filho para nos salvar.  Louvado seja Deus, que nos dá o Espírito Santo e a Palavra para nos guiar em todos os passos, e no amor que dura para toda a vida, até que a morte nos separe.