36 Deus, Abraão e o Exame Final Gênesis 22.1-19

                                                             Deus, Abraão e o Exame Final

                                                                          (Gn 22.1-19)

Introdução:  Não sei quantos sabem, mas hoje é o Dia do Professor...fica meio sem graça cair num domingo, mas creio que podemos reconhecer todos aqueles que são professores—ou em escolas, aqui na igreja, dando aulas de religião nas escolas públicas, no Seminário, etc.—ficar em pé.

Hoje vamos acompanhar um aluno na escola da fé.  O nome do aluno é Abraão.  O nome do professor é Deus.  O texto é Gênesis 22.  É a história do dia do exame final na escola de fé.  Abraão matriculou-se nesta escola particular muitos e muitos anos.  De fato, está cursando a escola mais de 35 anos. 

Já acompanhamospor alguns meses a vida de Abraão na escola da fé.  Como um aluno normal, já teves seus altos e baixos, tirando notas de “0” a “10” em provas divinas.  

-Na prova do chamado, ele deixou tudo para seguir uma voz que ouviu (Gn 12.1-3) e tirou nota “10”, mas logo em seguida, na prova de ética, mentiu sobre Sarai para proteger sua vida (Gn 12.10-20) e tirou “0”.

-Na prova de auto-abnegação, abriu mão de toda a terra prometida e deu primeira escolha para seu

sobrinho Ló (13), e levou 318 homens para conquistar 4 reis poderosos invasores (14) (nota “10”); mas no exame de fidelidade conjugal, pecou com Hagar, tentando “dar um jeito” para ajudar a Deus cumprir a promessa (Gn 16)

-Na aula de obediência obedeceu a Deus instanteamente na circuncisão (17), mas quando fez 2a época na

matéria de Ética, mentiu novamente sobre Sara no palácio do Rei Abimeleque (Gn 20).

Mesmo assim, Abraão foi progredindo de série em série na escola da fé.  Sua compreensão da natureza de Deus foi aumentando, assim como os nomes pelas quais Deus se deixou ser conhecido pelo patriarca, e que revelaram aspectos do caráter de Deus.  Na sua jornada escolar, já conheceu Deus pelos nomes de “El-Elyon” ou “Deus Altíssimo”(14.18);  “El Roi”—o Deus que vê (16.13); “El Shaddai” (17.1—Deus Todo Poderoso); 21.33, “El Olam” Deus eterno.  Hoje na escola vai conhecer Deus como “Jeová Jiré”—o Deus que provê.

Mas hoje é um dia muito especial na vida de Abraão.  Hoje é o dia do exame final de todo seu curso-- o mais difícil de toda a vida dele.  Gênesis 22 é uma história de sacrifício, fé e amor.  É o ponto alto da história de Abraão e sua jornada de fé.  É uma das histórias mais bonitas em toda a Palavra de Deus.  Essa história tem sido um foco de artistas durante séculos.  Seu drama inspira retratos que tentam captar a emoção do momento.  Mas para realmente entendermos a história, precisamos ler o texto bíblico.  Ler Gn 22.1,2, orar.

A nossa tendência num texto como esse é focar o homem, Abraão—sua maravilhosa fé, seu compromisso total com Deus, sua obediência.  E esses elementos estão no texto.  Mas creio que seria uma mensagem centrada no homem, e não em Deus.  Seria “Dia do Aluno” e não “O Dia do Professor.”  De fato, Gn 22 é mais sobre o Dia do Professor do que o Dia do Aluno, mais sobre Deus do que sobre Abraão.

Gostaria que nós fossemos encorajados nesta noite, não olhando para nossa falta de compromisso, nossa relutância em colocar “tudo” no altar”.  Gostaria que percebéssemos que nosso compromisso com Deus existe em proporção exata com nosso conhecimento de Deus, nossa fé em Deus, de fato, na grandeza de Deus!

Poderíamos fazer exortações do tipo, “Seja mais como Abraão...” ou “Porque você não entregou tudo sobre o altar?”  Mas o perigo seria exaltar a fé do homem e não a grandeza e graça de Deus!  Mas é justamente aqui que descobrimos o segredo da fé de Abraão.  Não é um grande Abraão, mas um grande Deus!  Não é um patriarca incrível, mas um Deus incrível.  Não é um super-homem, mas um super-Deus.

Trans.  O texto revela 3 partes do Exame Final do Povo de Deus, que permitem que nós, que conhecemos nosso Deus, vivamos uma vida digna dEle, passando com nota 10 a prova dEle.

I.  Deus Dá Provas Para Seu Povo (21.1-2)

O texto começa “depois dessas coisas”.  Refere-se aos eventos de Gn 21, em que Isaque, o filho da promessa, nasceu, foi desmamado, e cresceu. Ismael, o outro filho, foi mandado embora, junto com sua mãe Hagar.  Foi uma experiência dolorosa para todos, mas feito para proteger o herdeiro legítimo, Isaque.  Depois de anos de estudo na escola de fé, anos de paz (21.34), em que o patriarca talvez pensava que não havia mais prova, de repente foi avisado que haveria um exame final, recapitulando tudo que ele havia aprendido nos últimos 35 anos com Deus. Veio uma voz do céu, impossível de confundir: Toma teu filho, teu único filho, Isaque (riso), a quem amas; oferece-o em holocausto sobre um dos montes que eu te mostrarei (2).  Cada palavra entrava como punhal: teu filho, teu ÚNICO filho, Isaque, a quem amas.  Um holocausto significava uma oferta, um sacrifício, em que TUDO foi oferecido e TUDO foi queimado. Nada sobrava para o ofertante.  Não havia como entender mal.

Será que está pronto?  Será que Abraão realmente aprendeu a amar a Deus?  Será que está disposto a obedecê-lo, custe o que custar?  O leitor tem uma vantagem que Abraão não tinha.  Nós sabemos que foi um teste, uma prova: “Pôs Deus Abraão à prova”.  Nós sabemos, desde o início, que tudo vai dar certo.  Mas Abraão, não.  Certamente ele não entende absolutamente nada.  Parece absurdo, um contra-senso, inexplicável, inadmissível, inacreditável.  Sacrificar o filho da promessa?  Abrir mão daquele com que ele havia sonhado por tantos anos, o filho nascido por milagre?  Abraão agora tem mais de 110 anos, Sara acima dos 100.  Mesmo se fosse possível ter mais um bebê, mais um milagre, era tarde demais para esperar que teriam tempo de curtir sua vida.  (De fato, Sara logo morrerá, como veremos no cp. 23).  Acima de tudo isso, eles amavam demais Isaque—e ele foi o filho da promessa, conforme 21.12.  Nada fazia sentido!  Mas sabemos que a prova de Deus tem propósito.

A.    Deus Prova Seu Povo para Demonstrar Crescimento na Graça

Provas são oportunidades de demonstrar crescimento. Muitos vezes os alunos não gostam disso.  Mas devem ser motivo de alegria.  Tiago 1.2,3 diz, “meus irmãos, tende por motivo de toda a alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança...”  As provas que passamos fortalecem nossa fé, e revelam nosso progresso!  Por isso, são ocasiões de alegria!  Estamos crescendo!  Estamos progredindo, pela graça de Deus!

Ilust.Recentemente dei um exame bimestral para meus alunos de grego no Seminário, e comentei para eles como era gostoso para mim como professor ver a aprendizagem deles em somente 8 semanas...

Deus também dá provas para encorajar nosso crescimento na graça. Para Abraão, foi o dia do exame final. Ele, que já tinha virado as costas para seu passado quando deixou Ur dos Caldeus, agora terá que abrir mão do seu futuro—uma prova da sua confiança absoluta no caráter, nas promessas de Deus. 

Aplic.: A vida cristã é uma série de provas que desenvolvem nossa fé e nos tornam cada vez mais dependentes da graça de Deus, mais semelhantes à imagem de Jesus!  Promovem humildade, quebrantamento, dependência.  E normalmente, em cada vida parece haver UMA PROVA maior que todas as outras.

Talvez a prova maior seja, até que ponto nós estamos dispostos a obedecer a Deus?  Quando é conveniente?  Quando vai ao econtro do que já pensamos?  E quando é diferente?

Deus nos dá essas oportunidades, as provas, para demonstrar para nós mesmos que estamos crescendo em nossa fé.  Se você olhar para trás na sua vida cristã, provavelmente vai descobrir uma série de provas que você tem enfrentado, algumas mais difíceis que outras. Olhando para trás, talvez você reconheça que as provas que enfrenta hoje, nunca teria condições de enfrentar 10 anos atrás.  Você está crescendo na graça!  (Creio que Abraão teria tirado “0” na prova com Isaque 35 anos antes.  Mas agora, ele está pronto para a formatura.

Não sei a situação difícil, a prova, que talvez você esteja passando neste momento.  Mas sei que Deus é fiel, que não permite que sejamos testados além dos nossos limites: Não vos sobreveio tentação (provação) que não fosse humana; mas Deus é fiel, e não permitirá que sejais tentados (provados) além das vossas forças’pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento de sorte que a possais suportar. (1 Co 10.13).

Mas acima dessa lição, existe outra.  É a razão pela qual Abraão pode passar o exame.  Ele realmente conhece seu Deus, grande e majestoso.

B. Deus Prova Seu Povo para Provar que Ele é Digno

A prova do povo de Deus é, de fato, uma prova da grandeza de Deus.

Ilust.: Como professor, gosto de dar provas.  Infelizmente, meus alunos não gostam de fazer as minhas provas tanto quanto eu gosto de dar as provas.  Mas falo para eles, que as provas que dou são mais provas de mim do que deles.  (É como o pai que fala aos filhos que a disciplina dói ao pai mais do que ao filho.  Normalmente o filho não acredita!)  Mas a prova mostra se eu como professor consegui ensinar o aluno!  Acho incrível como alguns professores têm orgulho de reprovar alunos, como se esse fato fosse mostrar o professor mais inteligente, mais sábio.  Provam o contrário!  Se meus alunos passarem bem nas minhas provas, é um reflexo sobre mim como professor!  E eu quero tirar nota “10” como professor!

Quando Deus dá uma prova, é para que tiremos nota “10”!  Essa é mais uma diferença entre Deus e Satanás—Satanás nos tenta para nos desqualificar, para nos derrubar, para nos acusar, para nos reprovar.  Mas Deus nos dá provas para demonstrar Sua graça, para que tiremo “10”.

Ilust.: Lembro-me bem de quando treinava piano.  Tinha toda certeza de que, sempre que algum visitante chegasse na nossa casa, meus pais iriam pedir que eu tocasse alguma coisa.  Eu odiava aquelas provas, mas entendia o coração dos meus pais.  Eles queriam que eu errasse?  Que eu me atrapalhasse nas notas?  Pelo contrário!  Tinha orgulho do meu sucesso, que também foi um reflexo sobre eles.

Quando Deus prova Seu povo, é uma audição feita diante de todo o universo, do caráter dEle nosso Pai!  Será que Ele é digno?  Será que Ele é bom?  Nossas provas são provas do caráter de Deus!  Quando passamos, mostramos para o mundo que Deus é digno de louvor, de obediência, de confiança.  Mas quando falhamos, quando reclamamos, resmungamos, desobedecemos, somos ingratos, dizemos em clara e alta voz, “Deus não é confiável!  Deus não me ensinou bem! Deus não é um bom professor!”

Ilust.: Jó.  Foi exatamente o que aconteceu com Jó, outro grande patriarca.  Quem foi realmente provado no livro de Jó era Deus!  Satanás acusou Deus de ser um “Deus da prosperidade”, Alguém que comprava o louvor, a fidelidade, a obediência do Seu povo.  Satanás blasfemou a Deus, afirmando que Ele não era louvado pelo que Ele era, mas pelo que fazia, comprando seguidores. Então Jó foi posto no centro do palco do universo, para ser a figura central numa prova dramática se Deus era digno ou não! (Jó 1.9-11).  Veja a resposta de Jó, depois de perder tudo: Então Jó se levantou, rasgou o seu manto, rapou a cabeça, e lançou-se em terra E ADOROU, e disse, ‘Nu saí do ventre de minha mãe, e nu voltarei; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou; BENDITO SEJA O NOME DO SENHOR!

Aplic.: É incrível imaginar que eu e você podemos ser atores, no bom sentido, no palco do universo.  As provas que passamamos são oportunidades para nós declararmos as virtudes dAquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (1 Pe 2.9)!  Podemos glorificar, dignificar, exaltar o nosso Deus, ou podemos manchar o nome, o caráter, a dignidade dEle. Que oportunidade!  Que privilégio!  Não desista!  Não se desanime!  Use essa oportunidade, de prova na escola da fé, para engradecer seu Pai, seu Professor.

II.  Deus Dá Provas que Mostram que Ele é Digno (22.3-10)

Mas, em que sentido Deus é digno?  Como manifestamos a dignidade dEle?  No caso de Abraão, a dignidade em meio a prova foi manifestada de 3 maneiras: pela obediência imediata, pela fé no Deus do impossível, pelo amor totalmente despreendido.

A.    Deus é Digno de Obediência Total (22.3,4)

Já no vs. 1 percebemos a obediência de Abraão.  Deus chama “Abraão” e ele responde imediatamente, “Eis-me aqui.” Essa frase “eis-me aqui”, uma palavra só no hebraíco, é usada repetidas vezes no VT para exemplificar prontidão para obediência total (Is 6.8).  Para nós, seria um soldado respondendo ao seu superior, “Pronto”, ou um servo ao mestre, “Às ordens”, ou um subordinado ao seu chefe, “Sim senhor”.  O texto temina da mesma forma (vs. 18) “porquanto obedeceste à minha voz”.

Mas note a manifestação prática dessa obediência total no vs. 3.  Depois de receber a ordem horrorosa de sacrificar o único filho (fato repetido 13x no texto—2,3,6,7,8,9,10, 12,13,16; note que é o “único” filho porque Ismael já foi embora, e não fora contado como filho da promessa), Abraão levantou-se DE MADRUGADA!  Parece que ele está com pressa para sacrificar o filho! Mas está com pressa para obedecer seu Deus. Nesta altura de sua vida, a maior alegria na vida de Abraão, é sua alegria em obedecer a seu Deus.  (Veja 17.23 na circunscisão de TODOS da sua casa; 21.14, quando “ofereceu” seu filho Ismael conforme a vontade de Deus.)

Confesso que acho incrível esse tipo de obediência.  Diante deste pedido tão extraordinário, tão difícil, eu teria enrolado, protelado, demorado, adiado--qualquer coisa para evitar a indescritível dor do sacrifício.  “Quem sabe eu não entendi bem...talvez Deus vai mudar de idéia...como vou explicar para Sara...?”

Note, também, que a obediência de Abraão era PERSEVERANTE (vss. 3,4).  Primeiro, preparou-se para obedecer a Deus (3).  Deus poderia ter mandado-o para alguma montanha por perto.  Mas ele prosseguiu viagem para a região de Moriá, uma viagem de talvez 80 km para o que seria conhecida mais tarde como Jerusalém. Durante 3 dias caminhavam, pai, filho e dois servos.  Imagino como cada passo naquela viagem era sofrido!  Poderia ter voltado para trás a qualquer momento.  Cada momento com seu filho, como se fosse o último.

Aplic.: Como que ele conseguiu? Mais uma vez, a tentação seria exaltar o homem Abraão.  Mas o que temos é uma demonstração da dignidade do nosso Deus! Abraão conhece seu Deus!  Sabe que não é alguém com quem brincar! Não é alguém para ser “enrolado”. Sabe que Deus deve ser obedecido, imediatamente, inteiramente e internamente.  Agora.  Já.  Há somente duas palavras que nosso grande Deus quer ouvir depois de nos dar uma ordem: “Sim, Senhor”.  (Deus nos encontra no caminho da obediência!)

Fico pensando se eu conheço um Deus tão grande assim.  Ou será que eu penso que posso “dar um jeito”, obedecê-lo do meu jeito, no meu tempo, quando for conveniente?

            -Dízimos e ofertas (honra ao Senhor com as primícias....Pv 3.9,10)

-Envolvimento missionário (Ide, portanto, fazei discípulos...Mt 28.18-20)

-Ensino dos filhos (Essas palavras que hoje te ordeno....inculcarás a teus filhos...Dt 6.4-9)

-Comunicação direta (Mt 18.15)

-Espírito grato (1 Ts 5.17)

            B.  Deus é Digno de Confiança (Fé) (22.5-8)

Quando nada que Deus estava fazendo fazia sentido, Abraão agarrou-se no que ele sabia com certeza: o caráter de Seu Deus!  Nada fazia sentido; pareceia que Deus havia voltado para trás; ficou confuso.  Mas na hora da dúvida, ele descansou no amor, na soberania, na onipotência, na majestade de Seu Deus.  Ele temia a Deus!

Os dois caminhavam durante 3 dias.  Quando avistaram de longe o monte Moriá, Abraão fez uma declaração de fé sem precedente na Bíblia.  Ele fala para os 2 servos esperarem, enquanto ele e o filho continuássem sua viagem: Iremos até lá e, havendo adorado, VOLTAREMOS para junto de vós.

É impossível passar por cima  do verbo: VOLTAREMOS.  Tudo indica que Abraão sabe que vai ter que matar e queimar seu filho.  Mas ao mesmo tempo, ele afirma que ele e o menino iriam VOLTAR juntos.

Seria uma crença incrível em qualquer época. Mas temos que lembrar, que Abraão vive numa época em que nunca havia sequer UMA ressurreição! Mas Ele tem um Deus tão grande, o “Deus do impossível” (veja 18.14), que pode crer em algo que nunca acontera antes. Ressurreição foi a única maneira que Abraão tinha para reconciliar duas verdades aparentemente opostas em sua mente:

1)    O fato de que Deus havia prometido que Isaque seria o herdeiro da promessa (21.12) e

2)    A necessidade de sacrificá-lo conforme a ordem divina.  Isaque tinha que morrer, mas Isaque seria a Semente.

O NT ecoa essa mesma idéia: Pela fé Abraão, quando posto à prova, ofereceu Isaque; estava mesmo para sacrificar o seu unigênito aquele que acolheu alegremente as promessas, a quem se havia dito: em Isaque será chamada a tua descendência; PORQUE CONSIDEROU QUE DEUS ERA PODEROSO ATÉ PARA RESSUSCITÁ-LO DENTRO OS MORTOS, DE ONDE TAMBÉM, FIGURADAMENTE, O RECOBROU (Hb 11.17-19).

É neste contexto que temos diálogo entre pai e filho, capaz de quebrar o coração de qualquer um: Meu pai!   Eis-me aqui, meu filho...Onde está o cordeiro para o holocausto?  Abraão responde mais uma vez com fé inabalável, numa declaração que pode ser um lema para todas as nossas vida: Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto.  Ironicamente, se tirarmos a virgula da declaração, descobrimos a verdade: Deus proverá para si meu filho... E seguiam ambos juntos.   O texto está cheio de emoção!  O filho submisso, confiante no amor do pai, para quem ele é o menino dos olhos.  Pai e filho, caminhando juntos; para o filho, uma aventura, uma oportunidade para acampar e adorar com papai ao ar livre.  Mas para o pai, momentos melodramáticos de profunda dor e perda.

C. Deus é Digno de Amor (22.9-10)

Finalmente chegaram ao lugar designado.  A história de repente parece entrar em câmera lenta, com cada movimento deliberadamente descrito.  Abraão continuou fiel até o final, construindo o altar, pedra por pedra, arranjando a lenha e, finalmente, segurando seu filho, deitando-o em cima, amarrando-o, e levantando a faca para matá-lo, tudo por amor e temor a Deus. 

Esse é o exemplo do sacrifício supremo de amor.  ABRAÃO ESTÁ DISPOSTO A SACRIFICAR TODOS OS SEUS SONHOS, TODAS AS SUAS PAIXÕES, TODO O SEU FUTURO, TUDO QUE ELE MAIS AMAVA NESTE MUNDO, NO ALTAR DO SEU AMOR POR DEUS!

Em outras palavras, Deus é digno de todo o nosso amor!  Esse é o primeiro e grande mandamento!  Amarás, pois, o Senhor teu Deus, de TODO o teu coração, de TODA a tua alma, e de TODA a tua força!  (Dt 6.5).  Como provamos esse amor?  Jesus deixou muito claro que obediência é a maior evidência desse amor: Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei, e me manifestarei a ele (Jo 14.21).

Aplic.: Será que meu Deus é digno de tanto amor?  Será que Ele é a coisa mais importante no universo para mim?  Será que existe alguma coisa em minha vida que é “intocável”?  Que eu amaldiçoaria Deus se Ele tirasse de mim?  O sacrifício maior do texto não foi de Isaque, mas de Abraão. Ele mesmo se colocou naquele altar, assim como Rm 12.1,2 diz, Rogo-vos, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vosso corpos por sacrifício vivo, santo, agradável a Deus. Como alguém comentou, o único problema com um sacrifício vivo, é que está sempre tentando escapar do altar!  E essa é uma descrição do coração humano.  Podemos tomar uma decisão, entregar nossa vida ao Senhor, mas logo após, estamos erguendo novos ídolos em nossos corações.

O texto nos ensina que devemos nos sondar a nós mesmos: será que minhas prioridades ficaram confusas?  Será que a obra do Senhor ficou mais importante que o senhor da obra?  Será que as coisas criadas têm mais valor que o Criador?  Será que estou buscando em primeiro lugar o Reino de Deus? Mt 6.33.  Acontece que eu e você, somos idólatras.  Sempre temos um ídolo ou outro clamando por atenção nos altares do nosso coração.  Durante parte da vida de Abraão, era sua segurança em Ur dos Caldeus.  Depois, foi sua própria segurança diante de Faraó.  Mais tarde, foi o sonho de ter um filho com Hagar.  Mais adiante, o ídolo de auto-proteção diante de Abimeleque. 

Qualquer coisa em nossas vidas que é mais importante para nós do que Deus é um ídolo em nosso coração.  Qualquer coisa que eu poderia poder que faria com que eu negasse meu Deus, é um ídolo:

-Sonhos: emprego, namoro, casamento, família, etc.-Pessoas: cônjuge, namorado, noivo; filhos; pais

-Posses: casa, carro, sítio                                            -Reputação: nome, caráter,

-Ministério: serviço a Deus                                           -Medo (dos homens, etc.

III.Deus Provê o que Necessitamos para Vida Agradável a Ele (22.8,11-14)

No fim, deu tudo certo.  Mas foi somente no fim, mesmo.  Com sua faca levantada, no último instante possível, uma voz do céu impediu o supremo sacrifício.  Pela terceira vez no texto Abraão responde “Eis-me aqui.”  Mas essa vez, são boas notícias.  Deus declara “Agora sei que temes a Deus, porquanto não me n egaste o filho, o teu único filho.”  (12).  Claro que Deus já sabia.  Mas agora, Ele provou esse fato, para seres celestiais, para todo o universo, para Abraão, e para Isaque o filho!  (Que lição para o filho—saber que Deus é a coisa mais importante na vida do pai; cp. Pv 14.26).

O gabarito do exame estava disponível o tempo todo!  Um carneiro, preso pelos chifres atrás dele (13).  Mas nesta altura, ele já havia passado na prova. É nesta hora que Deus faz exatamente o que Abraão havia predito “Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto” (8).  Imagine a alegria quando o carneiro foi oferecido no lugar do filho.  Creio que nunca na história, houve um culto tão alegre, tão grato, tão ciente da verdade de sacrifício substituto.  Por isso, Abraão deu nome para aquele lugar: O Senhor proverá (Yahweh Yireh ou “Jeová Jiré = o Senhor verá!).

Note que não é qualquer lugar—esse é “o monte do Senhor”.  Essa história tem valor simbólico.  A terra de Moriá (22.2) é justamente a região de Jerusalém, a cidade de Deus, o lugar do Templo.  Conforme 2 Cr 3.1, foi no Monte de Moriá onde Salomão construiu o Templo do povo de Israel, o lugar do sacrifício, e perto do lugar onde, futuramente, o filho de Deus seria sacrificado, no chamado Monte Calvário!  Certamente existe simbolismo forte aqui!  O que Deus exigiu de Abraão, Ele mesmo cumpriu.  Aquele que não poupou seu próprio filho, antes, por todos nós o entregou, porventura não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?  (Rm 8.32)  Deus poupou Abraão de fazer o supremo sacrifício, mas Ele não se poupou do sacrifício do seu filho unigênito! (Jo 3.16; Cf. Rm 4.19-25).

Conclusão:  Vss. 15-19

O texto termina com mais uma declaração de bênção sobre Abraão.  A obediência, a fé, o amor dele são premiados.  Deus é fiel!  Deus é digno!  Abraão passou a prova, mas Deus é mostrado fiel!  É o “Dia do Professor”.  Só que, no Seu dia, Ele dá presentes para seu aluno!  Nunca podemos dar mais para Ele do que Ele dá para nós!  Deus repete a promessa de multiplicação de descendentes, de vitória sobre os inimigos, de bênção para todos os povos, uma bênção que viria justamente por Um dos descendentes de Abraão, naquele mesmo lugar.  Deus é fiel.  Deus galardoa aqueles que passam suas provas.  Mas acima de tudo, Deus é digno de todo louvor.

Idéia: Deus PROVERÁ E DEUS PROVARAÁ.  Deus é digno de obediência, fé e amor.

Apelo:

1)    Stephen tocar Agnus Dei: Salvação.  Deus deu Seu Filho unigênito para morrer pelos nossos pecados

2)    Jonatas e Raquel: Entregar seus sonhos sobre o altar...

Não entregar nossa “carne” no altar.  Não fazer um apelo emotivo.  Não apelar para as forças humanas para fazer mais, dar mais.  Vamos lembrar que o exame final de Abraãao veio depois de 35 anos na escola de fé.  Mas o que podemos fazer, sim, é reconhecer que nós, também, temos ídolos no nosso coração que roubam nossa adoração, que tiram nossa atenção, que nós amamos mais que amamos a Deus.

Deus chamou Abraão para adoração verdadeira, em espírito e em verdade.  Adoração verdadeira requer que coloquemos tudo no altar.  Sacrifício daquilo que nos é precioso.