35 Paz com Honra Gênesis 21.22-34

                                                                         Paz com Honra

                                                                         (Gn 21.22-34)

Introdução:  O ano foi 1938.  O mês, setembro.  O primeiro ministro Chamberlain da Inglaterra estava recém- chegado da Alemanhã onde realizava conferências com o líder Nazista daquele país.  Mal conseguia se conter antes de dar a noticia pela rádio BBC: "Paz em nosso tempo!  Paz com honra!"  Quase exatamente um ano depois, Hitler invadiu Polônia, Inglaterra declarou guerra, e durante os próximos 7 anos a Europa e o mundo inteiro perderia mais de 20 milhões de pessas, na geurra mais sangrenta na história do mundo, a II Guerra Mundial. Se aprendemos uma lição, é que  paz humana é instável, inconstante, imprevisível e falha.

Na história que encontramos no final de Gênesis 21 mostra como Deus já estava fazendo de Abraão uma grande nação, assim como Ele havia prometido em Gn 12.1-3.  [Percebemos, então, à luz da história toda de Gênesis, que algo especial está acontecendo.  Deus continua cumprindo Suas promessas na vida de Abraão!  Ele está se tornando uma grande nação, conforme prometera em Gn 12.1-3.  Para ser uma grande nação, algumas coisas são essenciais:

1)    Terra (ele a recebeu em Gn 15)

2)    Povo (o nascimento de Isaque neste capítulo é o início da multiplicação de descendentes)

3)    Reconhecimento internacional (o que está acontecendo aqui)

4)    Lei (o que acontecerá em Êxodo)]

Mas com grande privilégio vem grande responsabilidade, especialmente no que diz respeito os relacionamento com outras pessoas e outras nações.  Os vizinhos de Abraão começam a reconhecer que ele é uma potência na região, e que Deus estava com ele.  Vai ao encontro de Abraão o rei vizinho chamado Abimeleque, que não é exatamente o nome mas o título dele como rei dos filisteus (significa “meu pai é rei” ou “o rei meu pai”).

Trans. Além de mostrar como Deus está engrandecendo Abraão, o texto revela princípios sobre como o povo de Deus deve interagir com as pessoas deste mundo.  Como Jesus disse, estamos no mundo, mas não somos do mundo.  Vamos descobrir dois lados da bandeira branca da paz...

I.  O Povo de Deus deve Viver em Paz com Seus Vizinhos (21.22-24)

Ler 22-24—o primeiro lado da bandeira branca da paz...

Contexto: “Por esse tempo” = enquanto os eventos de Gn 21.8-21 aconteciam—eventos milagrosos, sem precedente—filho nascendo na velhice; Isaque desmamado, nomeado herdeiro; Hagar e Ismael mandado embora; a solidificação da promessa; a prosperidade de Abraão.  Como vimos, esse é o paradoxo da onipresença de Deus nos momentos em que Ele parece distante: 

GODISNOWHERE  =  GOD IS NOWHERE (Deus está em lugar nenhum)

                                                                        = GOD IS NOW HERE (Deus está agora aqui).

A.    O Mundo deve Perceber que Deus está Conosco (21.22)

É importante notar o respeito que o rei pagão tem por Abraão.  Mesmo com suas falhas, havia algo diferente na vida de Abraão que mereceu respeito.  Neste encontro temos o sagrado e o secular face a face a fim de promoverem a paz.  Vão existir lado a lado, e pelo fato de que os não-crentes haviam percebido a bênção de Deus sobre Abraão, querem ficar junto com ele.  Abimeleque pede uma aliança entre os dois grupos, entre as duas nações (Abraão está sendo reconhecido como uma nação!)

Ilust.: Meu Bairro Melhor.  Às vezes nós como cristãos ficamos tão distantes do mundo que o mundo não consegue ver a nossa luz!  Esse ano, sob a liderança do Davi Cox Jr., várias igrejas da nossa comunidade se juntaram para “invadir” Jardim Imperial com boas obras—cerca de 500 pessoas entre o Seminário Bíblico PV, a PIBA, a IECA e as congregações.  Até hoje há repercussões daquele dia, pois a comunidade viu cristãos sérios de igrejas sérias trabalhando juntos para servir a Deus na comunidade.  Tinham oportunidade de ver que “Deus está conosco”.

Ninguém podia esconder a bênção de Deus na vida de Abraão.  Ficou óbvio.  Mas também ficou óbvio que era DEUS que realizava o que acontecia na vida dele e da sua família.  Como Abimeleque sabia que Deus estava com Abraão? Primeiro, Deus falou com ele num sonhou quando ele tomou Sara para seu harém.  Segundo, porque sua família foi sarada quando Abraão orou por eles.  Terceiro, ele soube do milagre do nascimento de Isaque para um homem de 100 anos e sua esposa de 90.  E quarto, ele certamente percebeu sua vida piedosa, mesmo que não perfeita, abençoada por Deus.

interessante notar essa frase “Deus estava com ele” em Gênesis.  Foi usada aqui de Abraão.  Foi falado de Isaque (26.28—outro Abimeleque e Ficol), Jacó (30.27—implícito, Labão) e José (39.3--Faraó).  Evidentemente, a bênção de Deus sobre o povo de Deus deve ficar evidente para aqueles que os cercam, mesmo os não-crentes!.]

Será que nós vivermos de tal forma, que a única explicação pela nossa vida é Deus? Será que nosso testemunho, a mudança da nossa vida, nossa esperança em horas de aperto, apontam para Deus?

-Mt 5.16  Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.

-Sl 115.1“Não a nós, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade.

Note que não é só bênção.  Não é só prosperidade que sinaliza a boa mão de Deus sobre nós.  O que aconteceu imediatamente antes é que a família de Abraão foi rachada.  Havia conflito entre os filhos, entre as mulheres, e a família ficou separada.  Abraão ficou muito triste.  Mas em tudo, a boa mão de Deus ficava evidente!  Havia esperança em meio a angústia.  Às vezes, nossa atitude, nosso comportamento, em meio às provações fala muito mais alto que prosperidade e saúde.

-1 Pe 3.15 Santificai a Cristo como Senhor, em vossos corações, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós.

1 Pe 2.12 Mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação.

Aplic.: Será que as pessoas ao meu redor reparam que Deus está comigo em tudo que faço?  Será que, mesmo discordando comigo, eles me respeitam pela minha postura, pela minha coragem, pelas minhas convicções, pela coerência da minha vida?

B. Devemos Viver em Paz com Todos (21.23-24)

Foi a boa mão de Deus que pairava sobre Abraão e que tornou a vida dele atraente para seus vizinhos, que observavam de longe e que queriam ficar debaixo desse “guarda-chuva” de paz.  Por isso, seu vizinho, Abimeleque, o rei de Gerar, junto com seu “homem-forte”, Ficol, General do Exército, provavelmente as duas pessoas mais importante entre os Filisteus da época, chegaram com uma bandeira branca pleiteando paz.  Isso, pelo reconhecimento de que a mão de Deus pairava sobre Abraão, e eles não queriam cair no desagrado deles.

Como o cristão deve se comportar diante dos seus vizinhos incrédulos?  Deve fazer tudo possível para viver em paz com eles.  Note a resposta de Abraão no vs. 24: “Juro!” Curto e objetivo.  Como Jesus falou no Sermão do Monte, “Bem-aventurados os pacificadores, poruqe serão chamados filhos de Deus” (Mt 5.9).

Provérbios afirma Sendo o caminho dos homens agradável ao Senhor, este reconcilia com eles os seus inimigos. (Pv 16.7)

Provérbios acrescenta que quando vivemos uma vida agradável ao Senhor, “acharemos graça e boa compreensão diante de Deus e dos homens” (3.4).  Lucas fala a mesma coisa sobre a vida de Jesus em Lc 2.52: E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens.

Sabemos que nem todos vão nos gostar.  Também sabemos que, junto com o favor diante de alguns, vem rancor de outros (2 Tm 3.12 nos lembra de que todos que vivem piedosamente em Cristo Jesus sofrerão perseguição)

Mas existe uma lição sutil neste texto, que provavelmente serviu como puxada de orelha para Abraão. Nem sempre foi uma bênção para seus vizinhos.  Nem sempre vivia em paz com eles.  Nem sempre foi causa de alegria. Por isso Abimleque faz um pedido estranho: “Jura-me aqui por Deus que me não mentirás, nem a meu filho, nem a meu neto” (23).

Por que falou assim? A resposta está na história que estudamos no cp. 20, quando Abraão mentiu sobre Sara e causa uma grande praga na casa desse mesmo Abimeleque, provavelmente levando a infertilidade de toda a sua casa e possivelmente algum tipo de doença (20.9).  Agora, Abimeleque faz ele jurar que não voltaria a fazer besteira, causando pragas em vez de bênção. 

É irônico que as duas coisas que Abimeleque sabia de Abraão eram que 1) Deus estava com ele e 2) Ele era mentiroso.  Por isso pediu uma garantia de que Abraão agora seria uma bênção, e não um perigo ou uma praga para ele.

Existe um outro elemento no pedido que é interessante.  Ele pede que Abraão (e sua família) não mintam “nem para meu filho, nem a meu neto”.  Mas em Gn 26 veremos que foi exatamente isso que aconteceu.  Veja 26.1, 6-11.  Tal pal, tal filho.  O pecado do pai foi repetido na vida do filho, que acabou quebrando a promessa que o pai faz em Gn 21.  Como nós como pais temos que tomar cuidado, porque nossos pecados se repetem na vida dos nossos filhos—não de forma genética ou mística, como os proponentes de “maldição de família” afirmam, mas pelo fato de que, nosso exemplo estabelece um precedente, um hábito, para nossos filhos imitarem.

Ilust.: Como é difícil para nós quando o mundo nos repreende.  Lembro-me bem quando meu técnico de beisebol, que sabia que eu era crente, que reconhecia que eu era diferente dos outros jogadores do time, me repreendia quando eu ficava irritado, ou bravo, ou injustiçado.  “Davi, você é um jovem cristão....você não deve agir assim.” Sentia-me humilhado e repreendido!

O cristão tem a responsabilidade de viver em paz com seus vizinhos, com um bom testemunho que glorifica a Deus e abençoa seus vizinhos.  Uma boa pergunta para nós seria, “Eu sou uma bênção para aqueles ao meu redor? Eles respeitam meu testemunho?  Eles sabem que sou cristão?  Eles desejam ficar perto de nós, porque Deus está conosco?  Eles querem o tipo de vida que temos?

II.  O Povo de Deus deve Viver em Paz sem Sacrificar a Justiça (21.25-32)

Algumas pessoas acham que ser crente significa ser “capacho”.  Que ser crente é ser fraco, mole, bobão, alguém que deixa que outros pisem na gente.  Mas será que é isso que Deus quer de nós?  Será que um testemunho de fraqueza e moleza atrai pessoas para a causa de Cristo?  Será que nossos vizinhos vão respeitar esse estilo de vida “capacho”?  Será que nosso lema é “paz com honra” quando de fato, somos fracos e fazemos corpo mole diante das injustiças deste mundo? Aprendemos neste texto que paz implica em justiça.  Requer coragem, convicção, pulso firme, garra.

A.    O Povo de Deus Confronta Injustiça (25-32)

Viver em paz não é a qualquer preço.Esse foi o erro de Chamberlain na II Guerra Mundial.  Sacrificou a justiça em nome da paz.

Abraão tem uma queixa, e insiste em confrontar seu vizinho pagão. É importante entendermos exatamente o que ele está fazendo.  Não é simplesmente insistir em seus direitos.  Costumamos dizer que o único direito que o cristão tem é que não tem direitos.  Mas tem responsabilidades.  E uma das responsabilidades é de lutar a favor do Reino e da glória de Deus.  Neste texto, Abraão não é mais um indivíduo.  Tem uma família. De fato, é uma nação embriónica.  Sabemos que há muita gente com ele—pelo menos 318 homens e suas famílias agregados a ele (Gn 14). 

Naqueles dia, a vida dependia de água potável, de poços em oases no deserto.  Não havia encanamento.  Somente poços.  No deserto, a posse de um poço pôde ser a diferença entre vida e morte.  E o povo de Abimeleque havai tomado à força aquele poço.  Abraão está disposto a viver com ele em paz, mas não a custo do bem estar daqueles por quem ele era responsável.

Então ele confronta seu vizinho, explica a quixa, e consegue tirar satisfação.  Creio que o respeito que o vizinho tinha por ele só aumentava com esse ato.  Abraão está cuidando dos seus, como diz 1 Tm 5.8 Se alguém não cuidar dos seus, tem negado a fé, e é pior que um incrédulo.

Mas, como isso fica à luz do Sermão do Monte, que diz, “Ouviste que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo, Não resistais ao perverso; mas a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra” (Mt 5.38-39).

Creio que a resposta tem a ver com a questão dos nossos “direitos” e o Reino de Deus.  Quando trata-se de uma questão individual, uma disputa entre duas pessoas, em que cada um quer o que quer, o cristão, como cidadão do céu, pode e deve abrir mão dos seus direitos para não prejudicar seu testemunho.  Foi isso que Paulo falou em 1 Co 6.6,7  sobre as disputas entre crentes diante dos tribunais de Coringo: Irá um irmão a juízo contra outro irmão, e isto perante incrédulos?  O só existir entre vós demandas já é completa derrota para vós outros.  Por que não sofreis antes a injustiça? Por que não sofreis antes o dano?

Mas quando se trata de um caso em que os direitos de outros estão em jogo, aí é outra questão.  Quando o bem-estar de outras pessoas está sendo prejudicado, ou o testemunho da igreja e seu ministério podem ser afetados, então o cristão tem o dever, não somente o direito, de entrar em ação e confrontar injustiça.

O que fazer quando percebemos injustiça na vida?  A resposta é: Trabalhar em prol do Reino de Deus.  Essa é uma mentalidade estranha para muitos cristãos, cujas mentes estão fixadas em coisas dessa terra (Col 3.1,2).  Mas em cada situação de conflito, que normalmente envolve uma questão de justiça, temos que nos perguntar, “Que atitude a de promover o Reino e a glória de Deus?”

Algumas situações:

A.  Um “brigão” está mexendo com seu filho.  O que você aconselha ele a fazer?  Brigar?  Correr?  Dar um folheto?

            1. Clamar a Deus (Fp 4.6)

            2. Falar diretamente com a pessoa (Mt 18)

            3. Apelar para as autoridades (Mt 18)

            4. Dar uma surra nele, ou pelo menos se defender (cp. Abraão Gn 14; Jesus no Templo; Paulo diante de inimigos que lhe fizeram mal (2 Tm 4.14)

a)    Esperar para Deus tomar vingança (Dt 32.35)

b)    Engolir sapo (1 Co 6.6,7)

Ficar calado quando se trata de injustiças envolvendo outras pessoas não é uma opção (Pv 31.8,9)

Ilust.: David e amiguinho que batia nele. (A mãe: bata nele de volta para que aprenda!)

B.  Esportes

1.    Falar para o juiz (através dos canais reconhecidos—capitão, etc.)

2.    Apelar para autoridades (protestar, etc.)

3.    Acatar a decisão, sem brigar, reclamar, vingar-se (respeitar autoridade)

Ilust.: África—time de futebol com juízes locais que apitaram impedimento depois de cada gol

C.  Queixas Legais/Pessoais 

Nestes casos, fica difícil.  Temos que tomar uma decisão.  Se nós nos defendermos, trará prejuízo ou benefícios para o Reino de Deus.  Por exemplo, um servidor (construtor, eletricista, pedreiro, etc.) não cumpre os termos do contrato.  Causa grande prejuízo.  Deve ou não confrontá-lo, até mesmo, na justiça?  Depende.  Mas diria que a questão principal é, o que trará mais glória a Deus e mais avanço para o Reino de Deus?

Ilust.: Processo contra a Editora

Temos o dever de confrontar injustiça, quando realmente se trata de pecado, principalmente na vida de um irmão.  Por isso, Mt 18.15 diz, Se teu irmão pecar contra ti, vai argüi-lo entre ti e ele só.  Se ele te ouvir ganhaste a teu irmão...

Uma das razões porque é importante confrontar injustiça, é porque muitas vezes a pessoa não sabe que está causando um problema.  Note no texto no vs. 26 que Abimeleque afirma inocência (nos lembra da situação em Gn 20 onde também era ignorante do fato de que Sara era esposa de Abraão!)  Foi bem conveniente (como em nossos dias) afirmar “Eu não sabia!”

Ilust.: Eu já soube de pessoas que deixaram a igreja porque ficaram irritados com a liderança por causa de determinada área na igreja—música, mensagens, EBD, berçário, não importa.  Só que, nunca foram falar com a liderança sobre o que achavam de errado.  Simplesmente ficaram com nariz torto.  Mas Abraão foi equilibrado.  Aceitou o pedido por paz, mas uma paz com honra e respeito mútuos! 

Os dois entraram em acordo.  Abraão providenciou ovelhas e bois (27), talvez para fazer um sacrifício como Deus havia feito com ele em Gn 15 (onde os DOIS andavam pelo meio dos animais mortos, representando a aliança entre eles).  Além disso, Abraão deu um presente, cuja aceitação da parte do rei seria um sinal de que ele aceitava como legítima a queixa de Abraão sobre o poço.  A partir daquele moemnto, o poço, chamado Berseba, pertenceria a Abraão, uma das poucas posses na terra prometida que ele teria em vida.  (21:31 Berseba,, “Poço dos Sete” ou “Poço do Juramento” (no Hebraico, a palavra “sete” e a palavra “jurar” são relacionados, e o nome do poço “Beer-Seba” reflete. Ele se tornou dono do poço.)

            B.  O Povo de Deus Vive em Paz Na Medida do Possível (Rm 12.17,18)

Devemos viver em paz com todos, NA MEDIDA DO POSSÍVEL.  Mas nem sempre é possível.  No caso de Abraão e Abimeleque, deu certo.  Mas às vezes, nossos inimigos, nossos vizinhos, até mesmo outros crentes ou membros da nossa própria família não querem.

            -não aceitam nosso pedido de perdão                        -não querem “esquecer” as coisas que para trás ficam

            -não querem achar uma solução                     -não querem admitir erro

            -não querem reconciliação

O que o cristão deve fazer nesses casos?  Creio que a resposta está em Rm 12.17,18 Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens.

Chega a hora em que temos que tocar a vida.  Fizemos tudo no nosso poder para promover paz.  Mas a outra pessoa não quis. Não vamos nos vingar.  Não vamos tratar mal.  Mas não há necessidade de lamber os pés daquela pessoa também.  Temos que amar a todos.  Mas não necessariamente gostar de todos.  Temos que viver em paz, quanto depender de nós, mas não temos que ser melhor amigo de todos.

Infelizmente, no decorrer de mais de 20 anos de ministério, já criei inimigos.  É inevitável.  Sei de um pastor aqui de SP que ficou super-bravo comigo porque eu o confrontei com sua atitude errada numa reunião.  Sei de um casal que era da nossa igreja e que tem queixas contra mim ao ponto de recusar ouvir um sermão meu.  Já fiz a minha parte para tentar estreitar o relacionamento com ambos, mas chegou ao ponto em que eu precisa morrer para a idéia de que um dia novamente seremos grandes amigos.

Viver com conflito é muito difícil para mim.  Mas a maturidade cristã exige que convivamos com a dissonância de um mundo que jaz no Maligno.  Não podemos idolatrar a paz, paz a qualquer preço. Não significa ter uma casca dura demais.  Mas nesta vida teremos que viver com algumas tensões de relacionamentos difíceis.

Mt 5.23,24 diz, “Se ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e então, voltando, faze a tua oferta.”  Mas creio que há hora, depois de falar com teu irmão, se ele não te ouvir ou não quer reconciliar-se contigo, precisa voltar e ofertar seu presente assim mesmo.  “Quando depender de vós.”  O próprio apóstolo Paulo tinha situações difíceis em sua vida, de tensão com outros: Barnabé, Pedro, Himeneu e Alexandre (1 Tm 1.20), Alexandre (2 Tm 4.14), Demas...

Conclusão:  Veja como o texto termina.  Abraão, prestes a se tornar uma grande nação, está em paz com tudo e todos.  Ele planta uma árvore, uma indicacão de que ele esperava viver por muito tempo naquela região em paz (fato comprovado no vs. 34).  A árvore servia como marca, um memorial do que Deus fez e faria, uma lembrança no meio do deserto da proteção divina, da provisão de água, da paz com os vizinhos, da sobra do Altíssimo.  Acima de tudo, é a primeira evidência de que Abraão tem RAÍZES na terra prometida, no extremo sul daquela terra que Deus lhe prometera.

Mas acima de tudo, ele louva, exalta e proclama o nome de Deus (33).  Como já vimos, a frase traz a idéia de declarar em louvor e evangelização os atributos de Deus (4.26, 12.8).

Os nomes de Deus revelam aspectos do caráter de Deus.  Em Gênesis, já vimos o nome “El-Elyon” ou “Deus Altíssimo”(14.18);  “El Roi”—o Deus que vê (16.13); “El Shaddai” (17.1—Deus Todo Poderoso).

Idéia: Deus quer que Seu povo viva em paz com honra com todos.  Paz com honra, não como Chamberlain buscou na Alemanha antes da II Guerra Mundial.  Mas uma paz que busca justiça, que defende os direitos de outros e não necessariamente de si próprio.  Uma disposição para paz mas sem ser capacho.