32 A Proteção da Promessa...e do Casamento Gênesis 20

                                                  A Proteção da Promessa...e do Casamento

                                                                               (Gn 20)

Introdução:  Você já teve a experiência de estar num lugar, onde alguns eventos estavam acontecendo, e você pensou, “Já estive aqui!”  Talvez você sonhou com aquela experiência.  “Deja vu” é o termo francês que signfica “a impressão ou ilusão de que algo já foi visto ou experimentado antes (lit. “já visto”)ou seja, “já vi este filme!”

O texto que vamos estudar hoje é semelhante a essa experiência de “Deja vu”. Gênesis 20 conta uma história muito semelhante a outra que já estudamos na vida de Abraão em Gn 12, quando ele mentiu sobre sua esposa, dizendo que era sua irmã.  Cp 20 apresenta uma sequência muito semelhante ao que vimos em Gn 12.  Em ambas as histórias:

Gn 12.10-20

 

Gn 20

12.10

Abraão partiu para uma outra terra

20.1

12.11-13

Abraão instruiu Sara a mentir, dizendo que era irmã dele

20.2

12.15

Sara é acrescentada ao harém do rei da terra

20.2

12.17

Deus castiga o rei e seu povo para proteger Sara e a promessa

(provavelmente com esterilidade)

20.3,17,18

12.18,19

O rei pagão repreende o patriarca pela sua mentira

20.9

12.16

Abraão é enriquecido

20.14

Há diferençasentre os dois textos (em 20 Abraão não deixou a terra prometida, não foi expulso, Deus falou por sonhos, Sara recebe remuneração, Abraão é considerado como profeta do Senhor e Sara tem 90, não 65 anos de idade).  Cabe aqui a pergunta, “Porque um rei desejaria uma senhora com 90 anos em seu harém?”  Creio que existem pelo menos 2 possibilidades:

1)    A longevidade dos patriarcas era bem maior que nossa.  Abraao morreu com 175 anos de idade, Sara com 127 anos.  Sabemos que, com 65 anos de idade (Gn 12) ela era muito formosa.  Com 90 anos ela seria como alguém com 50-55 em nossos dias, e talvez bem atraente pela dignidade de caráter e vida.

2)    É possível que represente uma espécie de aliança ou proteção.  Reconhecendo que Abraão era grande cacique, poderoso na terra, seria uma maneira de garantir paz entre eles, mantendo um parente como parte do seu harém.

Mas uma pergunta ainda maior nos confronta. Por que esta história, que parece quase uma repetição de Gn 12,  foi incluída novamente no relato de Gênesis?  Por que AGORA, logo antes do nascimento do filho da promessa, Isaque?

Creio que podemos descobrir pelo menos 3 razões:

1)    Para nos lembrar de que somos pessoas fracas, sujeitas a muitos altos e baixos na nossa jornada de fé, carentes de Deus

2)    Para mostrar a seriedade com que Deus trata a aliança conjugal, protegendo-a a qualquer custo.

3)    Para apontar à fidelidade de Deus, apesar da nossa infidelidade

Em toda a história, somos lembrados de que fé em Deus é uma caminhada, e que não devemos desistir só por causa de algumas falhas, mesmo que sejam os mesmos pecados que repetimos várias vezes. 

            Ilust.: É como o processo do ourives refinar o ouro.  Esquenta bastante, fazendo com que as impurezas subam para serem removidas.  Precisa repetir o processo muitas vezes, para obter um ouro puro.

I.  O Povo de Deus Passa por Momentos de Fraqueza na Fé (20.1,2; 9-13)

Abraão, o grande herói da fé—foi alguém como nós.  Esse homem, a quem 14 cps de Gênesis são dedicados, é um padrão dos fiéis, e a Bíblia toda olha para trás para ele e sua fé.  Apesar dos altos e baixos constantes, ele é chamado tanto no VT como no NT como “amigo de Deus”! Ele é um vaso de barro, que às vezes permitia que o brilho da glória de Deus se espelhasse pela sua vida, e às vezes bloqueou tudo. 

Apesar de todas as vitórias, todas as conquistas, todas as montanhas que Abraão havia subido com sua fé, mesmo assim, seus pés foram feitos de barro.  Ele conhecia bem as alturas da fé:

-deixou tudo para seguir uma voz que ouviu (Gn 12.1-3)

-abriu mão de toda a terra prometida e deu primeira escolha para seu sobrinho Ló (13);

-levou 318 homens para conquistar 4 reis poderosos invasores (14);

-confiou no Senhor dos impossíveis (15.6)

-obedeceu a Deus instanteamente na circuncisão (17)

-intercedeu por Ló, Sodomo e Gomorra diante do Senhor (18)

Mas esse gigante da fé sabia o que é entrar no vale da sombra de fé fraca.  No Hopi Hari da vida, também existem pontos baixos na Montanha Russa.  Pior, vss 12 e 13 deixam claro que era costume dele mentir sobre Sara para proteger a si mesmo!  Ele tinha o HÁBITO  de pecar, e viver com pouca fé, como nós também temos. Quase todo mundo tem seus “pecados de estimação” que nos derrotam, minam nosso testemunho, e precisam ser vencidos no poder de Deus: ira, orgulho, vícios, mentira, ansiedade, fofoca, impureza. 

Tudo isso foi motivado pelo temor aos homens.  Pv. 29.25diz “Quem teme aos homens arma ciladas, mas o que confia no Senhor está seguro.”  Quem teme a homens tem homens como gigantes e Deus como anão—impotente, incompetente, distante, frio, talvez desinteressado.  Por isso tem que “dar um jeito” para proteger a si mesmo—não tem fé suficiete num Deus suficiente para resolver seus problemas.  Talvez por isso o mandamento mais repetido em toda a Bíblia é “Não temas!” (365 x, ou uma vez para cada dia do ano!) “ Maior Aquele que está em nós, do que aquele que está no mundo!”

Eu também tenho uma fé esquizofrénica.  Somos um povo de fé num Deus vivo, mas nossa jornada é marcada por lutas como essas.  E, francamente, nos decepcionam, entristecem, cansam.  São atitudes erradas, são pecado, e não podemos ignorá-los.  Mas temos boas notícias.  São experiências comuns ao ser humano, ao crente.  Graças a Deus Ele sabe que somos pó (Sl 103.14; cf. 10-13).  Não é desculpa do nosso pecado, mas esperança do perdão. Deus não se afasta de nós nesses momentos.  Dá poder para superarmos nosso pecado, que não mais domina sobre nós (Rm 6.11-14).

Note que o pecado de Abraão não foi sem custo.  Nosso pecado nunca é somente pessoal—sempre afeta as pessoas ao nosso redor:

1)    Abraão foi considerado mentiroso, e minou seu testemunho como profeta do Senhor (5, 9,10)

2)    Sara também mentiu, e ficou exposta ao perigo de imoralidade (5)

3)    A promessa do herdeiro foi ameaçada; correu-se o risco de ter um filho que não seria da promessa

4)    Abimeleque e sua família, inocentes, correram o risco de morte (o preço da imoralidade na Lei era morte Lv 20.10, Dt 22.22); Vs. 3 “Você está morto!” e esterilidade (17,18)

5)    Isaque (Gn 26.7—tal pai, tal filho)  repetiu o mesmo pecado que marcou a vida do papai!

Note a ironia do texto.  O rei pagão, Abimeleque, que Abraão temia porque pensava que não temia a Deus (11) de fato teme mais a Deus do que o patriarca!  Vs. 8 conta a resposta do povo de Gerar quando o rei contou-lhes seu sonho: ficaram muito atemorizados!  O descrente repreende o pastor pela sua falta de fé e desonestidade!  Que vexamIvete Sangalo: LETRA_BODYHDR

Ivete Sangalo letras:

e!  Que vergonha!  Que marca preta no testemunho daquele que fora chamado para “abençoar todos os povos” (Gn 12.1-3).  Mais uma vez, Abraão é uma praga e não um prazer.

Aplicação: 1) Sucesso no passado não garante glória no futuro!  Nunca podemos parar de nos vigiar contra o engano do pecado!

2)   Somo “vasos de barro”, mas o pecado não mais domina sobre nós.  Devemos invocar Rm 6.11-14 como nossa resposta ao hábito de pecar.

II.  Deus Protege a Seriedade da Aliança Conjugal (20.3-8)

Abraão não foi um marido leal.  Ele expus sua esposa a perigos e tentações que ela nunca deveria ter enfrentado.  Paulo fala aos maridos em Ef 5.  que devem amar suas esposas como a si mesmos, santificando-as (Ef 5.25-28).  Talvez você pense, “Mas Abraão não tinha Efésios 5.  Como ele iria saber?”

Abraão já tinha Gn 2.24, que diz, “Por isso, deixa o homem pai e mãe, une-se à sua mulher, TORNANDO-SE OS DOIS UMA SÓ CARNE.”  Deus instituiu o casamento monogâmico: um homem, uma mulher, por toda a vida.  O homem gruda-se em sua mulher, e vice-versa, uma união inseparável, indissolúvel, que mescla suas prórpias almas numa união mais forte que o elo com os pais.

Pela segunda vez Abraão barateia essa união (cp. Hagar, Gn 16).  O sétimo mandamento (mais tarde) diz, “Não adulterarás.” A violação da integridade do relacionamento a dois é seríssima diante de Deus, pois o casamento é um reflexo da glória de Deus—Sua Trindade, unidade em diversidade.  Por isso, o casamento a dois tem que ser protegido a qualquer custo—não por causa dos filhos, ou dos vizinhos, ou a igreja, mas pela glória de Deus refletida nele.

Deus leva os votos conjugais muito a sério.  Mas Abraão, o patriarca, em vez de proteger sua esposa, como o bom marido deve fazer, a expus a grandes perigos, e isso por motivos de amor-próprio, egoísmo! Ao mesmo tempo, ele mesmo ameaça a integridade da promessa que lhe foi feito dele ser pai, e Sara mãe, de uma grande multidão.  Ela, que já era fértil novamente (conforme a promessa de 18.10). Se ela gerasse um filho agora, iria corromper tudo que Deus havia planejando para o mundo, a vinda do Messias pela linha de Abraão.

Satanás é o pai da mentira.  Faz de tudo para confundir as promessas de Deus, complicar o plano de Deus.  No livro de Gênesis vemos como ele faz exatamente isso: Seduziu o primeiro casal para o pecado; transformou o filho da promessa, Caim, num assassino e eliminou seu próprio irmão; misturou as linhas de Sete e Caim para corromper toda a terra; uniu os homens como um só no propósito de se rebelarem contra o plano de Deus de espalhar e encher a terra.

Por isso, Deus protege Suas promessas.  Deus fala num sonho para Abmeleque (3-7) que estaria sujeito à morte pelo que tinha feito—violar a aliança conjugal de uma mulher com seu marido.  É interessante notar que o rei pagão trata a aliança conjugal com mais seriedade do que o próprio patriarca.  Abimeleque reconhece a seriedade da sua ofensa logo de cara, e age de forma digna para restituir Sara ao seu marido e pagar uma soma enorme para limpar seu nome—exemplos de um arrependimento verdadeiro (reconhece seu erro, entristece-se por ele, corrige-o e faz restituição generosa).

Aplic.: Encontramos aqui lições importantes para nossas vidas:

Devemos proteger a aliança conjugal a qualquer custo!

1)    Cultivar amizade conjugal, romantismo conjugal

2)    Fugir da imoralidade (entretenimento; piadas; flirtar)

3)    Honrar a aliança “até que a morte nos separe” (Divórcio não entra no nosso vocabulário)

4)    Espantar os “raposinhas” que ameaçam o casamento (Ct    ):

-Falta de perdão (Ef 4.26-31)

-Terceiros que interferem

III.  Deus é fiel, mesmo quando somos infiéis (20.3-7, 14-16)

É incrível perceber a boa mão de Deus pairando sobre Abraão, apesar da sua infidelidade.

            Ilust.: Adulto ensinando uma criança a jogar xadrez, ou banco imobiliário...vitória garantida, não importando quantos erros de jogada a criança faz.

Deus ainda está ensinando o patriarca sobre o “jogo da vida”.  Sabe que vai errar.  Também sabe que uma fé não testada não tem valor!  É como um soldado no exército que ganha muitos prêmios nos exercícios de treinamento.  Mas até ser provado em combate, não se sabe que tipo de soldado é.  É como um navio que, na fábrica, parece forte e resistente.  Mas é só nas tempestade do alto mar que prova seu caráter.  Da mesma forma, nossa fé é forjada na fornalha de provações, situações difíceis.  Não é na EBD que se mostra se tem fé ou não, mas no mercado, na praça, na empresa, na escola—nos desertos da experiência cristã, em que revelamos se estamos ou não agarrados em Deus e mais nada!

Em toda a história da vida de Abraão, descobrimos uma lição preciosa e de grande conforto para nossas vidas.  Deus é fiel!  Nas horas de fé forte.  Nas horas de fé fraca.  Deus não muda!  As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã.  Grande é a tua fidelidade!  (Lm 3.22,23).  Fiel é o que nos chama, o qual também o fará! (1 Ts 5.24)  Aquele que começou boa obra em nós há de completá-la até o dia de Cristo Jesus (Fp 1.6). Essa lição foi resumida pelo Apóstolo Paulo em 2 Tm 2.13:  Se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo. 

Deus nos guia, mesmo na escuridão, mesmo no deserto, mesmo quando não conseguimos enxergar nada na nossa frente.

            Ilust.: Acampamentos—caminhada de fé.  (O amigo vendado é guiado por uma pista de obstáculos...enquanto escuta, obedece, tudo vai bem—dependendo do caráter do amigo.  Mas se começar a seguir seu próprio caminho—PERIGO!

Na história, entendemos nas entrelinhas que Deus não nos abandona nos momentos de falha e fracasso.

1)    Ele perdoa(sabemos disso, pelo fato de que aponta para Abraão como “profeta”, ou seja, porta-voz de Deus, que terá que orar para Deus sarar os povo de Gerar (7, 17,18).  Deus continua usando Abraão como Seu representante entre os povos, apesar da sua incredulidade!

2)    Ele protege(apesar da infidelidade, mentira, engano de Abraão e Sara, Deus continua protegendo-os de si mesmos, das besteiras que suas falhas poderiam provocar (cp. Ester—GODISNOWHERE)

3)    Deus prospera Abraão,pela Sua graça, mesmo merecendo maldição!  (14-16) 

Aplic.: Provavelmente você, como eu, consegue lembrar de algumas aprontações, algumas decisões erradas, alguns deslizes na fé, que poderiam ter terminado em desastre.  Mas Deus foi fiel.  Deus te protegeu.  Deus perdoou.  Deus abençoou.  Você não merecia. Mas Deus foi fiel.  Só podemos louvá-lO por isso, e clamar pela graça e pela misericórdia para servi-lO com cada vez mais paixão, amor e dedicação. “Fiel aquele que nos chamou, que também o fará.”  (1 Ts 5.24).

Conclusão:  Deja vu! Já vimos essa lição.  Mas custa aprendê-la.  Deus quer que gravemos 3 lições:

1)    Somos pessoas fracas, sujeitas a muitos altos e baixos na nossa jornada de fé, carentes de Deus

2)   Deus trata a aliança conjugal com seriedade, protegendo-a a qualquer custo.

3)   Deus é fiel, apesar da nossa infidelidade

Às vezes a vida cristã é mesmo como uma montanha russa.  Mas graças a Deus, Ele não erra.  Deus é fiel!  Mesmo quando somos infiéis, Ele é fiel.

Por causa da obra de Cristo por nós, Deus não leva mais em consideração nossos pecados:

O Senhor é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno...Não nos trata segundos os

nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniqüidades...Pois ele conhece a nossa estrutura,

e sabe que somos pó. (Sl 103.8,10,14

          Idéia: Deus é fiel quando nossa fé é fraca e quando é forte.