Natal Segundo Isaías (I): O Nascimento Virginal (Is 7.14)

Natal Segundo Isaías (I): O Nascimento Virginal (Is 7.14)

Pr. Davi Merkh 

Há muito drama associado com as histórias de Natal contadas nas Escrituras.  Se usarmos a nossa imaginação podemos recriar (e contextualizar) algumas cenas do primeiro Natal.  Por exemplo, imaginem uma noite na aldeia de Nazaré.  Maria, uma adolescente linda de talvez 14 ou 15 anos de idade, finalmente cria coragem para entrar na sala de estar da sua família onde seus pais estavam assistindo Globo . . .            

   “Pai, mãe, preciso contar algo para os senhores.”           

    “Pode falar” disse o pai, olhos ainda fitos nas notícias.            

    “Pai, é muito sério” respondeu Maria, voz e lábios trémulos.           

Sua mãe, percebendo algo errado, responde “O que é, querida”  “O que aconteceu?”           

   “Pai, mãe . . .  estou grávida!”

Imagine o choque, a revolta, a ira . . . Maria NUNCA havia dado trabalho para eles.  Sempre era a “menina dos seus olhos”, exemplar, piedosa, submissa, meiga.    

A mãe começa a soluçar.  O pai quer matar “aquele moleque José.”  Mas depois de um tempo, Maria consegue fôlego para continuar, “Os senhores não entendem . . . não foi José o pai!”   

Isso só piora a situação.  Agora o pai realmente está com raiva, e a mãe chora ainda mais, até que Maria exclama, “Sou grávida do Espírito Santo!” 

Demora um tempo, mas finalmente consegue convencer seus pais de que ela não tinha pirado, que um anjo do Senhor REALMENTE lhe aparecera, e que algo maravilhoso estava acontecendo em sua humilde família-algo que famílias judias haviam anseiado e esperado por 2000 anos—o Messias! 

É mais ou menos assim que a história do primeiro Natal começou . . . com a doutrina do que é comumente conhecido como “O nascimento virginal” mas que, de fato, é melhor conhecido como “A concepção virginal”.  É uma doutrina muito controvertida, pouco entendida, mas que inicia a história maravilhosa de Jesus, o Deus-homem que invadiu a história para resgatar a raça humana.  É considerado um dos pontos chaves da história doutrinária da igreja, e está incluído no famoso  Credo dos Apóstolos:  Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra; e em Jesus Cristo um só seu Filho, Nosso Senhor: o qual foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu de Maria Virgem . . . 

Continuamos nossa série de mensagens natalinas, olhando para o Natal de várias perspectivas.

Natal Segundo Mateus: Jesus nasceu como o Rei dos Judeus e do Mundo

Natal Segundo Marcos: Jesus é o Servo do Senhor

Natal Segundo Lucas: Jesus é o Filho do Homem, gente, compassiva, humilde, um de nós, embora também Filho de Deus. 

Natal Segundo João:  João apresenta Jesus como o Filho de Deus, o Verbo que se fez carne.  João nos transporta por séculos e milênios para eternidade passada: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. 

Natal Segundo Jesus: O Natal custou tudo para Cristo.  Ele trocou riqueza por pobreza, humildade por exaltação, servidão por senhorio, morte por vida. 

Agora, começamos voltar ainda mais no tempo para considerar o Natal segundo Isaías. 

Natal Segundo Isaías:  Não é por acaso que Isaías é chamado o “profeta evangélico” por falar mais sobre a pessoa e obra de Cristo do que em qualquer outro livro do Antigo Testamento. Isaías contém duas das profecias mais lindas sobre a vinda do tão esperado Messias, o Salvador do mundo:           

Isaías 7.14 Portanto o Senhor mesmo vos dará sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e lhe chamará Emanuel.           

Isaías 9.6,7 Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Etenidade, Príncipe da Paz . . .  

Gostaria de explorar o significado de Natal Segundo Isaías, começando com o significado do Nascimento Virginal, e depois, dos nomes do “menino que nos nasceu” (mensagem 2). 

A doutrina definida:O Espírito Santo fez com que Jesus fosse concebido no ventre da virgem Maria, sem a participação de qualquer homem, fazendo com que Ele fosse Deus-homem para todo sempre (Lc 1.35)  (Mt 1.18-25  Lc 1.26-35 

(Note que a Bíblia NÃO ensina:

1)    Relação entre Deus e Maria (Lc 1.35 “o poder te envolverá com a sua sombra”)

2)    Não significa um código genético de Deus (1/2 homem, ½ Deus)

3)    Não implica na Imaculada Conceição de Maria (1854; veja Lc 1.47 “o meu espírito se alegrou em Deus MEU SALVADOR”)

4)    Não significa a virgindade perpétua da Maria—uma aberração que contradiz as Escrituras:Mt 1.25, Mc 6.3 irmãos e irmãs conhecidos 

Além de Isaías, encontramos vários textos bíblicos que apontam, direta ou indiretamente, ao nascimento virginal de Jesus.  Alguns dos textos que são mais indiretos:  

Mateus 1.18 E Jacó gerou a José, marido de Maria DA QUAL nasceu Jesus, que se chama o Cristo.

 

Marcos 6.3 Não é este o carpinteiro, filho de Maria . . . “  (não “filho de José” como esperado) 

Lucas 3.23 Ora, tinha Jesus cerca de trinta anos ao começar o seu ministério.  Era, COMO SE CUIDAVA, filho de José . . .  

João 8.41 Vós fazeis as obras de vosso pai.  Disseram-lhe eles: Nós não somos bastardos; temos um pai que é Deus.  (Note a ênfase do grego: Nós, por nossa parte, não somos bastardos (não nascemos de fornicação; o estigma do seu nascimento suspeito pairava sobre Jesus durante toda a sua vida.)

 

Porque Jesus tinha que nascer de uma virgem?  Certamente esse aspecto sobrenatural da nascença dEle já constitui uma prova da sua divindade, desde o momento da concepção.  Mas porque é tão importante?  Vamos descobrir 4 razões porque Jesus precisava nascer de uma virgem.  

I.  Para Cumprir Profecias (Gn 3.15, Is 7.14; Mt 1.22,23) 

A primeira razão e a mais simples é que Jesus nasceu de uma virgem para cumprir as profecias feitas a seu respeito.  Gn 3.15Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência E O SEU DESCENDENTE. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. Note que é a semente DA MULHER e não “do homem” (normalmente “semente” refere-se ao homem.)  Gal 4.4 Vindo, porém a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (não de homem!) 

Embora um pouco enigmático, mesmo assim, econtramos uma primeira “deixa” da parte de Deus de que o Salvador viria de uma mulher e não do homem.  O nascimento virginal seria a maneira mais lógica para isso acontecer. 

Isaías 7.14 Portanto o Senhor mesmo vos dará sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e lhe chamará Emanuel. 

Esse texto é mais direta, e mais polémica.  Há muitas dúvidas: Será que é isso que Isaías tinha em mente quando fez a profecia? Temos que entender um pouco melhor o contexto de Isaías . . .  

(Ler Is 7.1,2, 7, 11, 12)  No livro de Isaíais, cp. 7, o povo de Judá, sob o Rei Acaz, estava em grandes apertos, pois dois inimigos, Israel (Efraim, o Norte) e Síria (Damásco), queriam forçá-lo a lutar contra outro inimigo, Assíria.  Mas Deus não queria que Acaz, rei legítimo no trono de Davi, confiasse em alianças humanas mas sim em Deus.  Por isso proibe a aliança e garante a derrota dos dois reis inimigos vindo contra ele.  No vs. 11 Deus pede para o Rei Acaz pedir um sinal, qualquer sinal, para mostrar Seu poder e garantir a profecia.  O rei recusa, provavelmente pelo fato de que já estava confiando no poder dos homens (Assíria—2 Rs 16.7-9) para livrá-lo dos outros inimigos.   Nesta hora Deus mesmo lhe oferece um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e lhe chamará Emanuel. 

Como essa profecia foi cumprida?  Primeiro, naquele contexto, com o nascimento de algum bebê para uma mulher jovem, solteira naquele momento, talvez de uma forma inesperada ou repentina.  A palavra “virgem” é literalmente “mocinha ou jovem solteira” e não necessariamente uma VIRGEM tendo um filho.  O texto continua dizendo que o SINAL é que, antes desse menino poder discernir bem e mal (vs. 15,16; 12 anos?) ou dizer “mamãe ou papai” (8.4) Deus iria cumprir Sua palavra e saquear Síria e Israel. (8.8,10) 

Muitos questionam como aquela profecia foi cumprida—se só em Jesus, ou se também naquela época.  Creio que ambos têm razão.  No contexto imediato, lemos em 8.3 que o próprio profeta (provavelmente viúvo)  tomou como segunda mulher uma profetisa, que concebeu e deu à luz um filho cujo nome serviria também como sinal: RÁPIDO-DESPOJO-PRESA-SEGURA (Maher-Shalal-Hash-Baz) (8.1,3).  O nome significa que os inimigos de Judá, Efraím e Damásco, seriam rapidamente invadidos, despojados, e cativos, algo que aconteceu 12 anos depois (quando o filho antigiu a maioridade, o discernimento de bem e mal—7.16. 

Esse filho, “Emanuel” (“ Deus conosco”) seria um sinal de que DEUS estava com Judá.  Logo após seu nascimento, Assíria iria invadir Síria e Israel, e durante os anos da sua vida, comeria manteiga e mel, produtos da terra simbólicos de uma terra invadida. 

Mas embutido nesta profecia são dicas de que há um cumprimento mais distante também.  Entendemos essa possibilidade, porque o livro de 1 Pedro (1.10,11) diz que os profetas antigas muitas vezes profetizavam sem compreender todas as implicações das suas profecias.   

Conforme Isaías, a libertação do povo de Deus viria por um menino chamado “Emanuel”, ou seja, “Deus conosco”.  O próprio termo “virgem” que admite da idéia de uma moça solteira mas não necessariamente virgem, foi interpretado no NT como sendo uma virgem mesmo, uma concepção milagrosa que seria um sinal de que Deus estava visitando Seu povo em cumprimento da profecia.  Somente dois capítulos depois, Isaías 9.6 também fala de um menino nascido, mas um menino com poderes extraordinários. Percebemos nas entrelinhas dessas profecias que havia algo mais a esperar, algo sobrenatural e divino para acontecer. 

Mateus 1: 18-25 aplica o texto de Isaías para Jesus, como um cumprimento da profecia.  

A profecia de Isaías cumpriu-se em Jesus, nosso Emanuel.  Deus se fez homem.  Ninguém teria imaginado a possibilidade de um bebê nascendo de uma virgem.  Mas Deus o fez acontecer!

-Deus cumpre Sua palavra!  A vinda de Jesus cumpriu as promessas de que Jesus nasceria como semente da mulher, filho de uma virgem, sui generis, o único do seu tipo na história do universo.  Voltará! 

-Deus tem tudo sob controle.  Essa foi a mensagem para o Rei Acaz nos dias de Isaías.  Continua sendo uma mensage para nós.  Quando nós nos desanimos com as circunstâncias ao nosso redor, podemos ter certeza que Deus tem um plano especial para nós. Deus está conosco!  “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”  E aquele que profetizou a primeira vinda de Jesus também cumprirá sua promessa da segunda vinda de Jesus!  Ele voltará! 

Mesmo assim, porque tinha que ser por uma virgem que Jesus nasceria?  Existe uma segunda razão: 

II.  Para ser o Rei Legítimo no Trono de Davi (Jr 22.30) 

Quando lemos sobre o Natal segundo Isaías, descobrimos que havia muito especial sobre esse menino que iria nascer.  Além de ser “Emanuel” (7.14), Isaías 9.6 diz “o governo está sobre os seus ombros”.  

Vs 7 diz “para que se aumente o seu governo e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre.  O zelo do Senhor dos Exércitos fará isto.”  Em outras palavras, Jesus nasceu para ser o Rei do universo, cumprindo a promessa que Deus fizera a Davi, de que sempre um descendente dele estaria no trono de Israel (1 Sm 7.12,13,16).   

Foi por isso que o livro de Mateus foi escrito, para mostrar que Jesus era o Rei legítimo ao trono de Davi, e que reinaria para todo sempre.  Note como o livro de Mateus começa:   Mt 1.1—Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão . . . Mt 28.18-20 Esse é o propósito do livro de Mateus--apontar para o Rei legítimo de Israel e do mundo.  Para todo judeu, essa genealogia é super importante.  É como os documentos oficiais e reais que provam que Príncipe Charles da Inglaterra tem direito ao trono britânico.  Mateus está estabelecendo diante de todos que Jesus é o herdeiro do trono de Davi, e que nele se cumprem as profecias da Aliança Davídica, ou seja, que um descendente de Davi se assentaria no trono para todo sempre. 

Imaginemos José e Maria no cartório de Belém! Se alguém tivesse tomado o tempo para verificar a linhagem de ambos, teria descoberto algo extraordinário—o carpinteiro Jesus era o herdeiro legal ao trono (no momento, não-existente) de Davi, passando o cetro de pai para filho até ele.  E que Maria, também, vinha de uma linha direto do trono de Davi, com descendência física (Lc 3).  Mas em vez de segurar um cetro em sua mão, tinha uma cerrote.  No lugar da coroa na cabeça, tinha calos nas mãos. 

(O que muitos não sabem é que no ano 70 d.C., todos esses registros genealógicos foram destruídos pelos romanos. Somente alguns anos depois que Jesus nasceu, teria sido impossível provar o direito de qualquer um da tribo de Judá ser o herdeiro legítimo do trono de Davi! Mas uma prova de que Jesus veio na hora certa, na “plenitude dos tempos” Gl 4.4)   

Na genealogia de Jesus em Mateus 1, percebemos que Davi é central. Deus prometera a Davi que o cetro nunca mais sairia da família dele, que seu reino seria eterno: A tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre. (2 Sm 7:16). A coroa seria passada de geração a geração.   (Mt 1.17) 

Nada até aqui necessita um nascimento virginal.  Mas porque o Rei tinha que nascer de uma virgem?  Porque havia um problema.  Sobre um dos descendentes de Davi, o Rei Jeconias, foi pronunciada uma profecia de que nenhum filho (descendente) dele prosperaria, e que nenhum deles reinaria no trono de Davi (Jr 22.24,25,30), ou seja, praticamente uma inversão da profecia de um trono para sempre na linha de Davi.  Como Deus poderia fazer 2 profecias incondicionais opostas?  Registai este como se não tivera filhos; homem que não prosperará nos seus dias, e nenhum dos seus filhos prosperará, para se assentar no trono de Davi, e ainda reinar em Judá.  

Como conciliar essas duas profecias?  Veja o dilema: Por um lado, um filho de Davi reinará para todo sempre.  Por outro, a linhagem “oficial” dos reis, a linha direta ao trono, foi bloqueada.  Qual a solução?  Resposta: O nascimento virginal! Por todos os anos de cativeiro, silêncio, domínio romano, Deus preservava sobrenaturalmente a linha real até Jesus (por si só já constitui um milagre!).  Mas olha o estado em que chegou--o legítimo rei de Israel é José,  pobre carpinteiro, caipira, cujo filho tinha que nascer numa manjedoura!  Não há lugar na Santa Casa de Belém, na clínica gratuita, no pronto socorro, no posto de saúde.         

 A genealogia em Mateus nos mostra como Jesus teria direito ao trono de Israel através do pai adotivo, José.  Não é qualquer pai adotivo.  Tem que ser uma adoção que não inclui uma natureza pecaminosa, para ele ser eterna e capaz de pagar pelos nossos pecados.  Mas a genealogia de Lucas 3.23 mostra como Jesus tinha o direito físico ao trono, pois era descendente de Davi através de outro filho (Natã) e não Salomão.  Heli foi o pai da Maria (3.31,34,38)  Somente o nascimento virginal seria capaz de evitar a maldição e cumprir a bênção na família de Davi!            

-A sabedoria de Deus é incrível!  (Rm 11.33:  Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria, como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis os seus caminhos!)  Não conseguimos decifrar o que Ele está fazendo, mas Ele tem um plano.  Quando tudo parece bloqueado, Ele dá um jeito.  Ele tem uma solução para os dilemas mais difíceis que nós experimentamos!  Podemos confiar na sua sabedoria infinita.            

-Deus é o Deus dos impossíveis (Lc 1.37)—para Deus não haverá impossíveis!.  Não importa a situação em que estamos, Deus consegue resolvê-lo.  Quem crê nesse nascimento virginal não tem problema com nenhum outro milagre que Jesus fez, ou até mesmo com sua ressurreição.  E não terá problema que Deus é capaz de resolver nossa situação também! 

III.  Para ser Homem-Deus  (Lucas 1.26-35) 

O nascimento virginal garante que Jesus é Deus-Homem.  Lucas 1.31-35 Este será grande e será chamado filho do Altíssimo . . . Descerá sobre ti o Espírito Santo e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso também o ente santo que há de nascer será chamado filho de Deus”. 

Em outras palavras, somente uma atuação sobrenatural divina seria suficiente para produzir o Deus-Homem.  Jesus é UMA PESSOA COM DUAS NATUREZAS—DIVINA E HUMANA. 

Jesus não TROCOU sua divindade por humanidade, mas ele ACRESCENTOU humanidade a sua divindade, sem mistura, sem confusão, e voluntariamente deixou de exercer alguns privilégios da sua divindade enquanto na terra . . . Sua divindade foi perfeitamente mantida, junto com perfeita humanidade, uma união perfeita numa única pessoa para todo sempre.  E Jesus será homem, como nós, para todo sempre!  Que preço ele pagou para nossa redenção!  O fato do nascimento virginal traz consigo algumas implicações quanto à Pessoa de Jesus 

1.  Jesus é Deus—santo, justo, sem pecado!  2 Co 5.21 (1 Pe 2.22; Hb 7.26,27)Para ser Deus-Homem Ele não podia ter uma natureza pecaminosa = Nascimento Virginal.

Isaías 7.14—Deus conosco (Emanuel)! 

Isaías 9.6 Deus forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz 

Jo 1.14 E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos sua glória, glória como do unigênito do Pai. 

Depois de vários afastamentos da presença de Deus do seu povo, no fim, conforme as muitas profecias, Deus se aproximou de novo.  Só que essa vez de forma radicalmente diferente.  Não iria habitar em tabernáculos feitos por mãos humanas, mas para “tabernacular” em pele humana.  “Emanuel”—Deus conosco!  O Criador se tornou uma criatura.  O Infinito se limitou.  Deus se fez também homem, para sempre (Jo 3.16) 

O fato da encarnação de Deus num corpo humano deve inspirar em nós o que gosto de chamar a “Sindrome da Boca Aberta”.  Quem pode compreender o fato do Criador do universo, aquele que mantém planetas e galáxias no espaço, que vê e controla os movimentos de átomos e partículas sub-atómicas, assumindo carne humana em forma de um bebê?  Quem consegue sondar o significado deste Criador Onipotente, deitado numa manjedoura, nascido entre animais, palha, moscas e esterco? 

O nascimento virginal tornou possível a união de Deus e homem para todo sempre!  Ele é Deus, mas Ele é gente! 

2.  Jesus é gente.  Num sentido real, ele é um de nós!  Ele também foi enxertardo nesta árvore genealógica da humanidade (Note que Lucas traça sua história até Adão!—filho de homem, filho de Deus) 

Hebreus diz que, pela realidade da humanidade de Jesus, ele realmente é capaz de compadecer-se de nós: (Hb 2:14, 17; 4:15).  Ele entende.  Ele sabe.  Alguém neste universo realmente me entende!  Ele foi tentado como nós até o final do poder da tentação!  Experimentou toda a força da tentação, pois nunca se entregou!  Por isso Ele hoje é capaz de interceder por você e por mim!  (Hb 7:25) 

IV.  Para poder morrer pelos nossos pecados 

De fato, no devido tempo, quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios. Dificilmente haverá alguém que morra por um justo, embora pelo homem bom talvez alguém tenha coragem de morrer. Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores (Rm 5.6-8) 

1 Tm 2.5 Tinha que haver um mediador que podia juntar um Deus santo e o homem pecador!   

Hb 2.17  Para ser sacerdote para o homem, tinha que ser homem.  Para representar o homem diante de Deus, tinha que ser Deus! 

Hb, 9.22 Para Deus derramar sangue, tinha que ser homem.  Para o homem morrer uma morte infinitamente eficaz, tinha que ser Deus. 

O nascimento virginal juntou a perfeita e infinita divindade de Jesus com a fraqueza e mortalidade de um corpo humano.  Em outras palavras, se Jesus tivesse nascido como Adão, produto direto da mão criativa de Deus, sem pecado, feito para viver eternamente, não podia morrer (assim como Adão).  Só poderia morrer se pecasse.  Mas Jesus não podia pecar.  Então teria sido impossível ser o nosso Redentor.  Mas se Jesus fosse o produto de dois seres humanos, a natureza pecaminosa teria passado para ele.  (Embora há muito debate, a transmissão da natureza pecaminosa parece passar pelo homem, de pai para filho.)  Nesse caso, ele não poderia morrer por NOSSOS pecados, pois Ele mesmo teria uma natureza pecaminosa.  Em outras palavras, o nascimento virginal foi a única maneira pela qual Jesus podia ser humano, sem pecado, capaz de morrer, e Deus, santo, justo, mas cuja morte teria valor infinito, suficiente para pagar o preço dos nossos pecados! 

Então, Jesus nasceu na sombra da cruz, um símbolo de morte que se tornaria um símbolo para nós de vida!  Jesus nasceu para morrer para que nós mortos pudéssemos viver!  Ele morreu em nosso lugar, e sofreu a maldição que nosso pecado merecia: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro” (Gl 3:13, Dt 21:23).  A morte e ressurreição de Jesus abriram um livre acesso à árvore de vida, que um dia todos nós comeremos na Nova Jerusalém. 

2 Co 5:21 Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós, para que nEle fossemos feitos justiça de Deus. (cf. 1 Pe 2:24)  

Conclusão:  Porque Jesus tinha que nascer de uma virgem?  Para cumprir as profecias.  Para ser o rei legítimo ao trono de Davi.  Para ser Deus-homem.  Para poder morrer pelos nossos pecados.  Apesar do escândalo, apesar da confusão, louvemos a sabedoria infinita de Deus.  Só podemos dizer com o Apóstolo Paulo em 2 Co 9:15

Graças a Deus pelo seu dom indescritível—Jesus, o Deus-homem!