O Que Está Num Nome? Natal Segundo Isaías II (Is 9.6)

O Que Está Num Nome? Natal Segundo Isaías II (Is 9.6)

Pr. Davi Merkh 

O que está num nome?  É assim que Julieta pergunta para Romeo na peça por  William Shakespeare. “O que está num nome?  Uma rosa com qualquer outro nome teria a mesma doce fragrância.” 

O que está num nome?  Por um lado, temos que concordar com Julieta.  O nome em si não modifica absolutamente nada no objeto nomeado.  Mas por outro lado, nomes são muito importantes, se não para modificar, sim, para identificar.  A palavra “rosa” distingue a flor e sua fragrância de “n” outros objetos. 

O nome não modifica, mas certamente revela algo, se não sobre a pessoa nomeada, pelo menos daquele que dá o nome.  Certa feita estive em Goiânia e li uma reportagem sobre nomes curiosos registrados em cartório.  Por exemplo:

Agrícola Beterraba Areia Leão              Chevrolet da Silva Ford           

Esparadrapo Clemente de Sá               João Cara de José           

Marciano Verdinho das Antenas Longas           Sete Rolos de Arame Farpado 

Quando pensamos na história do Natal, descobrimos que nomes, sim, são muito importantes.  Os vários relatos do primeiro Advento destacam os nomes dados para o infante Rei, e o identificam:           

Mt 1.21Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles.  (Jesus significa “Deus salva” ou “Deus é salvação”.  Interessante, que cada vez que Maria ou José chamavam Jesus, estavam proclamando o Evangelho!)           

Lc 1.31Eis que conceberás e darás à luz um filho a quem chamarás pelo nome de Jesus.  Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai. 

Entendemos na Bíblia que quando Deus dá nome para alguém, é para identificá-lo, pelo seu CARÁTER.  “Proclamar o nome do Senhor” (Gn 4.26) significa declarar os ATRIBUTOS de Deus.  Falar “em nome de Jesus” significa falar conforme o CARÁTER de Jesus, falar como Ele falaria.    

A beleza da Pessoa de Jesus é identificada nas Escrituras por muitos nomes e títulos.  Nenhum, por si só, é capaz de capturar todos os aspectos do seu Caráter.             

Cristo (ungido)            Filho de Deus     Filho do Homem            Leão da Tribo de Judá              Estrela da Manhã        Lírio dos Vales    Alfa e Ómega               O Verbo                                    A Raíz de Davi            A Semente da Mulher                               O Rebento de Jessé                 A Porta das Ovelhas   O Bom Pastor      A Ressurreição e a Vida     O Rei dos Judeus

Pão da Vida                 Pedra Angular     Sabedoria de Deus      Rei dos Reis                             Senhor dos Senhores  Cordeiro de Deus                                 Videira Verdadeira                   Autor e Consumado da Fé 

Estamos analizando “O Natal Segundo  Isaías”, o profeta evangélico do VT.  Isaías contém duas das profecias mais lindas sobre a vinda do tão esperado Messias, que descrevem os NOMES do menino salvador de Israel e do mundo, como encorajamento e consolo para o povo de Deus:           

Isaías 7.14 Portanto o Senhor mesmo vos dará sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e lhe chamará Emanuel.           

Isaías 9.6,7 Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Etenidade, Príncipe da Paz . . .  Gostaria de explorar o significado de Natal Segundo Isaías, estudando os 5 nomes que ele dá para o menino que nos nasceu: Emanuel, Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.   

I.  Emanuel: Deus Conosco (Is 7.14, Mt 1.23) 

Um dos nomes mais bonitos dados para Jesus é “Emanuel” em Is. 7.14 e citado em Mt 1.23. 

Quando o profeta deu esse nome para o menino nascido de virgem, o nome servia como encorajamento para o povo de Judá sendo ameaçado por dois exércitos ferozes prontos a destrui-lo.  Mas o sinal do menino nascido de uma virgem seria como encorajamento de que Deus não se esqueceu do Seu povo. 

Interessante que, fora a citação em Mateus 1.23, Jesus nunca é chamado pelo nome “Emanuel”.  Mas esse aspecto do seu ser está sempre presente.  As últimas palavras do livro de Mateus ecoam esse fato: Ide, faze discípulos de todas as nações . . . E EIS QUE EU ESTOU CONVOSCO TODOS OS DIAS, ATÉ A CONSUMAÇÃO DOS SÉCULOS.  “Estou convosco” = Emanuel! 

Durante a história, a presença de Deus com Seu povo é um tema marcante . . . Deus andava com Adão e Eva no Jardim, mas o pecado deles os afastou da Sua presença. Deus voltou a habitar com Seu povo anos depois, à distância e atrás do véu, no tempo do Tabernáculo e do Templo Salomônico.  Mas afastou-se novamente no tempo do Exílio, devido à extrema idolatria e imoralidade do povo. Foi se retirando do Templo, da cidade santa e do povo de Deus.  E quando saiu, o exército babilônico entrou.   Passaram-se 400 anos de silêncio, até que Deus voltou, só que, numa forma inesperada e inédita—numa “tenda” de carne (a encarnação = a “em-carne-ação” de Deus). 

João 1.14 destaca a mesma idéia: E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.   

Quando Jesus assumiu a natureza humana, foi algo definitivo, sem retorno. A partir do momento que ele invadiu o útero de uma jovenzinha chamada Maria, ele sempre seria homem E Deus  Ele sempre será um de nós, Deus conosco.  E por causa da Sua obra na cruz, temos a certeza, conforme Apocalipse 21.3, de que algum dia, O tabernáculo de Deus (será) com os homens.  Deus habitará com eles.  Eles serão povos de Deus e Deus mesmo estará com eles.  E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.  E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas.  E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras.  Disse-me ainda, “tudo está feito.  Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim . . .  (21.2-6). 

O homem por si só nunca poderia “re-ligar-se” a Deus.  Deus tinha que vir ao seu encontro.  Jesus Cristo, Emanuel, desceu do céu para estar conosco, gente como nós, para nos aproximar novamente a Deus.  Nunca estou sozinho!  Nunca serei abandonado!  Hb 13.5,6 De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonari.  Assim, afirmemos confiantemente: O Senhor é o meu auxílio, não temerei; que me poderá fazer o homem? 

II.  Maravilhoso Conselheiro (Is 9.6) 

O povo havia sido aflito pelo rei da Assíria.  Os povos do norte sofreram terrivelmente.  Alguém iria libertá-los (vss.2, 4).  Mas quem? O texto descreve a identidade do Emanuel que iria socorrer seu povo, libertando-o das trevas.  Os termos descrevem o futuro Rei de Israel, governador do mundo, que reinará no Milênio e por toda eternidade no trono de Davi.  “Um menino nos nasceu, um filho se nos deu”-- para tomar o lugar do Rei Acaz e todos os outros reis falhos.  Ele assumirá o governo (sobre seus ombros).  Ele é qualificado para governar, como seus nomes indicam. 

O segundo nome dado por Isaías a Jesus é “Maravilhoso Conselheiro”.  É o primeiro de quatro nomes “duplos” no texto.  Alguns colocam uma vírgula depois de “Maravilhoso” (Atualizada; cp. NVI), mas parece melhor entender um nome composto ou até hifenado.   

A palavra “maravilhoso” de fato não é nem um adjetivo mas um substantivo—“Maravilha”.  Ele é maravilhoso porque ele é uma maravilha.  Ele não é somente “extraordinário”, excepcional”, incrível, maravilhoso, mas Ele É uma maravilha em si!  O menino que tem o governo sobre seus ombros é uma Maravilha!  Ele é “sui generis”—único—por ser Deus-homem em uma só pessoa, algo incompreensível e inédito.  Como o único que tem as palavras da vida, da sabedoria de Deus, Ele será um governador (conselheiro) sem igual. O mesmo termo foi usado em Juízes 13.18 (Manoá depois da profecia sobre o nascimento de Sansão) que diz, Respondeu-lhe o Anjo do Senhor e lhe disse: Por que perguntas assim pelo meu nome, que é maravilhoso? 

Is 25.1 Ó senhor, tu és o meu Deus; exaltar-te-ei a ti, e louvarei o teu nome, porque tens feito maravilhas, e tens executado os teus conselhos antigos, fiéis e verdadeiros. 

Is 28.29 O Senhor dos Exércitos é maravilhoso em conselho e grande em sabedoria. 

Is 29.14 Continuarei a fazer obra maravilhosa no meio deste povo; sim obra maravilhosa e um portento; (cf Sl 119.29 (admiráveis), 77.12 (prodígios) 89.5 maravilhas  Ex 15.11 

[Como curiosidade, é interessante notar que a palavra hebraíca para “maravilha” aqui é “Pelé”!  A idéia do termo é que Jesus faz coisas incríveis (assim como Pelé,).  Mas as “fitas” do Pelé não são dignas de comparação com as maravilhas que Jesus faz na vida dos seus seguidores.] 

Mas com o termo “Conselheiro”, significa que Ele é uma Maravilha de Conselheiro ou de Líder.  Seus conselhos são fenomenais, e dão certo. A palavra “conselheiro” se refere a Ele como sendo um Administrador, um Líder, que orienta e direciona Seu povo. 

Ele é nosso Guia Perfeito; Ele ilumina nossos caminhos pela sua sabedoria.  Ele é a sabedoria de Deus.  Nele são ocultos todos os tesouros da sabedoria (Col 2.3).  Cada decisão que Ele toma será provada certa.  Por isso, o governo está sobre seus ombros.  Podemos confiar nEle.  Podemos segui-lo.  Devemos sempre buscá-lO primeiro—antes dos outros conselheiros, antes dos livros de auto-ajuda e seus conselhos fajutos. 

III.  Deus Forte 

O próximo nome deixa claro que esse menino não é nada mais, nada menos, que o próprio Deus.  “El-Gibor” descreve Jesus como sendo o próprio Deus (“El”), poderoso Deus, nosso verdadeiro herói.   Ele é um menino, mas ele é Deus.  Ele é um bebê, mas é o Criador do mundo.   

Como Deus forte, Ele tem o poder para executar Seus planos maravilhosos!  Em uma só pessoa, temos o poder legislativo, o poder judiciário, e o poder executivo do universo convergindo!  Ele faz leis perfeitas, passa leis perfeitas, e executa as leis perfeitas!  Para um governador humano, esse conjunto de poderes culminaria numa ditadoria horrível.  Mas quando se trata do Deus vivo, não há nada melhor! 

O termo “Gibor” foi usado de grande homens valentes, de força, libertadores, heróis de verdade.  Para nós, seria uma mistura de Super-Homem, Batman, Homem-aranha em uma pessoa. 

O fato de que Jesus é “Deus Forte” ao mesmo tempo que Ele é Emanuel nos traz MUITO consolo!  É como se tivessemos sempre conosco o maior Guarda-Costas do universo!  Um “irmão mais velho” vigiando para nos proteger.  Maior aquele que está em nós do que aquele que está no mundo (1 Jo 4.4).  Se Deus é por nós, quem será contra nós?  (Rm 8.31)  Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim.  No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo (Jo 16.33). Tudo posso, nAquele que me fortalece (Fp 4.13).   

IV.  Pai da Eternidade 

O quarto termo apresenta algumas dificuldades.  Parece confundir as Pessoas da Trindade.  Como pode o Filho também ser o Pai?  Mas o termo descreve seu relacionamento para com o tempo, não para com os outros membros da Trindade.  A idéia aqui é que Ele é a Origem, o Autor, da Eternidade.  Ele é eterno, e deu origem a tudo que é eterno.  Por isso, Seu reino não terá fim!  Não há medo de um golpe de estado para derrubá-lo.  Não pode haver um assassinato.  Nenhuma doença o tomará do trono.  Não há perigo de que não será eleito para um segundo mandato.  Não haverá nunca a necessidade de um governo de transição.  Leis passadas em sua administração continuarão em vigor para todo sempre!  Por ser Ele justo e compassivo, será um reino perfeito para todo sempre.  Ele é como um pai para seu povo.  Ele os protege.  Ele supre suas necessidades.  Ele os consola e conforta. 

Note o paradoxo:  Ele é um menino, mas Ele é um Pai eterno!  Ele nasce, mas Ele é eterno!  Ele é Deus, mas Ele se reduziu para nosso nível para nos resgatar.  Encontramos essa idéia mais tarde no livro, em Is 57.15 Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos atritos. Ele é o defensor do sem-defesa.  O provedor do sem-sustento.  O pai do órfão, o marido da viúva.  Ele favorece e cuida do humilde e quebrantado, porque mesmo sendo Pai Eterno, ele sabe o que é ser humilde e desprezado. 

V.  Príncipe da Paz 

O último nome é bem conhecido por nós pelo Novo Tesamento.  Jesus é um Principe, e Seu reino é caracterizado por Paz.  Não pode haver resistência, conflito, rebeldia que não seja imediatamente esmagado.   

Miqueias 5.2,4,5

Para ser o Príncipe da Paz, ele precisa acabar com o pecado.  Desde a entrada do pecado no mundo, conflito tem marcada a raça humana.  É por causa do pecado que não temos paz.  Aprendemos em Gênesis que quando o pecado entrou, o homem perdeu paz com Deus—teve medo e escondeu-se.  Perdeu paz na família (conflito entre Adão e Eva, e Caim matou Abel).  Perdeu paz com o meio-ambiente (morte entrou, animais morreram, o mundo começou a deteriorar e gemer—Rm 8.19-22).  Perdeu paz consigo mesmo, pois agora sente culpa e alienação dos propósitos pelos quais Deus o criou. 

Mas o Príncipe da Paz inverteu tudo isso!  Efésios 2.14 diz, Ele é a nossa paz . . . que derrubou a parede da separação que estava no meio, a inimizade . . . para que dos dois criasse em si mesmo um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade. E vindo, evangelizou paz a vós outros que estáveis longe, e paz também aos que estavam perto, porque, por ele, ambos temos acesso ao pai em um Espírito. 

Os príncipes deste mundo estabelecem seus reinos pela guerra e opressão.  Mas Jesus estabelece seu reino pela instituição e expansão da paz. João 14.27 Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo.  Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.  João 20.19, 21 “Paz seja convosco!” Rm 5.1 Tendo sido justficados pela fé, temos paz com Deus As Epístolas declaram unanimemente: “Graça e paz a vós outros . . .” 

Note vs. 7para que se aumente o seu governo e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sbore o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre.  O zelo do Senhor dos Exércitos fará isto.   

Os governos deste mundo tendem a diminuir.  Mas o governo deste Príncipe aumentará mais e mais, de glória a glória.  Enquanto seu governa aumenta, aumenta também a paz.  O governo deste Príncipe continuará para todo sempre.  Imagine!  Viveremos em perfeita paz para todo sempre.  Não haverá mais conflito familiar--entre marido e esposa, pai e filho, irmão e irmão.  Não haverá mais atrito entre patrão e empregado, entre vizinhos, entre policiais e criminosos, entre governo e seus cidadãos.  Não haverá mais guerra entre países ou dentro de países.  

 Essa paz Jesus continua oferecendo para todos que o abraçam como Senhor e Salvador de suas vidas . . .  

Conclusão:  O que está num nome?  Quando se trata do Filho de Deus, Jesus, muito.  Por qualquer outro nome, Ele seria o mesmo, mas nós perderíamos muito do sentido do Natal.  Em Isaías, Ele é Emanuel, Deus conosco; Maravilha de um Conselheiro; Deus Forte; Pai Eterno; Príncipe da Paz.