Natal Segundo Mateus (II):

Natal Segundo Mateus (II):

Adoração Verdadeira (Mt 2:1-12, 16-18) 

Pr. Davi Merkh

Natal é uma época de contrastes:           

Altruismo (generosidade)   vs.  Materialismo           

Alegria vs Depressão (suicídio)           

 Reuniões familiares vs. Solidão      

Paz no coração  vs. Guerra no mundo 

Quando voltamos para o primeiro livro do NT, descobrimos no Natal Segundo Mateus que sempre foi assim. 

O Natal faz separação entre os homens como grande peneira da humanidade!  Assim como a Páscoa, revela os nossos corações, as intenções e as motivações.  Acima de tudo, revela o Deus (ou deus) a quem adoramos.  Descortina nosso coração para mostrar se há um outro deus escondido no nosso interior. Mateus tem uma perspectiva do Natal, diferente dos outros evangelistas, que reflete seu propósito no primeiro evangelho.  Mateus vê Jesus como o cumprimento de todas as profecias do VT, o Rei de Israel mas também o Salvador do mundo.  Por isso ele começa com uma genealogia que prova esse fato logo de cara.   No capítulo 1 fizemos 5 observações dos “enfeites” na árvore genealógica de Jesus:

1) Jesus é gente

2) Jesus é rei (filho de Davi)

3) Jesus é bênção para todas as nações (filho de Abraão)

4) Jesus é fruto e fonte da graça de Deus (a graça de Deus interrompe na história e inicia novos legados)

5) Jesus é clímax da história (plenitude dos tempos; 3 épocas: patriarcas, reino unido e dividido, cativeiro; 3 x 14; o sétimo sete) 

A lição principal que aprendemos é que Jesus é a fonte de graça real para o mundo inteiro! 

Mas o Natal segundo Mateus é mais.  Esses fatos sobre a identidade de Jesus não são neutros.  Exigem uma resposta!  Não podemos ficar acima da cerca—precisamos tomar uma decisão.  Por isso, em Mt 2:1-12, descobrimos que A identidade de Jesus como Rei e Salvador do Mundo exige adoração verdadeira!  Em outras palavras, para celebrarmos o Natal, conforme Mateus, temos que nos tornar adoradores sérios de Deus através de Jesus Cristo. 

De fato, é isso que o Pai procura . . . João 4:23 diz, “Vem a hora, e já chegou, quando os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores.”  

A pergunta me vem a mente, e que tem me cutucado muito: Será que eu sou um adorador verdadeiro?  Será que o espírito natalino toma conta de mim de tal maneira, que meu coração transborda de louvor a Deus?  Ou será que eu estou “brincando” de igreja?  Brincando de louvor?  Mais interessado no entretenimento, no “show”, nas novidades, nas pessoas, nos enfeites, nas cantatas, nos presentes, do que na adoração verdadeira do Deus que se fez carne? 

Assim como o Natal é um feriado cheio de contrastes, o NATAL SEGUNDO MATEUS também nos mostra 4 contrastes entre adoração verdadeira e adoração falsa. 

1.  Adoração Verdadeira Busca a Deus Sinceramente (2:1-8) 

A.    Os Magos: (2:1,2)

Mitos sobre os Magos:

*Eram três (provavelmente muita gente, inclusive soldados, servos, etc. Imagine o impacto em Jerusalém quando a procissão desses dignitários chegou!) 

*Eram reis (os nomes pelos quais os conhecemos parece que foram designados na idade média): Casper, Baltazar, Melquior; provavelmente uma classe de sacerdotes /políticos /astrólogos/astrónomos /mágicos) (A tradição de que eram reis possívelmente originou-se no tempo de Tertuliano, 225 d.C) 

*Chegaram na estrebaria para adorar o bebê (vs. 11: entrando em casa, viram o menino) 

*Viajaram por camelo (nada no texto indica isso) 

*Seguiram uma estrela o tempo todo (provavelmente apareceu e desapareceu—vs. 2 vimos a sua estrela no Oriente . . . vs 9 a estrela que viram no Oriente os precedia . . . e vendo eles a estrela, alegraram-se com grande e intenso jubilo.) 

O que sabemos sobre os magos: 

Conforme 2:1, vieram do oriente (Pérsia? Babilônia?) 

*Vieram de Babilônia ou Pérsia, entre 900 e 1600 km (seria como descer de Vitória ou Recife para São Paulo)-Viagem de meses, talvez mais de 1 ano-Grande despesa-Pouca informação, muita fé arriscada Os magos seguiam uma trilha de migalhas por mais de 900 km até Belém, a “Casa de Pão”, onde encontraram o Pão da Vida! 

*Provavelmente foram influenciados pela dispersão dos judeus, desde Daniel, e profecias messianicas, esp. Nm  24:17 sobre a Estrela de Jacó *Eram fazedores de reis, gentios com influência e poder, interpretadores de sonhos, etc. 

Conforme 2:2, perguntavam (o tempo do verbo implica diligência, procura, entrevistas até encontrar seu objetivo)  Provavelmente imaginavam que todo mundo em Jerusalém saberia a resposta.  Imagine a decepção e desânimo, quando ninguém dava bola para eles! 

Algo estava errado! Propósito: “Viemos adorá-lo.”  (Obs.: eles o chamam o “rei dos judeus”, frase que  nos lembra de 27:37 e a placa sobre a cruz) 

O que aprendemos dos magos sobre adoração?  Adoração é um verbo!  É ativa, progressiva, em direção a Deus!  Exige esforço, trabalho, diligência.  Nosso Deus é um grande Rei!  Quanto esforço é necessário para nós na adoração?  Sempre somos atrasados para o culto público?  Chegamos de qualquer jeito?  Pensamentos a mil por hora?  Será que nos preparamos no sábado a noite?  Apresentamo-nos diante de um Grande Rei?  Pegamos no sono diante da explicação das instruções do Rei para minha vida?   

B.    Herodes e os Judeus:  Indiferença, apatia, hipocrisia: 2:4-8

 *O oposto de buscar a Deus não é fugir de Deus, mas de ficar indiferente a Deus!  Anestesiados pela verdade! 

*Note o contraste com os magos—os líderes religiosos sabiam aonde o Rei nasceria—somente 8-9 km de Jerusalém, mas eles nem se esforçaram para investigar a possibilidade de que o Rei nascera!           

*Eles tinham muita informação, mas pouca fé!  Os poderosos em Jerusalém eram tão satisfeitos consigo mesmos, que nem desceram até a “Casa de Pão”, enquanto os magos, com pouquíssima informação, viajaram 900 km! 

Cp. Malaquias!  Indiferença e hipocrisia do povo na adoração leva para silêncio; por isso Deus falou pela primeira vez aos magos GENTIOS! 

Hipocrisia significa dar toda a aparência de ser um adorador verdadeiro, como Herodes, enquanto o coração está distante de Deus!  Brincar com Deus, para agradar aos homens . . . fechar os olhos, frequentar os cultos, fazer tudo certinho, mas sem coração. 

Com tempo, indiferença e hipocrisia leva a rejeição e oposição! Será que eu busco a Deus?  Será que eu me preparo para adorar a Deus?  Será que a adoração ficou rotineira?  Será que minha presença diante do Rei Jesus se tornou algo comum, barato?  Simplesmente mais um afazer na minha lista de tarefas?  A maneira que eu ocupo meu domingo?            Será que vou à igreja mais interessado em . . .                        

*novidades da construção                   *projetos e campanhas                                   *entretenimento/show                         *amigos                       

*roupa, moda                                      *programas legais 

Jr 29:13 “Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração” 

2. Adoração Verdadeira Alegra-se Sobremaneira em Deus (2:1, 3, 9, 10, 16) 

A.     Os Magos: (2:1, 9, 10) 

Observe 2:1—o espírito de antecipação, ânimo, expectativa: Será que sua busca durante todos aqueles  meses, comendo o pó da estrada, dormindo sobre pedras, deixando os confortos de casa, família, etc. valeu a pena?  Éram tolos?  Saíram em vão?  NÃO! 

Note em 2:9, 10 os superlativos, enfático!  (Sobre a estrela—talvez seja o shekina, a glória da presença do Senhor: Ex 13, Lc 2:9) acompanhando-os.  Não sabemos se eles seguiram a estrela, ou se a estrela simplesmente apareceu para eles (vs. 2) e desapareceu (parece que, numa altura da viagem, havia desaparecida).  Eles, pela fé, haviam viajado desde o Oriente até a capital de Israel, Jerusalém, onde era de esperar que um Rei dos Judeus teria nascido.) 

Qual o motivo da alegria?  Confirmação de que sua fé fora depositada na verdade. Pela graça de Deus derramada sobre eles, estrangeiros, gentios, e apesar dos deméritos.  Gratidão pela revelação da verdade.   

A verdadeira adoração parte de corações tomados de grande alegria—alegria não motivada por circunstâncias, mas pela verdade.  “Em espírito e em verdade” implica nesse regozijo—sabendo que nosso futuro é certo, que Deus é nosso Guia, que Ele interviu na história humana para nos salvar, que se Deus é por nós, não importa quem será contra nós.  Que não merecemos Sua graça, mas mesmo assim Ele nos aceita. 

B.    Herodes e os Judeus—Exatamente o oposto!  O Natal provoca reações extremas!

 2:3 Alarmou-se o rei Herodes  

Por quê?  Ele se sentia ameaçado!  Sua posição, estatus, fama. Esse homem foi caracterizado pela sua paranoia!  (40 a.C. Otávio e Antônio o declararam como rei dos judeus . . . sendo ele um Idumeu (de Edom), não judeu.  A história relata que matou seu cunhado Aristobulo, o sumo sacerdote (afogado); a sogra; sua própria esposa Mariamne, herdeira real judia . . . e que matou dois filhos prediletos, Alexandre e Aristobulo; talvez matou terceiro filho 5 dias antes da sua própria morte. 

2:3 e com ele toda a Jerusalém (alarmou-se). . . Por quê?  Porque quando o Rei Herodes estava de mal-humor, todos iriam sofrer.  Dizem que ele matou os líderes principais do povo quando ele faleceu para garantir que haveria choro no seu velório.   Herodes não se preocupava muito em identificar com exatidão seus inimigos. 

2:16 Herodes enfureceu-se contra Deus!  Não fora iludido pelos magos, mas por Deus, pois foi Ele que advertiu os magos, que fugiram.   Estava lutando contra os propósitos de Deus no primeiro Natal. 

O contraste é nítido!  Os gentios pagãos alegram-se, pois o shekina de Deus apareceu para Eles, e eles vão encontrar o Messias.  Mas Herodes e o povo ficaram com medo e depois raiva, pois poderiam perder posição, conforto, etc.  E depois, tentou matar o Messias! 

O Natal é alegria para alguns, ameaça para outros!  Alegria pela graça de Deus extendida até nós, que não éramos o povo de Deus.  Ameaça, pois revela que somos pecadores indignos.  Tira-nos do pedestal. Como está sua alegria em Deus?  Sua satisfação nEle?  Sua adoração depende de circunstânticas ou de soberania?  De graças a serem recebidas, ou da graça já derramada?  

3.  Adoração Verdadeira Humilha-se Solenemente Diante de Deus (2:11, 13, 16) 

A.     Os Magos: (2:11) Note sua profunda admiração, reverência, respeito.  Mesmo sendo nobres, consideravam-se como crianças.   Esses homens eram fazedores de reis, mas curvaram-se diante de um menino com semanas ou meses de idade! 

O verbo “prostrando-se” significa que caíram diante dele, e o verbo “adoraram” a mesma idéia—rostos no chão se humilharam solenemente diante DO MENINO, não de sua mãe! O sinal de um homem realmente grande aos olhos de Deus é que percebe mais e mais sua pequenez, sua falibilidade, sua incapacidade, sua carência.O sinal de uma igreja realmente grande é que se considera menos e menos digna da bênção de Deus.Jo 3:30—João Batista, considerado o maior entre os homens, pois seu lema era, “Convém que Ele cresça, mas que eu diminua.”           

Houve reconhecimento de que Jesus era muito mais que um Rei dos judeus.  Afinal de contas, não se ajoelharam diante de Herodes, considerado o rei atual dos judeus!  Esses gentios sabiam algo que os outros não sabiam! 

A verdadeira adoração exige uma comparação—não com outras pessoas, mas entre nossa fraqueza e a majestade de Deus! 

B.    Herodes (2:8, 13, 16)—Exalta-se como Deus!  (Tenta matar o Messias!)Note sua incredulidade.  Paranoia.  Orgulho.  Arrogância.  Prepotência.  Tudo para preservar seu poder. 

Será que nós chegamos na igreja para nos humilhar diante de Deus, ou para mostrar para Ele como somos bonzinhos?  Chegamos porque somos extremamente carentes de sua graça, ou para mostrar-Lhe como somos dignos da sua bênção?  Chegamos para ouvir, ou para falar?  Compare o publicano e fariseu em Lucas 18!  O fariseu, posto em pé, orava DE SI PARA SI MESMO desta forma, “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano . . . O publicando . . . não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo, Ó Deus, sê propício a mim, pecador!  Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado.”  

4.  Adoração Verdadeira Oferece-se Sacrificialmente Para Deus (2:11, 16) 

A.     Os Magos: (2:11) Eles fazem um sacrifício para adorar!  Não porque Deus é pobre, mas como reconhecimento de que Ele é o dono de TUDO!  Que só pela graça dEle é que temos o que temos.  (Cp. Davi: não oferecerei o que não me custou nada.) 

Os presente que oferecem são sinais de realeza, divindade, morte . . . caros, preciosos (talvez sustentaram a família no Egito) A resposta bíblica ao Natal é OFERTA!  Jo 3:16Deus amou o mundo de tal maneira que DEU!)  Os magos DERAM!  2 Co 9:15Graças a Deus pelo seu dom inefável” (contexto: oferta na igreja como resposta a GRAÇA!  Recebemos de graça, demos de graça!  (cf. 2 Co 8:4, 6, 7, 9, 16, 19; 9:8, 11, 14, 15).  A resposta bíblica à graça de Deus é oferta de graça para outros!Cp. Os de Macedônia—primeiramente se ofereceram a Deus 2 Co 8:5 

Assim como o Natal em Lucas exige o CANTO, e o Natal em João nos leva para símbolos de VIDA e LUZ, o Natal em Mateus exige ADORAÇÃO com OFERTAS. O que eu oferecerei para Jesus neste Natal?  Não para ser mais abençoado por Ele, mas pelo fato de que Ele já me abençoou.   

B.    Herodes: Opõe-se contra Deus!  (2:16) Quem se agarra em sua posição, seus bens, acaba não ofertando para Deus mas protegendo o que tem, ao ponto de lutar contra Deus!  Usa suas armas para combater a verdade, que ameaça seu status quo!           

Veja a depravação do coração humano que não busca a Deus, que enfurece-se contra Deus, que se exalta contra Deus, que não oferece-se para Deus.  A alma mesquinha secará.  Acaba no fundo da crueldade, matando nenéns inocentes a sangue frio! 

Conclusão: 

Neste Natal, não fique entre aqueles que experimentam o lado ruim dos contrastes de Natal . . .  O que todos esses elementos da adoração verdadeira têm em comum?  DEUS!           

 Busca A DEUS sinceramente           

Alegra-se EM DEUS sobremaneira           

Humilha-se DIANTE DE DEUS solenemente                

Oferece-se PARA DEUS sacrificialmente 

Adoração verdadeira está sempre focalizada em DEUS e não em nós.  E tem como foco a pessoa de Jesus.  Os magos buscaram a Deus na pessoa de Jesus.  Alegraram-se em Deus quando foram guiados até Jesus.  Humilharam-se diante de Deus quando se prostraram diante de Jesus.  E sacrificaram-se quando deram ofertas para Jesus.  Adoração verdadeira chega diante de Deus pela Pessoa de Jesus. 

Idéia: Adoração verdadeira vem pela busca humilde de Deus com ofertas de louvor.