Cristo: A Glória do Natal

Cristo: A Glória do Natal

Pr. Davi Merkh 

Por que celebramos o Natal?  Será que é simplesmente mais uma desculpa para explorarmos impulses consumistas e capitalistas?  Será que nós cristãos engolimos tradições pagãs sem perceber?  Será que nossa celebração de Natal não passa de uma festa pagã?  Será que Natal é tão importante para justificar cantatas, enfeites, luzes, ceias, festas, mensagens especiais, e muito mais? 

Gostaria que refletíssemos sobre Cristo, a Glória do Natal.  Literalmente.  Na minha reflexão sobre os relatos natalinos bíblicos, tenho defrontado com uma palavra que, de certa maneira, resume a importância do Natal.  A palavra “glória”.   

A glória de Deus está intimamente associada ao Natal.  E essa glória provoca expressões de louvor, maravilha, humildade, alegria, generosidade e celebração.  No Natal, a Glória de Deus se tornou visível.  A imagem de Deus voltou ao planeta Terra de forma visível, vestida de pele humana, em carne e osso. 

São 4 textos bíblicos que ressaltam essa idéia, e justificam nosso canto de “Glória em Excelsis Deo”:

Lucas 2.9  E um anjo do Senhor desceu aonde eles estavam e a GLÓRIA do Senhor brilhou ao redor deles; e ficaram tomados de grande temor. 

Lucas 2.13 E subitamente apareceu com o anjo uma multidão da milícia celestial louvando a Deus e dizendo, “GLÓRIA a Deus nas maiores Alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem. 

João 1.14 E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua GLÓRIA, glória como do unigênito do Pai. 

Hb 1.3  Ele, que é o resplendor da GLÓRIA e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela Palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas Alturas. 

Mas por que tantas expressões de “glória”?  O que realmente aconteceu no Natal para merecer tanta exultação, tanta “glória”?  Vamos cavar um pouco mais no texto bíblico para compreender o significado do fato de que, no Natal, a glória de Deus foi refletida em Jesus, e hoje, essa imagem é mais uma vez refletida em nós: 2 Co 3.18  E todos nós com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito. 

Além de justificar tanta celebração natalina, vamos aprender uma lição muito importante para nossas vidas: Glorificamos a Deus na medida em que refletimos a imagem de Jesus. 

Há 2 razões porque Jesus é a Glória e o foco de celebração do Natal 

I.             Em Jesus, a Imagem de Deus Voltou!

 A história da imagem de Deus como refletido do homem é fascinante!  Veja as etapas no decorrer dessa história: 

   1.    Imagem Perfeita (Gn 1.26,27): O homem foi feito para refletir a imagem de Deus em comunhão com Ele, uma representação gráfica para todos de quem Deus é, o que Ele é, para ser espalhada ao redor do globo como testemunho à grandeza e glória (fama) de Deus. No Paraíso, qualquer um que olhava para o homem, via o reflexo da glória do caráter de Deus!            

   2. Imagem Ofuscada (Gn 3): Infelizmente, o pecado gerou o efeito contrário ao esperado.  Na tentativa de se tornar COMO Deus, o homem ofuscou em si mesmo muitos aspectos da imagem de Deus!  Na tentativa de brilhar mais, perdeu seu brilho.  O homem que era imagem e glória de Deus, inocente e sem vergonha, agora  se vê nu—sujo, exposto, sem-vergonha, com medo e fugindo de Deus. 

O pecado introduziu uma espécie de amnésia espiritual na raça humana: o homem esquece de como Deus é.  Perde comunhão com Deus.   Fica cada vez mais distante do Criador!  Com o passar do tempo, o homem criou Deus à sua própria imagem, à imagem do homem.  (É interessante notar na mitologia grega e romana que os deuses refletem características do ser humano, só que num grau elevado. São inconstantes, sensuais, comilões, beberrões, imorais, etc. Mesmo hoje, muitas religiões, inclusive o espiritismo, incluem ofertas para Deus ou espíritos como se tivessem o mesmo “gosto” do homem! Cp Rm 1.18-23)     

II.         Em Jesus, a Glória (e presença) de Deus Voltou ao Homem 

Em resposta à nossa decadência, a glória (presença) de Deus foi se afastando cada vez mais do homem.

No Jardim do Éden, o homem foi expulso da presença e glória de Deus (Gn 3:23,24).  Voltou no Shekina, a nuvem da presença de Deus que encheu o Tabernáculo, mas que mantinha distância do povo, com acesso permitido somente uma vez ao ano para o Sumo-sacerdote (Ex 40:36; Lv 16).  Mais uma vez encheu o Templo depois de construído e dedicado por Salomão (2 Cr 7.1).  Mas afastou-se definitivamente no início do Cativeiro Babilônico, devido à idolatria escancarada e vergonha nos dias de Ezequiel (Ez 8.3,4,7,10 etc.;  9.3, 10.4, 18,19; 11.22,23) 

Diante desse quadro, em que o pecado do homem afastava cada vez mais a glória do Senhor, Deus montou uma uma missão de resgate: o resgate da imagem de Deus, do propósito de Deus, com o retorno da glória de Deus na Pessoa de Jesus! 

No Natal, a Glória de Deus voltou! 

Jesus veio numa missão de resgate . . . um resgate da imagem de Deus no ser humano, para que mais uma vez refletissemos a glória de Deus, tivéssemos comunhão com Deus, enchéssemos a terra com a glória do Pai.  Esse é o significado do Natal—uma missão de resgate em que Deus enviou seu único filho para redimir a imagem de Deus no homem. 

No Natal, a glória de Deus voltou, porque a imagem de Deus veio na pessoa de Jesus.  Deus enviou seu próprio Filho, para habitar entre nós, para mostrar-nos o caminho de volta para Deus!  A imagem perfeita de Deus, o novo Adão, o Filho de Deus perfeito, a manifestação visível do Deus invisível, estava entre nós. 

Mas os homens não podiam mais reconhecê-lo!  Viram “deus” no sol, em bichos, serpentes e vacas, mas não o reconheceram em Jesus!  Amnésia espiritual cegou seus olhos para não poderem reconhecer Deus quando andou em seu meio! 

Jo 1.10-12 Estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu.  Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.  Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; a saber: aos que crêem no seu nome. 

O Filho de Deus se fez homem,para que o homem fosse feito filho de Deus!  “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.” (Jo 1.14) 

Cristo é a glória do Natal!  É por isso que os anjos cantaram “Glória a Deus nas alturas!”  Jesus nos trouxe nova esperança!  Sua missão de resgate nos deu nova possibilidade de refletirmos a glória e a imagem de Deus.  Isso porque se alguém está em Cristo, nova criatura (ou podemos parafrasear, “imagem”) é!  (2 Co 5.17) 

Por que celebramos o Natal?  Como desculpa por desejos desenfreados consumistas e capitalistas?  Uma desculpa para mais uns dias de festa pagã em roupa cristã?  Não.  Celebramos o Natal porque representa nossa esperança, esperança de que, novamente, Deus está conosco: Emanuel!  A imagem de Deus se refez.  Deus anda com os homens.  Em Cristo somos refeitos conforme a imagem de Deus! 

Como está seu espelho?  Ainda sujo pelo pecado, ou limpo em Jesus?  Como está seu reflexo—ofuscado pelo pecado, ou refletindo a glória de Jesus?   

Glorificamos a Deus na medida em que refletimos a imagem de Jesus.