Natal: A Imagem de Deus no Natal

Natal: A Imagem de Deus no Natal

Pr. Davi Merkh 

Um ex-missionário que servia durante anos na Tailândia, mas deixou o campo missionário um homem quebrantado, com esgotamento nervoso que deixou-o incapaz de pregar ou ensinar ou até mesmo ler sua Bíblia, falou sobre sua imagem distorcida de Deus:           

As demandas que Deus fazia de mim eram tão altas, e Sua opinião de mim tão baixa, que só podia viver debaixo do seu olhar desapontado . . . . Todo dia Ele me indagava, “Por que você não ora mais? Por que você não evangeliza mais?  Quando você vai aprender auto-disciplina?  Como pode ter pensamentos tão perversos?  Faça isso.  Não faça aquilo.  Entrega . . . confessa . . . trabalha mais!   Deus sempre usava seu amor contra mim.  Mostrava-me suas mãos feridas pelos pregos do Calvário, e depois olhava para mim com tristeza e dizia, “Porque não é um cristão melhor?  Faça alguma coisa e viva como devia!” 

Será que você também tem essa imagem distorcida de Deus?  Será que você de fato serve dois deuses diferentes—um Deus bravo, exigente, que sempre demanda mais e mais, um Deus de trovão e raios e disciplina e castigo, o Deus do Velho Testamento?  E um outro Deus, de amor, de misericórdia, de graça, de bondade—o Deus representado por Cristo Jesus no Novo Testamento? 

Um amigo pastor gosta de dizer que o que entra na sua mente quando você pensa sobre Deus é a coisa mais importante sobre sua vida.  Ele faz 3 perguntas para diagnosticar se temos uma imagem distorcida de Deus:

   1)    Qual a sua imagem mental de Deus o Pai e Deus o Filho?

   2)    Como você descreveria cada um?

   3)    São diferentes ou iguais? 

Quero afirmar que não existem 2 tipos de Deus!  Não existem “dois lados” de Deus, como se fosse a “força” na série “Guerra nas Estrelas”—o lado escuro (ruim) e o lado bom.  Deus não é um ser esquizofrénico.  Também não está “em processo”, crescendo, mudando, se adaptando a novas realidades.  Não existe um Deus bravo no Antigo Testamento que de repente se tornou bondoso no Novo. 

Mas como o homem pode conhecer a Deus?  Como restaurar nossa comunhão com Ele?  A resposta está contida no Natal!  No Natal, Deus se fez homem!  Deus se revelou para nós na pessoa de Jesus, uma vez para sempre!  Em Jesus vemos a glória de Deus, pois percebemos a imagem de Deus!  Por isso, no Natal focalizamos em Jesus como a imagem e glória de Deus.  No Natal, a Glória de Deus se tornou visível.  A imagem de Deus voltou ao planeta Terra de forma visível, vestido de pele humana, em carne e osso. 

Hb 1.3  Ele, que é o resplendor da GLÓRIA e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela Palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas Alturas. 

Há 2 passos no processo de restauração da imagem e glória de Deus entre os homens . . .  

I.  Vemos a Imagem e Glória do Deus Invisível em Jesus

 

Quem é Deus?  Como Ele é?  Como conhecê-lo?  Essas “perguntas finais” têm perturbado a raça humana por milhares de anos.  Alguns negam a existência de Deus.  Se dizem ateus.  Outros simplesmente presumem que não é possível conhecê-lo.  São agnósticos.  Outros, mais religiosos, reduzem a imagem de Deus ao nível da criatura: bichos, esculturas, imagens. São idólatros.  Alguns criam deuses a sua própria imagem.  Os politeistas, da mitologia antiga, criam deuses que manifestam as características do ser humano exagerados ao extremo—com apetites maiores, ira maior, desejo sexual maior.  Seus “deuses” são de fato homens gigantes.  Ainda outros de forma paradoxal expandem a concepção de “deus” para incluir tudo que existe—os panteísta.  Mas quando Deus é tudo, Ele é nada.   

Ainda é comum ouvir pessoas que professam conhecer a Deus dizendo coisas como “Para mim, Deus é como um arco-iris . . . ou um pôr do sol, ou um Pai.  Às vezes suas percepções não combinam com a perspectiva de Deus oferecida pela Bíblia. 

Então como entender Quem Deus é?  Segundo a Bíblia, a resposta é olhar para Jesus.  E esse é o significado do Natal! 

Jesus é a imagem visível de Deus porque Ele éa um espelho perfeito da glória do Pai.  Em Jesus vemos quem Deus é.  Jesus é a Última Palavra do Pai: 

Havendo Deus, outrora, falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho . . . Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder . . .   (Hb 1.1-3; cp 2 Co 4:4) 

Dizem que “uma foto vale mil palavras”.  Jesus é a “foto”, a “expressão exata”, um “audio-visual” de Deus! 

Na vida cristã, a única maneira de sermos “como Deus” é sermos “como Jesus”.  Temos que olhar para Jesus, fixar nossas mentes, nossos pensamentos, nEle.  Por isso é chamada a “vida cristã”, ou seja, a vida de Cristo em nós.            

    Hb 2.9  vemos, todavia, aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus           

    Hb 3.1 Por isso, santos irmãos, que participais da vocação celestial, considerai atentamente o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus.           

    Hb 12.2 olhando firmemente para o Autor de Consumador da fé, Jesus, . .            

    1 Jo 3.2 Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda nào se manifestou o que havemos de ser.  Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque havemos de vê-lo como ele é. 

Infelizmente, muitas vezes esquecemos desse significado da encarnação e o que custou para Jesus.  Quando Ele acrescentou humanidade à sua divindade, foi uma decisão ireversível!  Nunca mais deixaria de ser homem!  Foi permanente.  Para todo sempre Jesus será “Emanuel”—Deus conosco!  Deus ficará conosco, porque Ele é um de nós!  Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a sim mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos. (1 Tm 2.5) 

Assim como diz o ditado “Tal pai, tal filho” temos em Jesus a representação exata do caráter do Pai. 

Essa é uma pequena ilustração do que aconteceu no Natal.  Deus e o homem se aproximaram novamente.  Deus habitou entre nós, na Pessoa de Jesus.  Jesus nos mostrou a glória, a imagem, a essência, o caráter, de Deus!  O Deus invisível se tornou visível em Jesus, e isso para toda a eternidade: E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua GLÓRIA, glória como do unigênito do Pai.(Jo 1.14) 

João emprega a terminologia e a imagem do Shekiná do VT, que habitava numa tenda de pelos, para dizer que Jesus “fez sua tenda” em carne, como nós.  Pelo fato de que o homem perdeu o brilho da imagem e glória de Deus, a imagem e glória de Deus vieram residir num homem, Jesus. 

Neste texto percebemos em Jesus dois dos atributos principais de Deus, em perfeita harmonia: graça e verdade.  Assim, Jesus revelou para nós a glória (a importância, a fama) de Deus Pai:  Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação (Cl 1.15) 

Jesus é a manifestação visível do invisível.  Ele é a expressão tangível do intangível.  Ele é a imagem perfeita da glória do Pai. 

Deus criou o homem para ter comunhão com Ele.  Quando sua imagem foi corrompida pela queda, quando aquela imagem ficou ofuscada e a comunhão quebrada, tinha que dar outro jeito para o homem conhecê-lo.  Quando sua voz não se ouvia mais no Jardim, quando não mais andava com o homem e a mulher, quando afastou-se da idolatria e imoralidade do Seu povo, Deus resolveu voltar à terra na pessoa do seu filho Jesus.  Jesus nos mostraria o que perdemos da imagem de Deus.  Ele não somente resgataria a imagem de Deus no homem, mas restauraria o relacionamento entre Deus e o homem enquanto ele mesmo seria o perfeito espelho de Quem Deus é!  Ninguém jamais viu a Deus: o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.” (Jo 1.18) 

Em João 14 Filipe fala para Jesus: “Senhor, mostra-nos o Pai”.  Jesus responde, “Quem me vê a mim, vê o Pai!”(14.8,9) 

Se quiser conhecer a Deus, olhe para Jesus! Jesus nos revelou o que Deus é quando tocou no leproso . . . quando perdoou a mulher pega em adultério . . . quando estendeu a mão para tirar Zaqueu da árvore . . . quando chorou sobre Jerusalém . . . quando chorou na morte do seu amigo Lázaro . . . quando indignou-se contra o legalismo cego dos fariseus . . . quando se tornou um nenem para trazer a humanidade de volta para seu Pai. 

Como vai seu conceito de Deus?  Na medida em que seu conceito é diferente do que vemos em Jesus, você tem uma imagem errada.   

Ele, que é o resplendor da GLÓRIA e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela Palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas Alturas.(Hb 1.3) 

Jesus é o resplendor, ou “brilho”, da glória de Deus.  É a idéia de raios de luz que vem do sol.  Não são o sol, mas revelam a natureza do sol.   Jesus invadiu nosso mundo com os raios da glória do Pai, penetrando a escuridão e revelando-nos o Pai. 

Ele é a expressão exata do seu Ser. . . . a nossa palavra “caráter” vem dessa frase “expressão exata”.  Foi usada da impressão feita em moedas, que carregam a imagem ou figura da pessoa representada.  A moeda representa exatamente o que está no modelo. 

Infelizmente, muitos ainda não reconheceram em Jesus a glória e imagem do Pai: Se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.(2 Co 4.3,4) 

vimos que Jesus é a própria imagem do Deus invisível.  Mas esse fato tem um reflexo muito importante em nós. 

II.           Em Jesus, Somos Refeitos para Refletir a Imagem e Glória do Pai

 O milagre do Natal tem duas partes.  A primeira é que o Filho de Deus se fez homem para sempre.  A segunda é que nós, filhos de homens, agora podemos ser filhos de Deus (Jo 1.12)!  Essa transformação também é irreversível! 

Como afirma Pr. John MacArthur, Jr., seria impossível para nós entrarmos num orelhão como Clark Kent e sermos transformados em “super-homens” à imagem de Deus.  Foi necessário o Filho de Deus entrar em pele humana para nos transformar à imagem dEle!  Cristianismo é Deus na Pessoa de Jesus invadindo nosso pequeno mundo para nos mostrar como Deus é, e nos levar de volta para Ele!  Essas são as boas novas do Evangelho! 

Jesus se tornou o Filho de Homem para que nós pudessmos ser filhos de Deus!  Jesus nasceu para morrer, assumindo sobre ele a nossa sujeira, a nossa vergonha, para que novamente fossemos feitos imagem de Deus, para que nunca mais precisassemos morrer (2 Co 5.17, Cl 1.27-29, 3.10) 

Esse, então é o alvo da Vida Cristã: refletir a glória da imagem de Jesus!  Deus é mais glorificado em nós quando somos mais parecidos com Seu Filho, Jesus! E todos nós com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.(2 Co 3.18). 

Em Jesus, vemos a glória de Deus. Quanto mais fixamos em Jesus, mais crescemos em “glória”. A glória para qual somos transformados é a imagem (semelhança) de Jesus.  O Espírito Santo realiza esse propósito em nossas vidas, usando a Palavra de Deus, o povo de Deus, circunstâncias e ministros do Evangelho. Um dia, seremos uma vez para sempre como Jesus, porque o veremos como Ele é (1 Jo 3.2). 

Por que celebramos o Natal?  Como desculpa por desejos desenfreados consumistas e capitalistas?  Uma desculpa para mais uns dias de festa pagã em roupa cristã?  Não.  Celebramos o Natal porque representa nossa esperança, esperança de que, novamente, Deus conosco, Emanuel está refazendo Sua imagem em nós. Em Cristo somos refeitos conforme a imagem de Deus! 

Como está sua imagem (percepção) de Deus?  Idéntica à sua imagem de Jesus?  Ou será que tem dois deuses?  A coisa mais importante sobre você é o que você pensa sobre Deus! 

Como está a imagem de Deus em você? Ainda sujo pelo pecado, ou limpo em Jesus?  Como está seu reflexo—ofuscado pelo pecado, ou refletindo a glória de Jesus?   

Glorificamos a Deus na medida em que refletimos a imagem de Jesus.