Véu e Pastoras

Pastor, existem alguns textos da Palavra, que preciso de esclarecimento...

1) No texto de 1Cor. 11 2-15, em que Paulo diz que (...) toda mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua cabeça(...)Se a mulher não cobre a cabeça, deve tbm cortar o cabelo; e se porém é vergonhoso para a mulher ter cabelo cortado ou rapado, ela deve cobrir a cabeça.(...)Por essa razão e por causa dos anjos, a mulher deve ter sobre a cabeça um sinal de autoridade."

2) Tbm em outro texto em 1timóteo 2 9-13, (interessante que os dois textos antecedem com um título- instruções acerca da "adoração") nos diz; "Não permito que a mulher ensine, nem que tenha autoridade sobre o homem. Esteja porém em silêncio."

Penso então, no que se refere ao último texto, a mulher não deve ensinar, mas, se usarmos com a mesma diligência, a mulher deve cobrir sua cabeça!

- Qual sua "visão" à respeito destes destes textos, pastor David??

Pois penso que "não se deve" acatar um texto, e desprezar outro!

 

RESPOSTA

Sobre a questão do papel da mulher na igreja, etc., é um assunto muito complicado.  Tentarei ser objetivo esclarecendo minha posição pessoal à luz dos textos mencionados em sua carta, e outros (1 Co 11, 14, 1 Tm 2, etc.).

1. Entendo que a questão principal em termos do véu (cabeça coberta) da mulher é a manifestação clara e aberta de que ela está contente/realizada em seu papel como mulher, que inclui a submissão ao próprio marido, e uma função na igreja que não inclui doutrinar/ensinar homens.  1 Co 11.10 identifica o véu como "sinal de autoridade" e menciona os anjos (algo trans-temporal e trans-cultural).  (A palavra "sinal" não se encontra no texto grego, sendo uma interpretação (válida, ao meu ver) do texto que diz "por isso deve a mulher ter autoridade sobre a cabeça por causa dos anjos"). 

Pelos argumentos do texto, creio que o "espírito" de submissão/contentamento muito mais que a "letra" do uso de um véu, seja o ponto principal, embora respeito as tradições literalistas denominacionais que usam o véu (fui criado numa igreja assim). 

Em termos de aplicação para hoje, creio que a mulher deve dar evidências no traje, comportamento, etc., de que está submissa ao marido e à liderança masculina da igreja.  Temos que entender que o comportamente de todos nós no culto público tem implicações até cósmicas (entendo que a presença dos anjos indica que assistem nossos cultos, e por serem criaturas que entendem MUITO bem as implicações de submissão e hierarquia funcional, ficam escandalizados quanto mulheres--ou homens--se rebelam contra os papéis que Deus estabeleceu).

 

2. Entendo que 1 Tm 2.9-13 limita, sim, as esferas de atuação da mulher na igreja, principalmente quando se trata de ensino/pregação/doutrinamento de homens.  Os argumentos do texto são muito mais que expressões ou acomodações culturais (como talvez no caso do uso literal do véu). Voltam para a criação e a Queda.  Mantém a ordem que Deus criou no Jardim.  Mas não abafam os dons espirituais e o ministério da mulher; neste texto (15) ela tem um papel fundamental na criação de filhos piedosos (assim como a mãe e avó de Timóteo). 

Em Tito 2, são ELAS (as mais "experientes") que ministram para as moças (e NÃO os pastores homens--ou seja, Deus aparentemente limita a esfera de envolvimento ministério mais "chegado" dos homens pastores, que treinam as mais velhas, os mais velhos, e os moços, mas `NÃO as moças.)  Então, o ministério tanto do homem, quanto da mulher, tem limites impostos por Deus, dentro do plano e da sabedoria dEle.

1 Co 14.34,35 no contexto de profecias proferidas (e depois avaliadas pelos demais, à luz das Escrituras), também restringe o envolvimento da mulher no culto público, proibindo que ela questione/examine/reprove, etc. os profetas, mas que deveriam ter esse tipo de conversa em casa com o próprio marido, assim evitando escândalos, insubmissão e confusão.

Resumindo, entendo que a mulher pode orar, cantar solos, dar testemunho, etc. em culto público (1 Co 11.5), desde que a vida dela claramente reflete a alegria e o contentamento dela em ser mulher, debaixo da autoridade do marido e da liderança (masculina) da igreja.  Creio que ela DEVE ter um papel de ensino de crianças, primeiro em casa, também na igreja.  Creio que as mais experientes DEVEM ter um ministério de discipulado das mais jovens (e que os homens NÃO tem essa liberdade).  Mas creio que ele não deve ensinar, doutrinar ou pregar na igreja diante de homens.

Espero que ajude, pelo menos um pouco, a esclarecer o que entendo nestes textos.

Que Deus os abençoe,

Pr. Davi