60- Cruz Credo (Março 2005)

CRUZ CREDO

 

Eu já não vivo para a lei. Foi a lei que me matou, e eu morri para ela a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; portanto, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. E essa vida que agora vivo no meu corpo, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.” Gálatas 2.19,20

 

“Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo.” Gl 6.14

 

alguns dias recebi de brinde um livro intitulado “Cruz Credo: o credo da cruz”, escrito por Glênio Fonseca Paranaguá, pastor da PIB de Londrina-PR. Não o li todo ainda, mas o título me chamou a atenção e gostaria de compartilhar alguns pensamentos com a igreja.

 

Lembro-me de que, quando criança, ouvia freqüentemente a expressão que encima esta pastoral e que é título do livro. Ela era usada para expressar espanto e horror, para demonstrar o assombro diante de algum fato alarmante. A cruz tem sido um assunto relegado a pequenas menções em mensagens, pois afinal de contas é um assunto de pouco interesse atualmente. A mensagem da cruz não dá ibope. O “público” não a aceita muito bem, é uma mensagem que não abarrota auditório.

 

Na parede de nosso templo foi fixada uma cruz. Ela não é um mero objeto artístico a embelezar a parede. O propósito de tê-la ali é lembrar-nos sempre do seu significado. Quero destacar dois:

1. A cruz é instrumento de morte, foi concebida para isto. Não é um brinquedo para diversão nem apenas um instrumento de tortura. A finalidade da cruz é a morte do réu, com sofrimento, com muita dor, com selvageria. Ela visa extinguir o condenado. Ela acaba com qualquer esperança de conquista. É isto que ela deve significar para o pecador.

 

A experiência do cristianismo verdadeiro começa com o esvaziamento. É preciso primeiro esgotar os sentimentos de grandeza implantados pelo pecado. Não há salvação sem o desalojamento do espírito de importância. Antes de sermos exaltados, precisamos ser humilhados. Antes de sermos cheios da plenitude divina, necessitamos ser exauridos da arrogância do pecado. Primeiramente somos crucificados para depois sermos ressuscitados. Não podemos mudar esta ordem.

Certa vez, um pastor reclamou que deveria ser tratado com proeminência, por ser pastor. Alguém lhe respondeu que o espelho nunca chama a atenção para si, a não ser que esteja sujo. No reino de Deus, não são os cargos que ocupamos, mas as cargas e as marcas que levamos, como servos, que merecem verdadeiro apreço. Somente aqueles que são marcados pela cruz podem abdicar de honrarias.

 

2. A cruz é instrumento de cura. O Calvário mostra como os homens podem ir longe ao pecado, e como Deus pode ir mais longe para salvá-los (H.C. Trumbull). A crucificação de Cristo e a nossa crucificação juntamente com Cristo se tornam a medida prioritária para a recuperação plena do ser humano.

 

muitos crentes que já foram regenerados, nasceram de novo, são salvos, mas muitos traumas e contusões emocionais permanecem ocultos, determinando reações enfermiças. A cura interior só acontece de verdade quando consideramos a cruz em nosso interior como instrumento que mata o ódio, a amargura, a vingança, a inveja, o medo, o desejo de poder, de ser estimado. E a Bíblia nos mostra um Deus misericordioso, sempre sensível para com os quebrantados de espírito.

 

A Cruz do Calvário é o centro cirúrgico onde Deus realizou a maior operação da história humana. É ali que recebemos um novo coração. Sem essa operação radical, a fé cristã não passa de uma falsificação barata, e o cristianismo não é nada mais do que um clube ou um partido religioso.

A cruz declara a falência dos homens, e ao mesmo tempo, o poder de Deus: “Pois a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus” (1Co 1.18)

 

Cruz credo! Este é o meu espanto e meu assombro em face da negligência do púlpito moderno. Cruz credo é minha expressão de espanto diante da implicante teimosia em omitirmos a mensagem da cruz, que amolda o caráter de poucas ovelhas do rebanho, que não faz concessões à vítima do pecado, mas que procura matar toda estrutura presunçosa, orgulhosa, auto-suficiente e impura do velho Adão. A cruz nunca promove a exaltação de sistemas nem patrocina qualquer expediente de reconhecimento das personalidades ávidas por um palco.

 

Se a mensagem da cruz não nos pregar nela junto com nossos feitos, nós nunca estaremos aptos para pregá-la com nossos lábios.

 

É Páscoa! É mais do que hora de resgatarmos a mensagem centralizada na suficiência de Cristo e na eficiência da cruz.

 

Pr Silas Arbolato da Cunha

                                                                                                                                           Março/2005