58- Renovação (Junho 2003)

RENOVAÇÃO

Conta-se que a águia é a ave que possui a maior longevidade da sua espécie. Chega a viver setenta anos. Mas, para chegar a essa idade, aos quarenta anos ela tem que tomar uma séria e difícil decisão. Aos quarenta anos, ela está com as suas garras compridas e flexíveis, não conseguindo mais agarrar as suas presas das quais se alimenta. O bico, alongado e pontiagudo, se curva. Apontando contra o peito estão as asas, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas, e voar já é bastante difícil. Então, a águia só tem duas alternativas: morrer, ou enfrentar um dolorido processo de renovação, que irá durar cento e cinqüenta dias. Esse processo consiste em voar, para o alto de uma montanha, e se recolher em um ninho próximo a um paredão, onde ela não necessite voar. Então, após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico em uma parede até conseguir arrancá-lo. Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico, com o qual vai arrancar suas garras. Quando as novas garras começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. E só após cinco meses, sai para o famoso vôo de renovação e para viver mais trinta anos.

Em nossa vida, muitas vezes, temos de nos resguardar por algum tempo e começar um processo de renovação. Para que continuemos a voar um vôo de vitória, devemos nos desprender de lembranças, costumes e outras tradições. E este processo pode parecer difícil, mas é necessário. Porque somente livres do peso do passado, poderemos aproveitar o resultado valioso que uma renovação sempre traz. Lembre-se disto quando você sentir-se aprisionado em situações e até mesmo por costumes que, em vez de lhe trazerem segurança, lhe trazem inquietações. É sempre possível recomeçar, mas há um preço a se pagar.

Pensando a igreja, lembro-me das palavras de Jesus em Lucas 5.37,38 – “E ninguém põe vinho novo em odres (vasilhas de couro) velhos, pois o vinho novo rebenta os odres velhos, estragando-se os odres e derramando-se o vinho. Vinho novo deve ser posto em odres novos.” O que queria Jesus dizer com estas palavras. Certamente ele estava diferenciando o essencial e primário – o vinho -  de algo secundário, mas também necessário - os odres. Essa distinção é essencial para a vida diária da igreja. Existe aquilo que é novo, poderoso e essencial – o evangelho de Jesus Cristo. E existe aquilo que é secundário, feito por mãos humanas – as tradições, estruturas e padrões que se desenvolveram ao redor do evangelho. Odres não são eternos nem sagrados. À medida que o tempo passa, eles precisam ser substituídos – não porque o evangelho muda, mas porque o próprio evangelho exige e produz mudanças. E Deus, é um Deus de coisas novas: um novo coração, uma nova vida, um novo espírito, uma nova aliança, uma nova criação, um novo cântico, etc

As pessoas não precisam somente de uma teologia em que crer, mas uma causa pela qual viver e uma experiência que lhes seja real. A Igreja só é igreja quando existe para Deus, e para os outros. É tempo de renovarmos algumas coisas. Vamos todos iniciar uma reflexão na necessária maneira de sermos igreja, na nossa adoração, no nosso evangelismo, na nossa comunhão, no nosso ensino e no nosso serviço a Deus e uns aos outros.

De alguém renovado pelo Deus de novidades

Pr Silas Arbolato da Cunha
Junho/2003