54- Igreja Agência de Vida (Março 2002)

IGREJA – AGÊNCIA DE VIDA

Grande parte das experiências da vida consiste em trocar uma coisa inferior por outra melhor. Troca-se um carro usado por um carro novo; troca-se uma televisão de 14” por uma de 29”; troca-se um emprego por outro com mais benefícios e salário maior (hoje, isto não está fácil), etc.

Mas, a melhor troca que alguém pode fazer é a troca da morte pela vida. Por sua morte na cruz, Cristo tornou possível ao pecador permutar o seu pecado pela justiça de Cristo (2 Co 5. 21). Cristo tornou possível trocar a ira de Deus sobre um pecador impenitente pelo perdão que hoje pousa sobre ele. Mediante a fé e o arrependimento, o homem troca o lugar de condenação pela casa do Pai. Por um ato da graça divina, troca a rejeição pela aceitação.

Todas essas trocas são maravilhosas e misteriosas e se resumem na troca da morte pela vida. Somente pela vontade e iniciativa de Deus tal troca é possível. Todavia, o homem, morto em seus delitos e pecados, desconhece a possibilidade de efetuar a troca da morte pela vida, “...como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos, obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração,...” (Ef 4. 17b, 18).

Tirar o homem da ignorância em que vive é função da igreja, daqueles que já receberam e vivem a nova vida que Cristo proporciona (Gl 2. 20). Enxergamos a igreja como a agência, como o representante de Deus que promove a possibilidade do homem trocar a morte pela vida.

Para cumprir eficaz e eficientemente sua função, propomos uma retomada da dinâmica da igreja, propomos ousadia nas suas estratégias de comunicação, propomos um pensar cuidadoso e bíblico nos seus propósitos, propomos excelência na qualidade das suas atividades.

A igreja, como agência de promoção da nova vida em Cristo, deve dar passos de fé para comunicar o novo, e para experimentar o crescimento, com qualidade, que vem de Deus.

Estabelecer uma filosofia de ministério começa pelo nosso conceito de igreja. O compartilhar e o crescer nesta nova vida se dão através dos relacionamentos. E aqui entra nosso conceito de igreja. O Novo Testamento nunca usa o termo igreja para designar uma construção, nem mesmo um lugar. Igreja é sempre gente. Em todo o Novo Testamento, a ênfase está nos relacionamentos. "Igreja" é um grupo que tem um relacionamento com Deus graças à pessoa de Jesus Cristo e, por isto, relaciona-se entre si.

 

Nossa ênfase deve ser em pessoas. Elas são o que há de mais importante no mundo. Foi por elas que Cristo morreu. Ele não morreu para que se criasse um império econômico ou um monte de regras. Mas para que as pessoas conhecessem a Deus e compreendessem a proposta de vida oferecida no evangelho. O mais importante na vida de uma igreja são os relacionamentos. Primeiro com Deus, o Pai de todos. Depois, de uns com os outros. Não somos rivais nem adversários. Somos irmãos. Somos uma família. Isto é uma igreja: uma família, mais que uma instituição.

Como família que adora a Deus pelo que Ele é e pela nova vida que nos deu, a igreja deve celebrar sua fé sem rigidez, mas também sem artificialismo – A celebração da fé, o culto, não pode ser formal, sem vida. Mas não pode ser um “liberou geral” também. Não é um momento fúnebre, mas não é também liberação geral de emoções e energias. Paulo diz em 1 Co 14.14 “Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento”. O culto não pode ser irracional, apenas sentidos. A razão é dom de Deus. Ele a deu exclusivamente aos humanos.

Vamos manter nossa ênfase na Palavra – A pregação, os hinos e os cânticos (alguns, erroneamente, chamam de “louvor”, pois “louvor” é todo o culto) devem se subordinar à Palavra. O culto deve proclamar a Palavra de Deus. É a Palavra que santifica: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17), disse Jesus. Se o culto não tem a Bíblia como base corre o risco de desvirtuamento.

A igreja deve crescer de dentro para fora – Crentes maduros produzem discípulos. Pessoas e igrejas imaturas produzem apenas freqüentadores de igreja. Antes do “ide” (Mc 16.16) Jesus disse “vinde” (Mc 3.11). A igreja precisa de maturidade espiritual, de equilíbrio, de conteúdo, para dar um testemunho eficiente ao mundo. Aquilo que a igreja testemunha deve ser algo que a igreja vive entusiasticamente, algo que brote de dentro de um coração regenerado e aquecido pelo Espírito.

Para que a igreja esteja envolvida nesse processo é necessário mais do que membros fiéis. É necessário discípulos que tenham o zelo, a energia, a visão e o interesse de dar nascimento a um processo de revitalização da igreja. É tempo para que sejam implantados novos modelos de ministério que conduzam a igreja ao propósito de ser agente comunicador da vida que Deus oferece.

As alegrias de ver a vida de Deus sendo comunicada àqueles que estão mortos; a alegria de ver a igreja causando um impacto transformador na sociedade; a alegria de ver pessoas trocando a morte pela vida está reservada para aqueles que não têm medo de fracassar, está reservada para aqueles que estão prontos para dedicarem tudo quanto têm, está reservada para aqueles que mantêm a essência do evangelho sem se esquecer das necessidades do homem pós-moderno.

Pr Silas Arbolato da Cunha

Março/2002