53- A Igreja Celebra a Sua Fé Com Espontaniedade e Profundidade (Março 2006)

A Igreja celebra a sua fé com espontaneidade e profundidade

 

A Bíblia está repleta de ordens para que se louve a Deus. Ele ordena o louvor porque esse é o objetivo principal de tudo que ele faz – “ser glorificado nos seus santos e ser admirado em todos os que creram”.

 

Todas as diferentes maneiras que Deus escolheu para manifestar sua glória na criação e redenção parece atingir seu ponto culminante nos louvores do seu povo redimido. Deus governa o mundo com glória exatamente para que possa ser admirado, aplaudido, exaltado e louvado. O clímax de sua alegria é o prazer que tem nos reflexos da sua grandeza nos louvores dos santos.

 

Portanto, quando buscamos o nosso prazer nele, nisto não estamos sendo egoístas ou egocêntricos, pois isso glorifica a Deus. John Piper, em seu livro “Teologia da Alegria” nos mostra que a realização da nossa alegria, exclusivamente em Deus, redunda na glória dele mesmo.

 

um episódio na Bíblia, em João 4 – o encontro de Jesus com a mulher samaritana – que é um dos ensinos mais profundos de como devemos adorar a Deus, celebrar a nossa fé.

 

A mulher levanta a questão de onde adorar, se em Jerusalém ou no Monte Gerizim. Jesus responde que o importante é adorar em “espírito e em verdade”. Com isto, ele estava dizendo que a controvérsia sobre o lugar é pouco relevante se comparada com a questão de como e a quem adorar.

 

Adorar em espírito é o contrário de adorar de maneiras meramente externas. É o contrário do formalismo e do tradicionalismo vazio. Adorar em verdade é o contrário da adoração baseada em um entendimento inadequado de Deus (lembre-se que Jesus disse à mulher que os samaritanos adoravam o que não conheciam). A adoração precisa ter coração e cabeça. Ela envolve as emoções e o intelecto. Verdade sem emoção produz ortodoxia morta e uma igreja cheia de admiradores artificiais. Por outro lado, emoção sem verdade produz agitação vazia e cultiva pessoas superficiais. A adoração verdadeira vem de pessoas com emoções profundas, grande amor e doutrina sadia.

 

É relevante frisar que a palavra adoração, em hebraico, significa curvar-se, inclinar-se, implicando em algum tipo de ação externa.  É por isso que  Deus, por meio do profeta Isaías condenou o povo quanto a sua vã adoração ao dizer-lhes “Este povo honra-me com os lábios (ação externa), mas o seu coração está longe de mim” Is 29.13. Isto implica que o coração deve atuar na adoração, despertando nossos sentimentos, nossos afetos e nossas emoções ao nos depararmos com um Deus tremendo, magnífico, santo e majestoso (veja os textos a seguir: Sl 46.10; Hb 2.20; Sl 33.8; Is 8.13; Sl 5.7; Sl 51.17; Is 57.15, Sl 42.1,2; Sl 73.25,26; Sl 30.11,12; Sl 27.4; Sl 16.11). Todavia, esse temor que sentimos ao contemplá-lo, não pode causar um terror paralisante em nós, mas trazer alívio na contrição, no arrependimento e na nossa tristeza por causa da nossa distância dele. No fim das contas, vê-lo, contemplá-lo e estar em sua presença é o maior banquete da alma, que irrompe em adoração. Nesse momento, palavras e gestos são insuficientes para expressar a plenitude de alegria. Sem a participação do coração, não adoramos de verdade. Não devemos adorar a Deus por obrigação externa, mas por prazer interno. Se no dia do aniversário de minha esposa eu levá-la para um passeio romântico, e ela me perguntar “por que você faz isso?” a resposta que mais a honrará será “Não há nada que me deixa mais feliz do que estar ao seu lado e desfrutar da sua companhia”.

Se eu responder que é minha obrigação, por ela ser minha esposa, isso será para ela uma desfeita. Portanto, ao adorar a Deus devemos dizer: “É meu maior prazer”.

 

Infelizmente, aquilo que deveria ser motivo de alegria, é também motivo de discussões e divisões. É surrealista que crentes se digladiem por adoração. O que deve aproximá-los de Deus os divide. Muitas igrejas são barris de pólvora. Explodem por ninharias. Inclusive por causa de cânticos e instrumentos.

 

Quanto à forma, o culto não pode ser de rigidez cadavérica, fossilizado, cheirando a formol ou naftalina, nem show para extravasar emoções. O culto não é para nós, é para Deus, embora em nosso prazer em cultuá-lo ele seja glorificado. O culto, a adoração, expressa nossos sentimentos de gratidão, louvor e dependência, que são emoções, mas que não podem se expressar em nível de desequilíbrio. Celebrar a fé é abrir o coração diante de Deus.

 

Uma igreja que celebra a sua fé com espontaneidade, alegria e profundidade extravasa para o mundo, não se a mesma, não vive em função de si. Vive como a família de Deus, e deseja o triunfo do evangelho.

 

A virtude do nosso culto, da nossa adoração será proporcional ao prazer que sentimos em Deus e a alegria que temos nele.

 

Pr Silas Arbolato da Cunha                                                                                                        Março/2006