52- Vida em Comunhão (Fevereiro 2004)

VIDA EM COMUNHÃO

Talvez você já tenha ouvido a palavra Koinonia. Esta é a palavra do Novo Testamento para "comunhão". É uma das maiores necessidades da Igreja. Num mundo impessoal, de estruturas opressoras e desumanas, as pessoas carecem de calor humano. Mas, na própria Igreja, por vezes, encontramos crentes que lutam por conceitos próprios e idéias pessoais, como se estes fossem oráculo divino. Não podem ser questionados e para impor seus pontos de vista, por vezes magoam os demais. A koinonia fica prejudicada, a Igreja sofre e o progresso do Reino é obstaculado.

também o que alguém chamou de "comunhão barata". As pessoas se cumprimentam ao som de um corinho, se abraçam no culto, e depois vive, cada uma, sua vida. Desconhecem-se depois.

A verdadeira comunhão não é um item na ordem de culto. Não são gestos Isolados, como cumprimentar o irmão após o culto. É uma atitude de vida. É a aceitação de cada irmão, com seu jeito de ser, sem vestir nele nossa roupa cultural. É não lhe impor um ponto de vista como se fôssemos a quarta pessoa da trindade. A comunhão verdadeira, a koinonia, não segrega pessoas por cor, idade, sexo ou posição social. Reconhece que somos irmãos e não adversários. Que Deus nos aceita a todos, como somos, e não sacralizou o jeito de alguém como modelo. Então, quem somos nós, a não ser objeto da graça de Deus, em nossa indignidade?

Os cristãos primitivos "louvavam a Deus por tudo e eram estimados por todos" (At 2.47). A Igreja, em geral, e os crentes, em particular, não necessitam ser rabugentos para cumprir sua missão. Pode-se ser um cristão fiel e ser simpático. Dos cristãos primitivos disse um pagão: "Vede como se amam!". Hoje o mundo olha para os cristãos e diz: "Vede como brigam!".

O progresso da Igreja passa pela koinonia. Pelo amor mútuo. O mundo não quer saber de discursos dissociados de prática. E, em vez de ouvir, precisa ver o evangelho. E o vê quando temos koinonia. Jesus sabia disso: "que eles sejam um, a fim de que o mundo creia que me enviaste e que os amas como também me amas" (Jo 17.23). Sem koinonia não há testemunho. Que a tenhamos e que nunca a quebremos!

Muitos cristãos não estão experimentando, ou vivendo as bênçãos da vida abundante que Jesus lhes deu porque não vivem em comunhão, estão isoladas, são misantropos – têm aversão à vida social.

Precisamos de oportunidades para nos aproximarmos uns dos outros, para cumprirmos os mandamentos recíprocos de levar as cargas uns dos outros, consolar uns aos outros, aconselhar uns aos outros.

Não fique de fora.

Com amor,

Pr. Silas Arbolato da Cunha

Fevereiro/2004