51- Prega a Palavra (Fevereiro 2006)

PREGA A PALAVRA

“... prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda longanimidade e doutrina.” 2 Tm 4.2

Um dos pontos de nossa filosofia ministerial é a ênfase na Palavra de Deus.

Em nossos dias, no lugar da Bíblia há uma pregação focalizada na “administração da vida”, preocupada em mostrar como enfrentar a vida e os desafios que ela tem a oferecer, preocupada em mostrar como termos sucesso aqui neste mundo. Vale lembrar que, diante de Deus, mais vale o significado que temos do que o sucesso.

Aquele tipo de pregação não confronta os ouvintes com o pecado, com sua miséria espiritual, e não pode, portanto, trazê-los à fé e fortalecê-los na fé no Deus que salva dos pecados.

Espero ver a igreja continuar crescendo, mas tenho a convicção de que a única coisa capaz de produzir o crescimento verdadeiro e duradouro é a Palavra de Deus.

Muitos acham que está pregando a Palavra de Deus ao escolher um texto bíblico, ler e construir seus sermões a partir deles. Todavia, o simples fato de um texto ser citado não produz uma pregação bíblica.

A igreja evangélica contemporânea tem deixado a Bíblia de lado como normativa. Ela tem sido apenas orientativa. Aquilo que as pessoas acham ou sentem torna-se superior, mais importante do que o que o Deus criador diz. “Deus me falou”, “Deus me disse”, “O Senhor me revelou” são expressões que camuflam um problema. A questão não é o que “Deus falou” à pessoa. É esta: “O que Deus diz, na Bíblia?”. É a Bíblia que tem valor e não palavras ou experiências de A ou de B, pois muitas destas contradizem a Bíblia e se contradizem entre si. A hermenêutica (regras de interpretação) do achismo tem sobrepujado a hermenêutica reformada, ortodoxa. Falta cuidado no lidar com o texto bíblico, e essa falta de cuidado leva a uma distorção do que o texto na verdade diz apenas para extrair dele algum ponto que se encaixe num determinado esquema aliterativo.

Não podemos perder a visão, a percepção de que o verdadeiro assunto das Sagradas Escrituras não é o homem e sua religião, mas sim Deus e sua glória.

A Bíblia deve ser o sustentáculo da fé da igreja e sua regra de fé e de conduta. Tudo deve ser regido por ela. Foi isto que Lutero quis dizer com o brado Sola Scriptura (“Só a Escritura”). Nossas reuniões, nossas conversas, nossas decisões, nossos relacionamentos, nossas atitudes, nossas ações não podem ser moldadas por outra coisa senão a palavra.  Rejeitamos documentos humanos que queiram superá-la ou ombrear-se a ela. Rejeitamos “profecias” e “tradições” que queiram completá-la ou substituí-la na vida da igreja. Seu autor é o Espírito Santo: “jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo” (2Pe 1.21). O Espírito não é uma figura patética que diz algo na Bíblia e desdiz por outra pessoa. As pessoas devem se subordinar às Escrituras e não colocar sua intuição, seu desejo e seu insight como Revelação. “O profeta que tem um sonho, conte o sonho, e o que tem a minha palavra, fale a minha palavra com fidelidade. Pois o que tem a palha a ver com o trigo?", pergunta o SENHOR (Jr 23.28). A Bíblia é o trigo que alimenta. Sonhos são palha e nada têm a ver com trigo.

A verdadeira pregação não apenas coloca a verdade diante do povo, mas também procura mostrar-lhe a glória daquela verdade e levá-lo a aceitá-la.

Não abrimos mão de sermos uma igreja que estuda a Bíblia, que a prioriza e a tem como base de fé e de prática. É ela que santifica (“Escondi a tua palavra no meu coração para não pecar contra ti” – Sl 119.11- e “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” – Jo 17.17). Ela santifica a vida do moço (“Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o de acordo com a tua palavra” – Sl 119.9). É a semente que nos gerou para a nova vida: “Tendo renascido, não de semente corruptível mas de incorruptível, pela palavra de Deus, a qual vive e permanece” (1Pe 1.23).

A Bíblia é o livro mais vendido no mundo. É o mais traduzido. É o mais lido. Só precisa ser o mais acatado, obedecido. Aí haverá uma revolução espiritual sadia e equilibrada no mundo. Que haja, pelo menos, em nossa vida e em nossa igreja.

Pr Silas Arbolato da Cunha                                                                                           Fevereiro/2006