48- Propósitos quem Sou, Por Que Nasci (Julho 2005)

PROPÓSITOS – QUEM SOU, POR QUE NASCI.

João Calvino começa as suas Institutas mostrando que o conhecimento do homem, sua origem e propósito só podem ser compreendidos quando começamos com o conhecimento de Deus. Você não descobre o significado da vida, como muitos livros de auto-ajuda ensinam, olhando para dentro, mas olhando para o alto.

O propósito da vida não está na especulação dos milhares de filósofos, mas na revelação divina. Você não é um acidente. Seu nascimento não foi um engano. Deus planejou você. Deus não ficou surpreso por seu nascimento, antes o esperou. Antes de ser concebido por seus pais, você foi concebido na mente de Deus. Ele planejou cada detalhe do seu corpo (Salmo 139). Deus determinou os talentos naturais que você possuiria e também sua personalidade. Deus determinou o tempo da sua vida sobre a terra. Deus determinou onde você nasceria: sua nacionalidade, filiação, temperamento, cultura. Sua nacionalidade não é arbitrária. Deus determinou como você iria nascer. Enquanto há pais ilegítimos, não há filhos ilegítimos. Muitos filhos não foram planejados por seus pais, mas foram planejados por Deus. Deus pensou em você antes de criar o mundo. Você foi criado para ser um mordomo de Deus.

Somos mordomos de Deus.   O mordomo é uma pessoa incumbida dos bens do seu senhor. Ele não é o dono, mas o dono da casa lhe confia tudo o que tem para ser cuidado e desenvolvido: terras, dinheiro, jóias, filhos, alimentação da família e administração de suas riquezas. Quando o mordomo se sente dono dos bens do seu senhor, ele trai o seu senhor. Quando o mordomo deixa de cuidar com zelo e fidelidade dos bens do seu senhor, ele torna-se infiel. Deus é o dono de tudo e não nos passou escritura do que lhe pertence. Os animais são de Deus (Sl 50:10-12), a terra é de Deus (Lv 25:23), a prata e o ouro são de Deus (Ag 2:8). O que a terra produz é de Deus (Os 2:8). Até os bens que administramos e empregamos na obra de Deus é de Deus (1 Cr 29:13-16). Sempre que granjeamos, administramos e gastamos os recursos como se eles fossem nossos, não atentando que pertencem a Deus, tornamo-nos mordomos infiéis. Somos propriedade exclusiva de Deus.

Nós não nos pertencemos, somos propriedade exclusiva de Deus. E isso, por três razões distintas. Em primeiro lugar, por direito de criação (Gn 1:27; 2:7; Is 42:5; 43:1-7). Você não é produto do acaso nem da evolução. Deus criou você, formou você e o entreteceu de forma assombrosamente maravilhosa. Ele conhece cada célula do seu corpo e cada fio de cabelo da sua cabeça. Todos os seus dias estão contados e determinados pelo Senhor.

Em segundo lugar, você é propriedade de Deus por direito de preservação (At 14:15-17; 17:22-28) . A doutrina da providência é maravilhosa. Ela alcança ímpios e remidos. Deus dá a chuva e o sol ao ateu e ao crente. Ele dá saúde ao salvo e ao incrédulo. As bênçãos da graça comum, ele as distribui a todos. É Deus quem nos dá a vida, a respiração, a saúde, a proteção, o alimento, o paladar, o livramento.

Em terceiro lugar, você é propriedade de Deus por direito de redenção (1 Co 6:19-20; 1 Pe 2:9; Ap 5:9). Deus criou você para a sua glória (Is 43:7). O pecado o afastou de Deus (Is 59:2). Então, Deus o comprou pelo preço do sangue do seu Filho (At 20:28; 1 Co 6:20). Somos de Deus porque ele nos criou, porque ele nos preserva e porque ele nos remiu. Somos responsáveis diante de Deus

A compreensão dessa gloriosa verdade nos leva a ter um profundo senso do sagrado. Tudo para nós torna-se sagrado. Você é um mordomo no comércio e no templo. O lar, a escola, o trabalho e a igreja participam da mesma esfera sagrada, isto porque tudo é de Deus e ele se importa com tudo o que é dele.

A compreensão dessa gloriosa verdade nos leva a ter um profundo senso de responsabilidade. Vamos prestar conta da nossa mordomia, de como usamos nossa vida, família, bens, recursos, talentos, oportunidades, tempo, e dinheiro. O que se requer dos mordomos é que eles sejam encontrados fiéis (1 Co 4:1-2).

Finalmente, a compreensão dessa gloriosa verdade nos leva a ter um profundo senso de dependência. Nenhum mordomo poderá desempenhar o seu sublime papel sem total dependência de Deus, sem o poder do Espírito Santo.

Tomemos consciência disso na nossa vida pessoal e na igreja. Quem dera nossos políticos também entendessem isso.

Pr Silas Arbolato da Cunha

Julho/2005