42- Memória de Elefante (Dezembro 2004)

MEMÓRIA DE ELEFANTE

Quero trazer á memória o que me pode dar esperança. Lm 3.21

Os elefantes, quando capturados pequenos ou nascidos em cativeiro, são acorrentados por fortes correntes. Por serem pequenos, estas correntes são suficientes para detê-los, mesmo o animal lutando muito contra elas. Eles se cansam de pelejar e aceitam que não é possível se desvencilhar de sua prisão.

 

O curioso é que o elefante vai crescendo e adquire força e condições para se libertar, porém fica preso na experiência do passado e não tenta mais brigar contra o que lhe prende. Dizem que as correntes que prendem os animais adultos são mais fracas do que a dos pequenos, são apenas suficientes para não se arrebentarem num movimento brusco involuntário. Há textos que relatam que depois de "aprendida a lição" é possível manter um elefante preso até mesmo com um barbante, pois em sua mente fica sempre a mensagem da impossibilidade de vencer qualquer coisa que esteja amarrada a uma de suas patas.

 

Pobre animal, seu insucesso passado limita para sempre seu futuro e sua liberdade.

 

A grande questão é que tem muita gente se comportando como elefante. São pessoas presas pelas experiências de fracasso ou por aprendizagens que as levaram a crer que as coisas nunca mudam ou que pelo menos não se pode fazer nada para isso.

              

               Jeremias tinha lembranças que doíam – “Lembro-me da minha aflição e do meu delírio, da minha amargura e do meu pesar. Lembro-me bem disso tudo, e a minha alma desfalece dentro de mim” (Lm 3.19,20.

 

Terminamos mais um ano, quais lembranças ficarão? Certamente todos nós gostaríamos de levar apenas boas lembranças. Há alguns eventos que gostaríamos de esquecer, mas não é possível. E a vida segue sem se deter, atropela-nos sem pedir licença e não nos permite mais voltar. Ficaram feridas abertas por momentos de aflição e amargura, lembranças que nos tiram a paz (Lm 3.17), ficaram ressentimentos, medo, desconfiança, incertezas, desesperança. Como estas lembranças doem. Quantas lágrimas foram derramadas sem que nada mudasse, quantas lágrimas deram em nada. “É por isso que eu choro; as lágrimas inundam os meus olhos. Ninguém está por perto para consolar-me, não há ninguém que restaure o meu espírito” (Lm 1.16).

 

Foi em meio a essa dor que Jeremias descobriu o doce alento do Senhor. Ele não deixou que sua memória o aprisionasse às lembranças ruins. Havia também boas recordações “Todavia, lembro-me também do que pode me dar esperança: Graças ao grande amor do SENHOR é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se cada manhã; grande é a sua fidelidade! Digo a mim mesmo: A minha porção é o SENHOR; portanto, nele porei a minha esperança. O SENHOR é bom para com aqueles cuja esperança está nele, para com aqueles que o buscam; é bom esperar tranqüilo pela salvação do SENHOR” (Lm 3.21-26).

 

Não se deixe aprisionar por lembranças que limitem seu futuro, sua liberdade, sua esperança nas coisas novas que Deus pode fazer. “Desde os tempos antigos ninguém ouviu, nenhum ouvido percebeu, e olho nenhum viu outro Deus, além de ti, que trabalha para aqueles que nele esperam” (Is. 64.4).

 

               Como você quer levar as lembranças deste ano? A misericórdia do Senhor, a graça do Senhor, Sua bondade, Suas misericórdias, Seu amor inesgotável podem “embalar” todas as suas lembranças. Há esperança, sempre, porque a misericórdia do Senhor é como um rio corrente, cujas águas são sempre novas, cada manhã.

Feliz Natal e um Novo Ano próspero no andar com Deus,

 

Pr Silas Arbolato da Cunha

Dezembro/2004