34- A Palavra de Deus e os Nossos Sentimentos (Setembro 2002)

A PALAVRA DE DEUS E OS NOSSOS SENTIMENTOS

Certamente, os sentimentos têm um lugar de muita importância na nossa vida. Na salvação, os sentimentos têm também o seu lugar. A partir do momento que somos feitos filhos de Deus (Jo 1.12), o Espírito Santo testifica em nós esta filiação. Este testemunho interior é o sentimento de paz, de aceitação e de perdão que o crente experimenta. Este sentimento faz com que nos sintamos na posição certa, conferindo maior fundamento à nossa entrega pessoal a Cristo. Trata-se mais de um sentimento interior e de uma convicção do que de uma emoção externa (1 Jo 4.13; Rm 8.15,16).

Como vimos acima, alguns sentimentos ajudam a substanciar as verdades da Palavra de Deus. No entanto, alguns outros sentimentos, quando nos deixamos controlar por eles, podem ser extremamente prejudiciais a nós e àqueles que nos cercam. O grande problema é que os sentimentos, de maneira geral, são controlados pelas circunstâncias da nossa vida e, as circunstâncias, na maioria das vezes não são controladas por nós. Isto significa que, quando baseamos a nossa fé, ou as nossas atitudes como cristãos, nos nossos sentimentos corremos o sério risco de estarmos nos firmando num banco de areia movediça. Deixe-me exemplificar: "Se eu fosse perseguido por meu chefe no trabalho, ou algum colega estivesse tentando se promover às minhas custas, ao agir pelo sentimento, minha reação seria tentar puxar o tapete deles, antes que eu caia. Ao agir pela Palavra minha reação seria orar por aqueles que me perseguem e abençoa-los (Mt 5.44; Rm 12.14,21)." São muitas as circunstâncias em que temos a possibilidade de escolher nossas palavras e atitudes. O que precisamos é aprender a firmar nossas decisões em fatos, em promessas, em mandamentos do Senhor, e não nos nossos sentimentos. A isto, Paulo chama de "domínio próprio" em Gálatas 5. 23, e é fruto que somente o Espírito Santo pode produzir em nós quando andamos nEle.

Reflita um pouco como será diferente, em casa, no trabalho, na igreja, se agirmos pela Palavra e não pelos nossos sentimentos: se quando ofendidos gravemente por alguém não revidarmos com ofensa (1 Pe 2.23); se alguém violar nossos direitos, caminharmos com ele a segunda milha (Mt 5.41); se alguém gritar conosco, respondermos com palavras brandas (Pv 15.1); se, ao invés de andarmos ansiosos, buscarmos em primeiro lugar o reino de Deus e a Sua justiça (Mt 6.33). Talvez você diga que nunca irá conseguir controlar seus sentimentos e deixar de falar e agir impulsionado (a) por eles. Este controle só pode ser exercido pela atuação do Espírito Santo em nós; a partir do momento em que reconhecemos o nosso agir pecaminoso e entregamos essas áreas ao controle do Espírito Santo de Deus. Ninguém pode andar no Espírito a não ser que sinceramente deseje isso. Somente quando desejarmos, mais do que qualquer outra coisa no mundo, a plenitude do Espírito Santo, é que estaremos dispostos a pôr de lado nossos sentimentos e agirmos pela Palavra.

Pr. Silas Arbolato da Cunha

  Setembro/2002