22 - Homens são Homens, Mulheres são Mulheres (1 Co 11.2-16)

Homens são Homens, Mulheres, Mulheres1 Co 11.2-16

Pr. Davi Merkh

Deus criou homens e mulheres bem diferentes cada um do outro.  Por exemplo,

 *Ida ao shopping                             *O que esperam num cônjuge

*Troca de papéis                                 *Transplante de cérebro 

Mesmo assim, vivemos num mundo em que a diferença entre homens e mulheres está ficando cada vez menor.  O fato é que hoje existe uma crises de identidade sexual no nosso mundo.  Há muita confusão sobre os respectivos papéis de homens e mulheres.  Existem homens que querem ser mulheres, e mulheres que querem ser homens.  Fazem cirurgias para poderem mudar de sexo.  Usam roupas que tradicionalmente pertenciam ao sexo oposto.  Mulheres tem tatuagem.  Homens usam brincos.  Mulheres cortam seu cabelo bem cortinho e usam ternos e gravata, homens têm cabelo comprido, fazem depilação e têm traços femininos.  Temos cortes de cabelo e roupa unisexo.  O resultado é um mundo confuso, caótico, em que as pessoas não sabem quem são, não ficam contentes consigo mesmas, e vivem uma miséria de esquizofrenia sexual.  (Percebemos essa crise de identidade até na criação dos filhos, onde pais obedecem a seus filhos e filhos mandam nos pais!)  Meus irmãos, essas coisas não devem ser assim! 

Mais triste ainda, é que essa confusão de papéis infiltrou a própria igreja.  Bebemos de uma fonte contaminada, e agora partilhamos de um virus em que confusão reina na igreja.  O resultado?  Confusão e caos no culto e no corpo de Cristo sobre masculinidade e feminilidade, papéis, e liderança. 

Acredita ou não, as coisas não mudaram muito nos últimos 2000 anos.  Esses mesmos problemas já afligiam a sociedade do primeiro século e o povo de Corinto.   

Terminamos uma mini-série de mensagens sobre liberdade cristã em 1 Coríntios.  Depois de exortar a igreja à unidade (Tema: Unidos com Cristo em sua Causa), focalizando na mensagem da cruz e não nos mensageiros, Paulo tratou de problemas em áreas como disciplina (5), litígio entre membros (6), dúvidas sobre casamento cristão (7) e liberdade cristã.  A questão de liberdade cristão levou o apóstolo a considerar uma área específica onde os corintios estavam abusando sua liberdade: o culto cristão.  Mulheres libertas estavam criando confusão no culto.   

Hoje, vamos estudar uma nova parte da carta que vai tratar de problemas de ordem no culto e no corpo (11-14).  1 Co 14.40, o último versículo dessa divisão, resume o princípio:  Tudo, porém, seja feito com decência e ordem.  Acontece que nada estava sendo feito com decência e ordem.  Homens e mulheres haviam trocado seus papéis.  Mulheres “libertas” bandeando sua liberdade da “opressão” machista; homens “passivos” entregando o culto e a igreja para serem dirigidos pelas mulheres.  Dons espirituais, em vez de unir e edificar o corpo, estavam sendo usados de forma egoísta para dividir os irmãos.  A própria celebração da Ceia do Senhor virou ocasião de regalia para os ricos e passar fome para os pobres. 

O texto que vamos estudar hoje lida com os papéis de homens e mulheres no culto cristão.  Fala sobre como manter equilibrio entre o ensino cristão de igualdade entre os sexos em Cristo, mas distinções entre elas desde a criação.  O foco será como manter ordem, decência, modéstia num culto sem distrações, em que Cristo Jesus é o foco, e não homens e mulheres.  É um dos textos mais difíceis em todo o NT para interpretar.  Tenham paciência, e tentaremos focalizar os princípios principais desse trecho. 

Ler 1 Co 11.2-7

 Esse texto é extremamente difícil, em parte porque as pessoas se confundem na discussão de seus detalhes.  Mas o princípio da passagem, seu coração, a lição eterna que ensina, fica claro:  

No culto e no Corpo cristão, Deus distingui entre homens e mulheres,que devem ocupar seus respectivos papéis com dignidade e honra! 

Os detalhes do texto: Mulheres têm que usar véu?  Mulheres podem ou não podem falar no culto público?  Homens podem ter cabelo cumprido?  Mulheres são inferiores a homens?  O que os anjos têm a ver?  Tudo no contexto pertence a uma outra cultura, ou é aplicável a nós também? 

Responderemos algumas dessas perguntas.  Mas nosso foco é captar o espírito desse texto, e depois aplicá-lo para nossas vidas.  No processo, teremos que lidar com questões de interpretação (hermenêutica), pois a maneira como interpretamos esse texto diz muito a respeito de como lidamos com nossas Bíblias. 

Hermenêutica.  Temos que tomar muito cuidado com a maneira como interpretamos um texto que apresenta costumes estranhos para nós.  Defendemos uma interpretação estritamente literal, a não ser que haja evidência clara no texto de que algumas ordens são culturalmente condicionadas.  Em outras palavras, que a mulher deve usar o véu, conforme esse texto ensina, a não ser que haja umas dicas claras ao contrário.  Ao mesmo tempo, reconhecemos que na nossa interpretação da Bíblia, Deus está mais interessado no espírito do que na letra.  Temos que descobrir os princípios de um texto e verificar a melhor maneira de praticá-los na nossa cultura.  (Eu mesmo fui criado numa igreja (Casa de Oração) que defendia a interpretação literal da Bíblia, e que pregava, quase que semanalmente, o uso do véu pelas mulheres na igreja.  Mas, enquanto muitas mulheres usavam algum tipo de véu, percebia que o espírito por trás não era nada digno em muitas delas.  Havia divisão, insubmissão, etc.  na igreja.  Cumpriam a letra mas perderam o espírito.)  Encontramos outros textos problemáticos em que precisamos articular bem as nossas razões por aceitar ou rejeitar determinada prática:

            Exs.: Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo;

                        Lavai os pés uns dos outros

                        Não comerás carne com o sangue (churisco)Formas de batismo, governo da igreja, uso de dons espirituais, sexualidade (homosexualidade), etc., não ordenação de mulheres, etc. 

Vs. 1 começa com uma palavra de incentivo.  Nem tudo estava errado na igreja de Corinto.  A igreja havia seguido muitas das tradições eclesiásticas entregues por Paulo (veja vs. 17, em que ele os condena por NÃO terem seguido sua instrução quanto a Ceia do Senhor.)  Mas ainda havia espaço para melhorar.  Havia desordem e distrações no culto público que deviaram atenção de Jesus. 

Vamos descobrir 3 razões por que mulheres e homens precisavam ter papéis distintos no culto cristão e manter decência e ordem no culto . . .  

I.                   Razões Teologicas pela Decência e Ordem no Culto (3-7): Iguais mas Diferentes

 O problema em Corinto é que homens e mulheres estavam invertendo seus papéis, criando distrações no Corpo de Cristo e no culto cristão.  É importante notar alguns fatos contextuais e culturais daquela época.

1)     A roupa era unisexo.  Havia pouca diferença entre a roupa das mulheres e dos homens, e nenhuma roupa especial para os cultos.

2)     A cobertura, ou seja o véu, distinguia entre homens e mulheres

3)     Algumas mulheres “libertas” das convenções “machistas”, haviam tirado a cobertura da cabeça para mostrar sua “liberdade” na sociedade e até na igreja (estavam atrapalhando o culto) 

Paulo escreve para corrigir essa confusão de papéis.  Para ele, era extremamente importante manter a diferença nítida entre os sexos, especialmente no contexto da igreja.  O espírito do texto aponta ao coração muito mais do que à roupa em si. 

 A pergunta é se homens e mulheres são contentes ou rebeldes em seus papéis diante de Deus. 

1. No Culto Cristão, demonstramos a ordem e hierarquia do plano divino.  No vs. 3, estabelece a hierarquia divina:  Deus—Cristo—Homem—Mulher.  O princípio de subordinação e autoridade permeia todo o universo.  Mas cuidado para não associar hierarquia com superioridade ou inferioridade.  Não é isso!   

Um funcionário pode ser mais inteligente que seu chefe, mas segue as linhas de comando.  Um cidadão talvez seja mais forte que o policial, mas não significa que pode fugir dele.  Uma esposa talvez seja mais competente que seu marido, mas ainda deve se submeter a ele.   É uma questão funcional, não existencial (essencial).  Uma questão de ordem e complementação, não de valor!  De função, não unção.  O mundo não funciona sem hierarquia.  Quando todos são iguais, temos anarquia, confusão, caos.  Satanás é o autor de confusão, Deus, de ordem.   

Deus o Pai não vale mais que Cristo o Filho.  Não imaginamos um Cristo ficando aborrecido porque Ele tem que ser submisso ao Pai.  São iguais mas diferentes!  É impossível ter um organismo (organização) sem ordem, sem liderança, sem submissão.   

Essas convenções culturais refletem verdades muito mais profundas.

Gn 1.27—heterosexualidade expressa a imagem de Deus

Gn 2.15,18—auxiliadora idônea para complementar ao homem

Gn 3.16b—uma consequência do pecado será a inversão de papéis na sociedade: mulheres querendo mandar, homens não servindo e amando mas oprimindo.  Uma batalha dos sexos.

2 Co 5.17—em Cristo, restauração dos papéis;

Ef 5.22,25—os papéis restaurados

Gal 3.28—igualdade de ser, mesmo havendo diferença no fazer 

Movimentos feminista e machistas vem de Deus ou de Satanás?  Perpetuam valores bíblicos ou satánicos?  Qual seria o interesse de Satanás em diluir as diferenças entre os sexos?  Resposta: Ofuscar a imagem de Deus no homem, manifesta pela heterosexualidade, e não a homosexualidade unisexualidade (no sentido de que todos são do “mesmo” sexo).  Deus quer manter a distinção entre os sexos, pois assim a imagem dEle é mais claramente refletida no homem.  Assim a própria ordem na Santa Trindade se manifesta mais claramente: Deus Pai, Filho e Espírito Santo, iguais no ser, diferentes no fazer.  Perfeitamente compatíveis, contentes, dignos em seus respectivos papéis.  Heresias antigas sempre tentavam diluir as diferenças entre os 3 membros da Trindade, mesclando suas pessoas.  O movimento feminista e homossexual faz a mesma coisa com o homem, imagem de Deus. 

2.  No Culto Cristão, refletimos a Glória de Deus (4-7).  No vs. 4, Paulo aplica esse conceito teológico à prática do culto.  No culto cristão, não temos liberdade (veja cps 8-10) de abandonar a ordem original, o plano de Deus, para nossas vidas.  O homem não deve participar do culto com sua cabeça coberta.  (Lembre-se de que, naquela cultura, ter a cabeça coberta significava diluir a única marca que distinguia entre homens e mulheres).  A razão é citado no vs. 7: o homem foi criado primeiro, como imagem e glória de Deus, ou seja, um reflexo da glória de Deus.  Em outras palavras, deve ficar descoberto para que sua cabeça reflita (especialmente no caso dos carecas!) a glória de Deus.  Ele faz isso, representando o que Deus representa no mundo—Ele é o cabeça de Cristo.  O homem com bonê ou chapeu ou até mesmo cabelo comprido está dizendo, “Eu não quero refletir Deus na terra; não quero ser cabeça; quero mostrar minha submissão.” Ele acaba desonrando sua própria cabeça, um jogo de palavras em que “cabeça” representa sua própria vida (ele envergonha-se a si mesmo) e Deus (o cabeça do homem).  Como vamos ver depois, algumas das maneiras culturais de expressar liderança e submissão na nossa sociedade mudaram.  Mas o ponto é claro: para o homem realmente refletir a imagem de Deus Pai, precisa ser distintamente homem, especialmente no culto. 

MacArthur: O homem mostra que criatura fantástica Deus pode fazer se Si mesmo, enquanto a mulher mostra que criatura fantástica Deus pode fazer do homem.  Cada um reflete a glória da Sua fonte. 

No vs. 5 Paulo trata das mulheres libertas.  Enquanto alguns homens estavam diluindo a diferença e os papeis de homens e mulheres, algumas mulheres libertas estavam jogando fora seu véu, e, simbolicamente, negando sua posição como subordinada à liderança masculina.  Paulo não nega que havia um espaço para ela participar do culto público (orar e profetizar, mas dentro das limitações impostas no cp. 14.34,35).  Mas precisa manter a dignidade de seu papel de mulher como ordenado por Deus.  De fato, no reflexo da imagem de Deus, ela ocupa o lugar de Cristo Jesus, que era submisso à sua cabeça, Deus Pai.  Para ilustrar esse, seu papel, era necessário traçar as marcas distintivas naquela sociedade de mulher, alguém contente, alegre, e digno com seu papel.  A mulher sem véu estaria dizendo, “Eu quero ser Deus no relacionamento!  Não aceito meu papel como submissa ao meu marido.”  Neste caso, ela desonra a si mesma, e desonra a seu marido.   

Mas a mulher distintamente mulher, diria, “Eu estou contente com o papel que Deus me deu!  Eu quero mostrar de forma externa o que está no meu coração—estou feliz em meu papel de submissão ao meu marido.”  Conforme vs. 7b, ela acaba sendo a glória do homem. 

No vs. 5b e 6 Paulo usa o efeito de choque para fazer as mulheres acordarem à seriedade da sua auto-proclamada liberdade da hierarquia divina: Se elas quisessem ser libertas do plano de Deus, então tira toda a cobertura dada por Deus—rape todo o cabelo também (assim ela também ficaria careca e poderia refletir mais claramente a vergonha de fugir do plano de Deus).  Naquela cultura, uma mulher pega em adultério ou prostituição foi rapada, tosquiada, ficando careca e assim passando vergonha que a impedia de praticar sua imoralidade.  Paulo coloca feminismo no mesmo patamar com prostituição e adultério, como sendo desvios e abusos do plano perfeito e original de Deus. 

II. Razões Trans-Culturais pela Decência e Ordem no Culto (8-12) Vss. 8-10 alistam mais razões por trás dessa ordem divina.  Já descobrimos que a distinção entre homem e mulher tem de ser mantido na igreja por causa da imagem de Deus que se manifesta em macho e fêmea, cada um complementando o outro.  Também vimos que qualquer desvio desse plano cria distúrbios no culto e no Corpo de Cristo.  Mas Paulo alista mais 3 razões por que as estruturas de autoridade criadas por Deus precisam continuar em Cristo. 

1.  Por causa da ordem da criação (8).  O homem foi criado primeiro.  Esse fato precede a Queda, e tira a desculpa de que tudo que Paulo fala é devido ao pecado, mas que “em Cristo” fica abolido.  Paulo cita o estado do homem no Jardim.  Ele foi a coroa da criação, e seria complementado pela mulher. 

2.  Por causa do propósito da criação da mulher (9). A mulher foi feita para complementar o homem.  Foi chamada de “auxiliadora idônea” (não um capacho eficiente)—um complemento justamente nas áreas onde faltava-lhe alguma coisa, um refúgio, um socorro, uma representante de Deus ao lado do homem.  Mas desde o princípio, ela era sub-missa ao marido, ou seja, a missão dela seria subordinada à missão do seu marido.  Essa linha de distinção entre os sexos nunca foi abolida (cf. Ef. 5.22-24). 

3.  Por causa de seres sobrenaturais (10).  Paulo introduz algo totalmente inesperado e inédito no argumento.  As mulheres devem manter a dignidade da sua posição no culto por causa dos anjos!  Mais uma vez o argumento transcende cultura.  Paulo eleva o argumento para uma esfera sobrenatural e espiritual.   

Alguns sugerem que “anjos” aqui representam os “mensageiros” da igreja, ou seja, os pastores.  Outros dizem que mulheres “libertas” e descobertas no culto público representariam uma tentação (sedução) para anjos, assim como lemos em Gn 6.  Outros afirmam que os anjos são membros invisíveis, assistentes de culto cristão, que se ofendem quando as normas de culto são descartadas.  Creio que essa posição tem mérito.   

Mas acho que a razão principal por que os anjos são citados aqui é pelo fato de que anjos representam os seres mais dignos, espirituais e ao mesmo tempo submissos no universo. Hebreus 1.14 diz, “Não são todos eles espíritos ministradores enviados para serviço, a favor dos que hão de herdar a salvação?”  Em outras palavras, anjos são seres dignos, que ocupam um papel digno, ficam contentes com esse papel, e assim são subordinados a Deus.  Quando assistem mulheres libertas e homens “bananas”, mulheres que querem ser homens e homens que querem ser mulheres, ficam profundamente ofendidos.   

É interessante notar que os anjos que deixaram seu estado original (Judas 6), mas abandonaram o seu próprio domicílio, são chamados “demônios”.  Não é de estranhar que os anjos são citados por Paulo como motivo de não abandonar os papéis distintivos ordenados por Deus. 

Tendo dito tudo isso, cabe uma palavra de cautela (vs. 11-12).  Paulo lembra os corintios mais uma vez de que não está falando de inferiordade, mas de hierarquia, não de ser mas de fazer.  Em Cristo, homens e mulheres são interdependentes.  Cada um precisa do outro.  A primeira mulher veio do homem, mas depois disso, todo homem no mundo procedeu de uma mulher.  Esse texto não é desculpa para machismo, chauvinismo, opressão de mulheres, diminuição do sexo feminino, etc.  O homem que fica batendo na tecla da submssão revela mais sobre sua dignidade do que talvez queira admitir. 

III.  Razões Culturais para a Expressão de Decência e Ordem (13-16) 

Chegamos à parte prática do ensino.  Se aceitamos a Palavra de Deus e a ordem divina para decência no culto, temos que determinar exatamente COMO podemos cumpri-la em nossos dias.  Essa é a questão mais problemática da passagem. 

Fica muito claro que na cultura do primeiro século a maneira principal de demonstrar submissão e satisfação com seus respectivos papéis foi quando os homens ficavam sem véu e as mulheres cobriam a cabeça.  E temos que admitir a possibilidade, como algumas igrejas em nossos dias, de que a Biblia tem o direito de mandar na cultura, de determinar práticas culturais.  Os Menonitas e a Casa de Oração tem essa prática, assim como a Congregação Cristã do Brasil e outras igrejas. 

Mas parece que a ênfase do texto recai muito sobre normas e expressões culturais para cumprir o ESPÍRITO do texto.  É por causa desses “poréms” que creio que nossa prática de decência e ordem nos papéis na igreja deve ser diferente, enquanto mantendo o princípio de que homens e mulheres devem ser distintamente homens e mulheres. 

Vs. 10 diz que o véu serve como “sinal de autoridade”.  De fato, a palavra “sinal” não consta no texto original, mas sua idéia está implícita.  “A mulher deve ter autoridade sobre a cabeça dela”.  A idéia é que, de alguma forma ou alguma maneira, ela manifeste a dignidade de mulher. 

Vs. 13 contém um desafio: “Julgai entre vós mesmo: é próprio que a mulher ore a Deus sem trazer o véu?” O fato é que nós, hoje, teríamos que dizer que não tem nada a ver.  A diferença entre homens e mulheres na nossa cultura não tem nada a ver com o véu na cabeça. 

Vs. 14 usa mais um argumento da natureza: “Ou não vos ensina a própria natureza ser desonroso para o homem usar cabelo comprido?” Paulo apela para outra diferença usada para marcar os sexos—o comprimento do cabelo.  Nesse caso, poderíamos abrir um grande debate.  A nossa sociedade ainda distingue entre homens e mulheres pelo comprimento do cabelo?  Eu daria um “Sim” cauteloso.  As normas mudaram muito nos anos 60, como manifestação aberta de rebeldia e “anti-estabelecimento”, uma libertação em que os papéis foram tracados e homens pareciam como mulheres.  Mas novamente, o argumento do apóstolo apela para a natureza. 

Vs. 15 nos dá mais uma dica de que formas culturais estão em vista.  Diz que o cabelo foi dado para a mulher no lugar de mantilha (ou véu).  É fato cientificamente compravado de que Deus fez o cabelo da mulher para crescer mais rápido e por mais tempo que o homem.  A palavra para “cabelo comprido” também pode significar “cabelo arrumado”, ou seja, feminino e lindo. Mas o próprio cabelo ajuda a distinguir mulheres de homens.  Deus deu o cabelo mais comprido como sinal dessa autoridade, mais uma ajuda para manter as distinções entre os sexos. 

Vs. 16 termina com mais um argumento de convenção, de tradição e costume.  Paulo diz que qualquer um que rejeita essas distinções necessárias para ter um culto decente e que reflete a ordem do universo está sendo contencioso e está rejeitando o que se pratica comumente nas igrejas. 

Concluímos que a ênfase do texto não está no véu ou no cabelo em si, embora certamente não existe nada que proibe os dois.  O ponto é que, no culto e no corpo cristão, mulheres são mulheres, e homens são homens.  Cada um tem seu papel distintivo.  Cada um tem sua própria dignidade em Cristo.  Cada um deve ficar contente e alegre com sua posição.  Ficar “liberto” desses papéis significa voltar a escravidão outra vez do diabo. 

Como podemos aplicar tudo isso hoje?1)      Precisamos resgatar a dignidade de homem e mulher no plano de Deus—ficar contentes com quem Deus nos criou para ser.2)      Precisamos manter as linhas de demarcação entre os sexos: homens que parecem como homens, e mulheres que parecem como mulheres . . . a.      Roupa distintamente feminina sem ser sensualb.      Cabelo distintamente feminino ou masculinoc.       Enfeites (brincos, etc.) como aceitos pela maioria da cultura (cp. Os indios)d.      Jeitão masculino ou feminino apropriado (apertar a mão, examinar as unhas, assumir liderança, não ser passivo, etc.)e.      Papéis na igreja respeitados: homens como líderes espirituais e aqueles que doutrinam a igreja; mulheres que apoiam o ministério do marido, ensinam e aconselham outras mulheres e crianças3)      Decência nos cultos: evitar tudo em roupa, cabelo, comportamento que distrai atenção de Jesus.  Precisamos evitar qualquer roupa, atitude, comportamento, maneirismo que pode sugerir que alguém é sensual ou pertencente a alguma seita ou religião falsaa.      Mulheres que ficam mexendo com seu cabelo durante o cultob.      Mulheres com roupa indecente que distrai; o culto público uma ocasião em que há uma mistura de muitos homens e mulheres; nada deve distrair o pensamento de Cristoc.       Homens passivos que entregam às mulheres a liderança, os testemunhos, o ensino, etc. da igreja.d.      Roupas “características” de seitas: mórmons, cong. Cristã, etc. 

Crises de identidade pode ser resolvidas na igreja quando homens são homens, mulheres são mulheres, e juntos focalizam a Pessoa de Cristo e Seu Reino.  Louvemos a Deus que Ele nos fez diferentes, únicos, cada um com sua própria glória, propósito, função. 

Idéia: Decência e ordem no culto manifestam-se quando homens e mulheres ocupam seus distintivos papéis com dignidade e honra.