06 - Pregação Verdadeiramente Cristã (1 Co 2.1-5)

Pregação Verdadeiramente Cristã (1 Co 2:1-5)

Pr. Davi Merkh 

Certa vez o professor de um seminário tocou uma fita K-7 para seus alunos.  Juntos escutaram a voz sonora de um pregador cativante.  No final da fita, o professor pediu para seus alunos avaliarem a mensagem.  Eram unânimes que fora um dos melhores sermões que já ouviram.  Até que o mestre explicou que o homem era líder de uma seita que negava a divindade de Jesus.  O problema não estava no que o pregador falou, mas no que ele NÃO falou.  Se sua mensagem não era anti-cristã, certamente era sub-cristã .   

O que é a pregação verdadeira cristã?  O que a torna distintamente cristã?  Se compartilhamos uma mensagem que poderia ser abordada e aceita numa sinagoga, ou mesquita, ou entre os Mórmons, compartilhamos moralidade oca. É uma mensagem sub-cristã.  Qual a nossa mensagem?  Quais os métodos?  Qual a meta que almejamos?  Essas são as perguntas que 1 Co 2:1-5 responde para nós.  Cristo e sua cruz tornam a pregação distintamente cristã. 

Veremos 3 ingredientes essenciais para uma pregação verdadeiramente cristã.  (Os ingredientes da pregação cristã são os mesmos da vida cristã!)

I.    A Mensagem da Pregação Cristã: Declaração de Cristo Crucificado (2:2)

 

1 Co 2:2 – uma decisão pré-meditada de não apelar para sabedoria natural mas espiritual, de não enfeitar ou modificar a mensagem para ser mais agradável aos filósofos desse mundo.

 

O foco em Cristo (cf. 1:10) é a única chave para unir as facções da igreja.  Paulo não queria saber de nada, senão Cristo e o que Ele estava realizando na vida de cada um deles. 

O que significa pregar Jesus Cristo, e este crucificado?  O que significa pregar a cruz de Cristo?           

    1:8 palavra da cruz           

    1:23 pregamos a Cristo crucificado           

    1:24 pregamos a Cristo           

    2:2  Jesus Cristo e este crucificado A MENSAGEM DE UM MESSIAS SALVADOR CRUCIFICADO FOI ABSURDO--COMO EXALTAR UM CRIMINOSO EXECUTADO NA CADEIRA ELÉTRICA OU ENFORCADO! A loucura da cruz é essa.  A cruz foi a forma mais humilhante de morte possível.  Foi um escândalo.  Foi um símbolo de ignomínia, vergonha, violência, crime.  Ninguém queria seguir um defunto, muito menos um criminoso crucificado.  Hoje, o efeito “choque” de ser um povo da cruz se perdeu.  Mas no 1o século, teria sido total, como se hoje fossemos identificados como o “povo da cadeira elétrica” ou “povo da guilhotina”, o “povo da forca”.   

A.      O que pregar Cristo NÃO Significa:

   1.      Não significa só evangelismo no púlpito.  (As cartas de Paulo deixam isso muito claro.  A ênfase está no discipulado, na edificação dos santos.) 

   2.      Não significa só pregar o NT e textos proféticos do VT.  (Os autores do NT usaram muito o VT, e não só as partes messiânicas.)  

   3.      Não significa imaginar Cristo tipificado atrás de cada pedra na Bíblia  

 

B.      O que pregar Cristo Significa

   1.      Anunciar TODO o conselho de Deus (At. 20:27: jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus”)  Cp.  2 Tm 3:16 toda Escritura inspirada por Deus e útil para o ension, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça) 

   2.      Anunciar a essência da doutrina da cruz:                                                                          

            i.      A depravação do homem (isso vai muito contra a “coceira nos ouvidos” da maioria; 2 Tm 4:3) (1:31).  Ef 2:8,9.  O homem incapaz de agradar a Deus.  Por isso o próprio Deus, na pessoa de Jesus, precisava morrer por nós.                                                                         

         ii.      O sacrifício e suficiência de Cristo Nosso testemunho (vs. 1); o que Deus fez por mim em Cristo.  Rm 1:16 “não me envergonho do Evangelho de Cristo; pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê . . . “ 

A cruz foi o plano de Deus antes da fundação do mundo!  Somente em Jesus é que sou aceito, mesmo sendo tão imperfeito.  Não preciso ser perfeito para dar testemunho.  O diabo queria que eu acreditasse nisso.  Mas com cada dia que passa, a cruz de Cristo revela mais da minha incapacidade, e mais da suficiência de Cristo!  Vejo mais e mais do meu pecado, e corro mais e mais para Seu sacrifício. 

Se nosso ensino somente aponta a necessidade do homem, sem levar à cruz, avançamos Lei sem Graça.  Colocamos os ouvintes debaixo da Velha Aliança, sem contar-lhes o fim da história.  Infelizmente, muito do nosso ensino (e muitos movimentos sub-cristãos de hoje) põem o povo debaixo da Lei, como se a cruz e a ressurreição de Cristo nunca tivéssem acontecido, e como se eles, pelos próprios méritos, pudessem ser aceitos diante de Deus:  Faça isso!  Faça aquileo!  Pule mais alto!  Pratique mais disciplinas da vida cristã!  

Infelizmente, muitas vezes ficamos empolgados com tudo em nossas igrejas, menos Cristo.  A estratégia de Satanás é desviar nossa atenção do que é central, para patinarmos sobre a periferia da nossa fé.   

Em outras palavras, a mensagem da cruz é “não eu, mas Cristo”.  Eu não podia salvar a mim mesmo.  Eu não consigo viver a vida cristã por mim mesmo.  Eu não posso impressionar a Deus por mim mesmo.  Eu não posso fazer com que Deus me ame mais.  Eu não posso . . . nada!  Mas “tudo posso, NAQUELE que me fortalece.  Essa a mensagem da cruz: Permanecer em Cristo (Jo 15).  Aprender “não eu, mas Cristo”.  Viver Gl 2:20: Sou crucificado com Cristo . . .   A glória na cruz!  Gal 6:14. 

Proclamar e viver a cruz de Cristo significa reconhecer em todos os momentos a fraqueza do homem e o poder de Deus.  Significa apontar para os pecados do homem na esfera do coração, e não somente as aparências.  E isso nos leva, todos nós, ao desespero, e ao pé da cruz.  É aí que encontramos perdão dos pecados.  É aí que encontramos poder para santificação.  Cristo crucificado e ressurreto.  Meus pecados perdoados, e nova vida dada para viver a vida de Cristo.  Sendo conformados à imagem de Cristo Jesus! 

Será que essa é a nossa mensagem?  Será que é isso que vemos quando lemos as nossas Bíblias? 

II.      O Método da Pregação Cristã: Dependência do Espírito (2:1,3,4)

 A.     Contexto Histórico Retórica e Filosofia:  tentativas de persuadir por argumentação, lógica, silogismos baseados em premissas, eloqüência, jogos de palavras bonitos, metáforas cativantes e mais . . .  Impressionar com talentos, força, poder, influência, retórica . . .  

B.     Contexto Bíblico (1,3,4) 

    1.  O que NÃO é: Dependência de Recursos Humanos 

*não com ostentação de língua (NVI: discurso eloquente) = “excelência de fala”;  “palavra superior”.  Cp 2 Co 10:10 --a pregação de Paulo não era impressionante; 2 Co 11:6—falto no falar.  Pergunte para Eutichio, que pegou no sono no meio da mensagem do Apóstolo e caiu da janela para sua morte . . .  Paulo não queria que eles adquirissem uma nova filosofia, mas uma nova vida! (MacArthur, 57) 

Cp. Moisés—gago! *não com sabedoria (humana)—não significa que ele gabava-se de falar bobagens.  É que a mensagem era ridícula para os filósofos e retóricos eloquentes do dia.  Não vamos para a igreja para ouvir “as últimas”.  Não vamos para ouvir as opiniões do pastor ou do professor da EBD.  Não queremos saber de política, ou psicologia, economias ou religião! Queremos ouvir, ASSIM DIZ O SENHOR! 

*não com linguagem persuasiva—não fez um “show”;  não foi “entretenimento”;  não manipulava suas audiências, como os oradores contemporâneos; Somos embaixadores, não vendedores!  Anunciamos um recado do Rei, não pleiteamos para comprar uma dúzia de vassouras!  Não enfeitamos, ornamentamos, mudamos ou adulteramos a mensagem! O embaixador VIVE EM FUNÇÃO DO RECADO FIELMENTE TRANSMITIDO DO REI!                         

Certa vez uma igreja  tinha uma daquelas janelas de vidro colorido com cena do Evangelho atrás do púlpito. Uma semana o pastor daquela igreja tinha que viajar, e outro tomou seu lugar, que era muito mais baixo.  Uma criança naquele domingo olhou para o novo pregador e perguntou para sua mãe, “Mãe, cadé aquele outro homem que sempre fica no lugar onde não podemos ver a Jesus? 

Nada disso significa que pregamos da pior forma possível.  Que ignoramos a natureza e a capacidade da nossa audiência.  Que tentamos tornar a mensagem tão “fadonha” quanto possível.   

O próprio livro de 1 Coríntios foi cuidadosamente elaborado, com muita lógica e argumentação exata.  Paulo usa ilustrações, analogias, alegorias, hinos, poemas, provérbios, citações, e muito mais em suas mensagens.  Mas tudo isso subordinado a prioridade da mensagem, a dependência do Espírito.  Ele não DEPENDIA da eloquencia. 

2.      O que É: O poder de Deus através da fraqueza do homem! 

A história de muitos servos de Deus—João Ninguéns para que Ele fosse o Deus de Alguém(Moisés, Josué, Gideão, Baraque, Davi) 

*sim em fraqueza—sabendo da sua incapacidade e da loucura da mensagem.   

   Filipos—cadeia, castigado, chicoteado;        

   Tessalônica—expulso como criminoso  

   Beréia—a mesma experiência                    

   Atenas—ridicularizado pela comunidade universitária  

   Corinto—pior de tudo!  Poço da humanidade!  Andou sozinho 90 km.  Medo, fraqueza, dúvida, temor e tremor.  Um ser humano! Deus usa pessoas que reconhecem sua fraqueza!  Somos fracos, falhos, mas aceitos por causa da cruz de Cristo!  Nossa glória está na cruz! 

Gal 6:14 Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo. 

*sim com temor—de ser desqualificado (1 Co 9:16, 27; At 18:9,10—não temas) 

*sim com tremor—de ser um hipócrita;  Nenhum super-herói! 

*SIM, EM DEMONSTRAÇÃO DO ESPÍRITO DO PODER!  O poder está na Palavra!(A palavra “demonstração” traz a idéia de uma prova irrefutável . . . que “fecha” a questão) 

Teologia da Fraqueza: 2 Co 1:84:712:8-1013:4 2 Tm 4:2:  Prega a Palavra  “Aquele que presume dizer, ‘Assim diz o Senhor’Deve fazê-lo com temor e tremor.” 

 

C.     Contexto Atual Perigo!  Dependência de técnicas humanas para construir igrejas, impactar vidas.  Não somos vendedores, mas evangelistas!  Não dependemos de “marketing” mas do Espírito de Deus!  *Marketing diz que precisa pregar no máximo 20 minutos porque as pessoas não conseguem e não vão aguentar mais que isso.*Marketing diz que temos que entreter as pessoas ou não vão voltar.*Marketing diz que você precisa dar para o povo o que querem, não o que precisam.*Marketing diz que você tem que embrulhar sua mensagem para atrair pessoas, não para convencer pecadores. 

Pregação em si é uma mídia fraca em conteúdo e forma.  Mas é a técnica escolhida por Deus.  Rádio, TV, Data Show, Drama, Louvorzão, mensagens na Internet, todos têm seu lugar e podem e devem ser resgatados para o Evangelho.  Mas não podem e não vão tomar o lugar simples da proclamação pública da mensagem da cruz. 

        III.             A Meta da Pregação Cristã: Demonstração do Poder de Deus em Vidas Transformadas (2:5)

 Nosso alvo são vidas transformadas pelo poder do Evangelho.  Qualquer outra transformação, no poder da carne, não permanecerá!  Fé apoiada em sabedoria humana é como uma casa construída sobre areia movidiça! 

Algo sobrenatural acontece quando o Espírito de Deus usa a Palavra de Deus ministrado pelo mensageiro de Deus.  A forma não é nada atraente.  O conteúdo pode parecer ridículo.  Mas Deus opera!  Vidas são transformadas! 

Uma tentação muito grande quando falamos em público—queremos que as pessoas gostem!   A tentação de fazer um show e não proclamar a palavra é enorme. 

Nossa meta, na pregação e na vida:  Gal 2:20—não viver para Deus, mas que Jesus viva em nós.Cl 1:28,29 –todo homem perfeito em CristoRm 8:29 – conformes a imagem de Seu FilhoGl 4:19 – Cristo formado em nós2 Co 3:18 – transformação de glória em glória, na sua própria imageSão alvos sobrenaturais!  Impossíveis a ser alcançados pela força da carne! 

Veja o papel do Espírito Santo nesta tarefa: A sabedoria de Deus é revelada em Jesus Cristo, e este crucificado, e esta sabedoria é revelada por suas testemunhas originais através do ministério do Espírito.           

    2:4 demonstração do Espírito e do poder;           

    2:10-13 

Jonathan Edwards: lia seus sermões, para que ninguém pudesse culpá-lo de fomentar decisões pela retórica ou homilética . . . Mas foi usado como parte de um dos maiores reavivamentos na história. 

Conclusão: Certa vez uma menina pré-escolar tinha que fazer o papel de Maria, mãe de Jesus, num teatro natalino.  No início tudo ia muito bem, e “Maria” sorria com satisfação enquanto admirava a boneca na manjedoura.  Mas logo os animais, e pastores, e outras pessoas encheram o palco, até que ninguém podia ver o berço humilde.  Foi então que a menina levantou a boneca  sobre a cabeça de todos, onde ele ficou até o final da peça.  Depois, quando alguém perguntou por quê ela fez assim, a menina declarou, “Todos estavam tirando seu lugar. . . eu tinha que levantar Jesus!” 

Três ingredientes numa pregação cristã:

1.      A Mensagem: Declaração de Cristo Crucificado

2.      O Método: Dependência do Espírito e não Técnicas Humanas

3.      A Meta: Demonstração do Poder de Deus em Vidas Transformadas 

Será que temos declarada uma mensagem verdadeiramente cristã?  A necessidade do homem de um salvador, porque ele é um miserável pecador?  A solução na morte e ressurreição de Cristo? 

Será que também estamos caindo na dependência de “marketing” para tornar nossa mensagem e nossa igreja mais populares?  Tornamos o Evangelho em um produto a ser mercadejado? 

Será que temos dependido do poder do Espírito de Deus para transformar vidas, mesmo que essa mensagem pareça ridícula, louca, pouco atraente? 

Idéia: Uma igreja focalizada em Cristo proclama o Evangelho na dependência do Espírito e não em técnicas de “marketing”.